Zainal Abd Halil
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Virna segue com trauma e superstições do primeiro bronze olímpico

Atacante não consegue ver o confronto com Cuba, nos Jogos que renderam a medalha "inaugural" do vôlei feminino

Zainal Abd Halil
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Alessandro da Mata, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2016 | 05h55

Imagine que você ganhou uma medalha olímpica. Mas a cor dela não é lá exatamente a que você esperava. Após quase 20 anos da primeira conquista do vôlei feminino brasileiro nos Jogos, Virna ainda segue com resquícios do trauma da semifinal Brasil x Cuba, em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996.

"Só tivemos a noção exata da importância da medalha de bronze naquela ocasião ao chegar no Brasil. E até hoje eu não assisti o 

vídeo da derrota da semifinal para as cubanas. Meu marido pôs outro dia no Youtube, mas me dá angústia", justifica a atleta aposentada, que também ganhou o bronze em Sydney, na Austrália. Ela ainda participou dos Jogos em Atenas, na Grécia. 

 

Atacante da seleção por mais de uma década, Virna fez parte de uma geração com Fernanda Venturini e Ana Moser, entre outros talentos. Elas tinham convicção de que se passassem por Cuba, a maior rival, subiriam ao ponto mais alto do pódio. E até começaram melhor o jogo. Mas perderam por 3 sets a 2. As jogadoras entraram em uma briga corporal.

"Os brasileiros me conhecem por aquele jogo contra Cuba, quando brigamos dentro e fora da quadra. Perdemos por conta da força física. Era um time imbatível. Aí não dormimos. Parecia que tinha falecido um parente querido", afirma Virna.

O bronze veio com os 3 sets a 2 sobre a Rússia. Ele foi otido praticamente pelas reservas brasileiras. Depois de um chacoalhão de Oscar, do basquete, com quem as meninas cruzaram por acaso na Vila Olímpica, às vesperas da partida.   

  

Na Olimpíada de Atlanta, Virna apelou até para a superstição. Ela adquiriu hábitos associados à sorte na adolescência. Parte segue até os dias atuais. 

"Quando o time (a seleção brasileira) ganhava, eu usava a mesma camisa, elástico de cabelo e até roupa íntima. Lavava, 

secava e usava no jogo sequinte. A Olimpíada é incrível, espetacular", conta em meio a risos. 

Sem papas na língua ou até receio de um diagnóstico precoce de personalidade com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Virna lembrou de outros costumes da época cuja tecnologia era bem diferente da atual. 

"Sempre antes do jogo, eu colocava uma fita cassete de uma escola de samba no walkman. Ouvia no talo. Aquilo dava energia para eu me acalmar", confessa. Onde ela chegava para jogar, pedia o número 10 na camisa. "Era uma homenagem ao Zico. Meu filho nasceu em 10, do 10 de 2010. Então eu fico somando qualquer coisa para ver se dá 10", ainda explica a torcedora do Flamengo. 

A atacante ganhou ganhou o ouro no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, em 1999. Ganhou quatro vezes o Grand Prix de vôlei, entre outros feitos.

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