Helvio Romero|Estadão
Helvio Romero|Estadão

Yumi Sawasato vive a honra de ser árbitra de referência

Juíza aguarda sua quinta participação consecutiva na Olimpíada

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2016 | 07h05

Yumi Sawasato já vislumbrava os Jogos de Londres como o fim de sua trajetória olímpica na ginástica artística feminina. Mas o planejamento mudou de rumo e agora ela está à espera de sua quinta participação consecutiva em uma Olimpíada. No Rio, sentirá o gostinho de ser árbitra de referência pela primeira vez na carreira.

"Quando tem muita diferença no critério das notas de execução, entra a nota de referência de uma forma bem sistemática. É uma função de bastante responsabilidade. Fiquei bem feliz por ter sido convocada, é um diferencial", afirma.

Cada um dos quatro aparelhos é resguardado por dois árbitros de dificuldade, cinco de execução e dois de referência. Yumi tem vasta experiência na composição da nota de partida. Apesar disso, ficou responsável pela avaliação do desempenho das ginastas em 2012. 

Entre as atletas avaliadas por ela, estavam as brasileiras lutando pela classificação às finais nos Jogos de Londres. "Eu estava na trave arbitrando e a Daniele (Hypolito), que era a última ginasta, tinha de acertar. Eu tinha feito a avaliação normalmente, mas o momento em que tive de dar a nota foi muito tenso", relembra. O Brasil não conseguiu se classificar para a fase decisiva.

Yumi explica que um árbitro pode ser escalado para as etapas preliminares mesmo que as ginastas de sua nacionalidade estejam na competição. No entanto, para garantir a isenção do resultado, a organização considera a origem do juiz nas finais por equipe e também na briga por medalha por aparelhos.

Segundo o código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG), os árbitros devem descontar 0,1 nas pequenas falhas e 0,3 nas médias, um erro grave faz a atleta perder 0,5 na nota final, enquanto uma queda tira 1 ponto. "Às vezes a avaliação fica na margem entre a falha pequena e a média, é isso que dá a grande diferença no grupo de arbitragem", explica Yumi.

A brasileira reconhece que o rigor do júri exige perfeição dos ginastas nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos Mundiais, mais até do que em competições de menos prestígio. "Em algumas Copas do Mundo, a arbitragem talvez seja um pouco mais leve no item das falhas pequenas e médias. No Mundial e na Olimpíada, é preciso ter exatidão. A gente segue exatamente aquilo que está no código de pontuação."

O profissionalismo levou a paulista ao lugar mais alto da carreira. Além de chegar à categoria 1 do quadro internacional, ela foi eleita pela FIG a melhor árbitra do mundo no ciclo olímpico de 2001 a 2004. "A Federação Internacional de Ginástica me deu uma premiação. Fomos para Genebra receber a medalha, os melhores árbitros de todas as modalidades. Foi uma grande honra", exalta.

Mas apesar de todo o prestígio, a arbitragem ainda é uma função amadora no Brasil e no mundo. Yumi é professora da disciplina Ginástica Artística no curso de graduação de Educação Física das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Ela também supervisiona as atividades do Instituto Yashi, em São Paulo, e atua como coordenadora técnica da Confederação Brasileira de Ginástica.

 

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