Glauco de Pierri/Estadão
Glauco de Pierri/Estadão

Vila dos Atletas abre as portas para moradores em Londres

Espaço dos competidores durante a Olimpíada de 2012 agora serve como moradia

Glauco de Pierri, enviado especial a Londres*, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2017 | 17h00

A menos de um quilômetro do Parque Olímpico de Londres, a Vila Olímpica onde os atletas ficaram hospedados agora serve de moradia para muitas pessoas comuns. Neto de imigrantes portugueses, Antonio Seppas mora em um dos apartamentos do local, mas não quer mostrá-lo. “É igual a todos os outros. Mas você sabia que uma parte paga aluguel bem barato e a outra paga mais caro?”, afirmou, da sacada da janela de sua moradia, no primeiro andar.

“Eu acho isso legal, de ajudar as pessoas comuns. Mas tinha de ser para todo mundo igual”, diz. “Agora estão construindo outros apartamentos, e eu quero me mudar para esses novos.” Questionado sobre os motivos, já que as construções mais recentes têm a mesma planta das erguidas para os Jogos de 2012, ele diz que sua intenção é comprar definitivamente o imóvel. “Quero tentar pegar alguma facilidade para financiar”, disse.

VOLUNTÁRIA

Alice Spencer é uma senhora divertida. Voluntária no Mundial de Atletismo Paralímpico, que acaba hoje, ela é de Yorkshire, e atende a todos com simpatia. Sua missão é resolver problemas e tirar dúvidas. Ela responde perguntas de todos os tipo. “Olha, eu realmente não tenho a menor ideia se a gente poderia pescar por aqui”, diz a um garoto que perguntou se há peixes no canal, e se ele poderia pescá-los. Referia-se a um dos canais do Rio Lea, que passa dentro do parque olímpico e onde visitantes podem andar de pedalinho. Mas vai atrás de uma solução.

Alice é engajada em Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Esteve no Rio em 2016 – além dela, outros voluntários afirmaram que fizeram o mesmo, e que agora estão de malas prontas para Tóquio-2020. “É uma forma de vida. Esporte é vida”, diz. Ela não conseguiu ir para os Jogos de Pequim, em 2008, mas foi para Sidney-2000 e Atenas-2004. “A Grécia já vivia um problemão financeiro, e acho que aumentou depois que o país foi sede dos Jogos. Não se aproveita quase nada hoje, é triste saber que não se pensou no que fazer com as estruturas da competição após as disputas”, diz.

Ao saber que a reportagem era do Brasil, deu uma bronca no repórter do Estado. “Mas e o Brasil? O que o Rio está fazendo com o seu Parque Olímpico que só chegam notícias ruins aqui? Aquilo era lindo, deveria ser como em Londres, utilizado agora pelo povo”, sentencia.

Ela diz lembrar bem do que seus colegas falavam de Deodoro, cenário das provas de canoagem e hipismo, entre outras. “Muitos me diziam que após os Jogos tudo seria abandonado. Dizia que não. Mas tinham razão. Precisam resolver isso, senão estragará tudo”, diz.

*O repórter viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

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