'A minha estratégia vai ser ficar em pé', avisa Vitor Miranda

'A minha estratégia vai ser ficar em pé', avisa Vitor Miranda

Lutador encara Marcelo Guimarães no UFC 196

Entrevista com

Vitor Miranda

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 07h00

Neste sábado, em Las Vegas Vitor Miranda, lutará no UFC 196 diante de Marcelo Guimarães. Aos 36 anos, o lutador se mostra bastante confiante na vitória nesta entrevista ao Estado.

A especialidade do Marcelo Guimarães é o jiu jitsu. Você treinou bastante essa parte para fazer uma luta equilibrada caso vá para o chão ou pretende manter a luta na trocação?

O risco é tudo. Uma mão encaixar, um chute encaixar, e ele me nocautear ou me levar pro chão e finalizar, ou me agarrar e ficar enrolando na grade, amassando, e ganhar por pontos. Eu treino todo dia pra evitar isso. Destacar uma coisa só, destaco a especialidade dele, que é a luta de chão.

Qual acha que será a estratégia dele para a luta? E qual é a sua estratégia traçada?

A estratégia é simples: a minha, é ficar em pé; a dele, me derrubar. O que acontece durante a luta, quando o cara quer me derrubar, é que ele vai ter que se expor um pouco. Vai ter que chegar perto, e é nessa que posso surpreendê-lo. Ou, até mesmo, posso derrubá-lo. O cara acha que só vou recuar, e eu também posso entrar para dar queda. E posso surpreender.

Tem algum lutador que você gostaria de enfrentar?

Quando fechei essa luta com o Marcelo, parei para pesquisar o ranking e estou focado só no Magrão. Mas tem caras que eu queria lutar, sei que poderia lutar hoje e vencer. Agora não faz sentido dar nomes, porque tenho essa luta pela frente, mas tem bastante gente na minha categoria que eu teria condições de ganhar.

Você está atualmente com 36 anos. Acha que pode se manter em alto nível por mais quanto tempo? Pensa na aposentadoria?

Na minha cabeça, minha meta é aposentar no UFC daqui a 5, 6 anos. Mentalmente, fisicamente, eu tô muito bem. Não tenho nenhuma cirurgia, não tenho esse desgaste que atletas de 30 anos têm. Os caras começaram a lutar e a sofrer golpes aos 20 anos de idade, e eu comecei no esporte aos 28 e nunca fui nocauteado. Então, estou em perfeitas condições de ficar mais uns 5 anos aí.

Caso você vença, já espera enfrentar um adversário do Top 15 dos médios?

Eu acredito que não. Como o Magrão está há muito tempo sem lutar, eles o tiraram do ranking pelo tempo de inatividade. Eu teria que pegar alguém com ranking maior que o meu, então, não tenho essa pretensão agora. Daqui a dois meses e meio, quero lutar de novo. Se possível, até mesmo no Brasil. Acho que mais umas três boas vitórias me colocam no top 15.

Essa é apenas a sua quarta luta em dois anos. Você acha que o UFC deveria casar mais combates para você?

Em 2015, eu queria ter feito pelo menos mais uma luta. Não deu, porque em abril casaram uma luta pra mim e eu machuquei a costela. Não fui culpa do UFC. Foi minha. Depois, me botaram em agosto. Eu lutei. Depois, queria ter feito uma em dezembro. Meu empresário ficou em cima direto, mas o UFC não conseguiu marcar. Ano passado, fiz só uma luta. Então, este ano, quero compensar e conseguir lutas quatro vezes.

A dor de perder um filho é muito grande. Como você lida com isso hoje, alguns anos após o ocorrido?

Quando perdemos nosso filho, nos primeiros meses foi muito difícil. A gente estava nos Estados Unidos, sem família, só poucos amigos. e aí começamos a ter anjos na nossa vida. Por exemplo, o Antonio Pezão, que me acolheu na casa dele por 3 meses. Ele tirou a filha dele do quarto dela pra nos acolher. Recebi carinho de muita gente. Isso, com certeza, nos ajudou muito.

De alguma forma você usa isso como motivação? Como a luta te ajudou a superar essa perda?

Nós decidimos que não poderíamos parar, senão, teria tudo sido tudo em vão. A gente decidiu continuar, e isso me deu 10 vezes mais força e motivação pra continuar e realmente vencer. Toda vitória é dedicada pro nosso filhote, que está nos amparando lá de cima.

Você também já chegou a passar por problemas financeiros antes de se tornar um nome conhecido no MMA e sua esposa sempre esteve ao seu lado. Qual a importância da família para um lutador tanto no sucesso quanto nos obstáculos?

Quando saí da casa do TUF, vim direto para os Estados Unidos. Depois disso, meu empresário ligou para a minha esposa pra falar com ela. Ele disse: "muitos esportistas terminaram a carreira precocemente, se são bem e depois se dão mal por um motivo: família. 'Cuide do seu marido, ele precisa'". Resumindo: família é tudo. Graças a Deus, sempre prezei muito pela minha família, meus pais, meus irmãos, minha esposa, minha filha. Sempre fui feliz com pouco dinheiro. Quando tiver mais dinheiro, vou ser mais feliz ainda. Nada vai mudar. Meus amigos não vão mudar. Até posso conhecer outras pessoas, mas minha base de família e amigos sempre vai ser a mesma.

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