Rafael Bruza/CBJ
Rafael Bruza/CBJ

Victor Penalber fatura bronze e sobe ao pódio pela 1ª vez em Mundiais

Judoca se aproxima bastante dos Jogos Olímpicos do Rio

Estadão Conteúdo

27 Agosto 2015 | 09h57

Ex-líder do ranking mundial, Victor Penalber estava devendo uma boa campanha em um grande evento. Não está mais. Nesta quinta-feira, o brasileiro mostrou muita agressividade, defendeu-se bem, e faturou sua primeira medalha em Campeonatos Mundiais de Judô, de bronze. Em Astana, perdeu do campeão mundial de 2013 nas quartas de final, mas se recuperou vencendo o campeão de 2014 na disputa pelo terceiro lugar da categoria até 81 kg.

A medalha deve colocar Penalber em um novo patamar no judô brasileiro. O carioca de 25, pupilo de Flávio Canto no Istituto Reação, está há dois anos entre os melhores do mundo na categoria dele. Enquanto Leandro Guilheiro se recuperava de uma cirurgia que o deixou dois anos fora dos tatames, Penalber se mantinha no alto do ranking.

Mas os resultados em Mundiais não vinham. O jovem foi eliminado nas oitavas de final em 2013 e ficou em sétimo no ano passado. No Pan de Toronto, foi surpreendido por um cubano e acabou apenas com o bronze. A falta de resultados fez a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) chamar Guilheiro para ir a Astana e abrir a corrida olímpica na categoria.

Penalber parece ter reagido bem à ''ameaça'' e fez um Mundial notável. Passou por Sergiu Toma (10.º), dos Emirados Árabes Unidos, pelo moçambicano Marlon Acácio (119.º) e pelo usbeque Yakhyo Imamov (18.º), sempre por ippon. Mas, nas quartas de final, por um shidô (punição) de desvantagem, perdeu do francês Loic Pietri, campeão mundial de 2013 e terceiro do ranking.

Na repescagem, conseguiu um lindo ippon contra Valeriu Duminica, de Moldova, que é apenas o 53.º do mundo. A decisão do bronze foi contra o georgiano Avtandili Tchrikishvili, então campeão mundial e líder do ranking. O brasileiro, criticado por demonstrar um cansaço inexplicável na segunda luta do Pan, no Mundial teve muito fôlego. Foi mais agressivo que o rival, que foi punido três vezes, e conquistou a medalha de bronze.

No pódio, Penalber se aproxima bastante dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Afinal, somou 360 pontos, contra apenas 108 do Guilheiro. A vantagem no ranking olímpico, que já era de 512 pontos, vai chegar a 764 agora. O veterano, se quiser estar nos Jogos do ano que vem, terá que ir seguidamente ao pódio no Circuito Mundial nos próximos meses.

Duas vezes medalhista olímpico (Atenas e Pequim), Guilheiro fez uma delicada cirurgia de joelho, ainda em 2012, e ficou dois anos sem nem mesmo vestir um kimono. Desde que retornou, não teve bons resultados. Mesmo assim recebeu uma chance da CBJ para mostrar o que sabe. Pelo regulamento do Mundial, cada país pode fazer duas "dobras" (dois atletas na mesma categoria) no masculino e outras duas no feminino.

Na estreia, Guilheiro venceu Roman Moustopoulos, grego que ocupa o 16.º lugar do ranking. Na sequência, superou o polonês Jakub Kubieniec (69.ª). Nas quartas, brigando por uma vaga na final, o brasileiro foi derrotado pelo sul-coreano Seungsu Lee (72.º), que terminou em quinto.

CAMPANHA

A medalha de Penalber é a segunda do Brasil no Mundial de Astana. Na terça-feira, Erika Miranda também ganhou bronze, na categoria até 52 kg. A brasileira, entretanto, chegou até a semifinal e, ali, sofreu um golpe no último segundo, quando já pensava na final que não veio.

A campanha do País na competição, de forma geral, não é ruim. Nathalia Brígida e Felipe Kitadai ficaram no quinto lugar e perderam só na luta que valia medalha. Sarah Menezes, campeã olímpica, e Rafaela Silva, campeã mundial de 2013, entretanto, decepcionaram e perderam na estreia. Nesta quinta, Mariana Silva, que é a 11.ª do ranking mundial da categoria até 63kg, perdeu na primeira luta para a chinesa Junxia Yang.

Na sexta-feira, o Brasil será representado por Tiago Camilo (até 90kg), Maria Portela (até 70kg) e Mayra Aguiar (até 78kg). Esta última ganha medalha há quatro Mundiais e, em Astana, defende o título. Mas, por conta da queda no ranking mundial, deve enfrentar a arquirrival Kayla Harrison já nas quartas de final. Nas últimas quatro competições que disputou (Pan, Campeonato Pan-Americano, Mundial de 2014 e Grand Slam de Tyumen, em 2014), Mayra fez final contra Kayla. Ganhou três, perdeu uma.

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