EFE
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Vitórias brasileiras ameaçam amizade com cubanos no boxe

Comissões técnicas dos dois países discutiram após classificação

Demétrio Vecchioli e Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 05h00

Amigos, amigos, negócios à parte. As recentes vitórias do boxe brasileiro no Rio-2016 tornaram-se uma ameaça para a hegemonia cubana no esporte na América Latina, o que comprometeu uma antes tranquila amizade. Neste domingo, depois da vitória de Robson Conceição sobre o cubano Lázaro Jorge Álvarez, na categoria leve (até 60 kg), as duas equipes de apoio se desentenderam e trocaram ofensas.

“Eu fui cumprimentá-lo e ele me ignorou”, disse o boxeador brasileiro. “Mas ele é muito marrento, ao contrário dos outros, e teve o que merecia.”

“Nossa relação com os cubanos começou a mudar nos últimos anos, quando o Brasil começou a vencer competições importantes e, com isso, a ganhar mais projeção no boxe”, observou Mateus Alves, um dos técnicos da seleção brasileira. Ele se referia principalmente à excelente participação brasileira na Olimpíada de Londres, em 2012, quando Esquiva Falcão (até 75 kg) levou a medalha de prata e Yamaguchi Falcão (até 85 kg) e Adriana Araújo (até 60 kg) ficaram com bronze.

De fato, antes de Robson chegar ao ponto de entrevistas com a imprensa, seu rival passou pelos jornalistas e membros de sua comissão gritaram em protesto contra a pontuação dos juízes. Os apelos ecoaram entre repórteres cubanos, também inconformados com o resultado. Na verdade, Cuba não tem atingido sua meta de conquista de medalhas de ouro, colecionando decepções como a derrota de Erislandy Savon, sobrinho do mítico tricampeão olímpico Felix Savon, desclassificado, no sábado, na semifinal, por Vassily Levit, do Casaquistão.

Mesmo com o clima tenso, Robson preferiu não apontar sua vitória como vingança – o brasileiro foi derrotado por Álvarez na final do Mundial de 2013. “Não vejo dessa forma, nem me preocupo com a raiva deles.” / D.V e U.B.

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