'Vivendo o momento', Márcio e Fábio Luiz superam campeões

Muitos atletas do Brasil em Pequimsempre evitam comentar quem é favorito a uma medalha, afirmandosempre que tudo pode acontecer em uma Olimpíada. E foi o queocorreu nesta quarta-feira, quando os campeões olímpicos devôlei de praia Ricardo e Emanuel foram derrotados pela duplatambém brasileira Márcio Araújo e Fábio Luiz, que tinha seclassificado aos atropelos para os Jogos deste ano. Vindos de uma repescagem na etapa de Marselha do CircuitoMundial, de onde conseguiram a vaga olímpica, Márcio e Fábioconseguiram ganhar cinco de seis partidas em Pequim edisputarão a medalha de ouro com os norte-americanos ToddRogers e Phil Dalhausser, campeões mundiais, na sexta-feira. O bronze também sai na sexta-feira, em partida entreRicardo e Emanuel e os brasileiros da Geórgia Renato Gomes eJorge Terceiro. Márcio e Fábio Luiz aplicaram um suado 2 sets a 0 sobreRicardo e Emanuel, vencedores, respectivamente de seis e noveCircuitos Mundiais. "Saímos praticamente do nada e agora estamos na final. Avida é uma roda, uma hora você está por baixo e outra hora estápor cima", disse Márcio, ainda sem acreditar que venceu a duplafavorita à medalha de ouro em Pequim. "Nenhum time do Brasiltinha ganhado deles ainda este ano", disse o jogador cearense. Em 2004, Márcio ficou em nono lugar nos Jogos de Atenas aolado do parceiro Benjamin, e da experiência ele disse queacumulou "muita humildade" para não ficar pensando em medalhaantes do final da competição. "Olimpíada a gente tem que viver o momento. Não dá parapular etapa, é ponto por ponto. Não tem passado, não temfuturo, só o presente e a medalha é consequência do que vocêfez." Para o jogo contra os norte-americanos, que foramderrotados pelos brasileiros em cinco de sete jogos anterioresdesde 2006, Márcio afirmou que a estratégia será o saque fortepara tentar quebrar o passe adversário. Apesar do retrospecto positivo contra Rogers e Dalhauser ecom a vitória sobre Ricardo e Emanuel ainda na cabeça, Fábioprefere não arriscar um resultado na final. "Existem os númerossim, mas dentro da quadra, as coisas mudam, depende da atitudede cada um", disse o jogador. Na partida, muito equilibrada, Márcio e Fábio abriram umavantagem de cinco pontos sobre Ricardo e Emanuel logo noprimeiro set. Fábio superou vária vezes o bloqueio de Ricardo.Mas Márcio cometeu erros de saque e, do outro lado da quadra,Ricardo também sacou colocado, confundindo os adversários ereduzindo a diferença para dois pontos, para 16-14. Márcio e Fábio voltaram a ampliar a vantagem com saquesfortes de Márcio contra Ricardo, dificultando o levantamento deEmanuel. Mas apesar de salvarem bolas quase perdidas prensadaspor bloqueio, Márcio e Fábio viram Ricardo e Emanuel empataremem 19-19 com uma deixadinha no fundo da quadra. Sem saber direito quem apoiar, a torcida brasileira agitoubandeiras do país mas gritou pouco diante da tensão do jogo. Oset acabou em 22-20 para Márcio e Fábio após bola fora deRicardo e Emanuel. O segundo set começou mais disputado, com uma duplaconseguindo converter pontos na quadra da outra. Sob pressão dedefender o título olímpico, Ricardo e Emanuel cometeram algunserros de ataque, enquanto Márcio e Fábio jogaram mais soltos,alternando saques fortes e flutuantes. A vantagem era 11-8 para Márcio e Fábio quando Márcioacertou cortada cruzada sobre Emanuel, que não conseguiu fazera defesa. Márcio sacava sobre Emanuel, de 1m90 metro, parafazer com que o jogador tivesse de encarar os mais de doismetros de Fábio no bloqueio. Mas com o placar em 19-16 para Márcio e Fábio, Emanuelsalvou um bola, reduzindo a vantagem da dupla adversária efazendo a torcida brasileira fazer coro de surpresa no ChaoyangPark. Porém, o dia não foi mesmo dos campeões olímpicos, eMárcio, ainda inspirado, salvou dois ataques fortíssimos deRicardo e sua dupla se classificou para a final ao fechar o setem 21-18.

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