Peter Power/Reuters
Peter Power/Reuters

Wada pede mais segurança no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem

Agência Antidoping está preocupada após o esquema da Rússia em Sochi, mas LBCD garante que está preparado

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2016 | 05h00

Temendo fraudes nos testes de doping no Rio, a Agência Mundial Antidoping (Wada) vai pedir que organizadores brasileiros e o Comitê Olímpico Internacional (COI) reforcem a segurança no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), responsável por realizar os exames durante os Jogos Olímpicos. A medida foi tomada depois das descobertas relacionadas aos atletas russos e tem como meta controlar quem sai e entra do local, assim como o transporte e eventualmente vazamento clandestino das amostras.

O laboratório brasileiro foi suspenso pela Wada e, depois de passar por uma nova inspeção e troca até de sua direção, foi autorizado a ser usado na Olimpíada. Mas o motivo da suspensão e o que foi feito para arrumar o problema jamais foram esclarecidos pelas entidades brasileiras, COI e Wada. 

A Rússia não foi banida como delegação para a frustração da Wada. Mas, nos bastidores da entidade, ficou a lição de que nem mesmo em grandes eventos o laboratório oficial usado pelo COI estaria blindado de qualquer tipo de fraude.

Na investigação conduzida por Richard McLaren à pedido da Wada foi provado que os russos criaram um sistema para a troca de amostras de atletas dopados. A troca ocorria na madrugada. O laboratório oficial do COI durante os Jogos de Sochi, em 2014, operava normalmente.

Com a ajuda do serviço secreto russo, um “buraco de rato” foi feito numa das paredes. Dali, os técnicos russos de plantão passavam as amostras de seus atletas. Do outro lado, Moscou havia criado um laboratório ilegal. Um freezer continha as amostras limpas de sangue e urina de todos os atletas russos. Segundo a Wada, os frascos eram abertos com cuidado, o produto trocado e, antes do novo dia começar, as amostras “limpas” eram devolvidas ao laboratório oficial.

Agora, a Wada quer segurança reforçada no Rio e uma atenção especial a todos os detalhes de entrada e saída de produtos. Fontes da agência também informaram que vão monitorar de forma cuidadosa todos os funcionários do local, assim como os mais de 80 especialistas estrangeiros que serão enviados para ajudar a realizar todos os testes.

A decisão caberá aos organizadores brasileiros e, ao que tudo indica, o desejo da Wada não deve ser atendido. O LBCD informou que tem procedimentos que garantem a segurança, tanto da estrutura quanto da segurança da informação. A estratégia inclui a Força Nacional de Segurança, que atua desde o início deste mês na vigilância das dependências.

“Esse reforço é somado ao corpo de segurança que já atua na UFRJ. No prédio, cada acesso é controlado por senha ou, dependendo da área, por uma checagem simultânea de impressão digital e senha. O acesso ao prédio também é completamente monitorado”, disse o laboratório, em nota.

Em relação à segurança das amostras, o LBCD divulgou que cada exame analisado tem um código que impede a identificação do atleta por qualquer pessoa envolvida no processo. COLABOROU CONSTANÇA REZENDE

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