Reprodução| Instagram
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Amanda Nunes diz que o UFC acerta em escalá-la em luta por cinturão

Brasileira disputa o título dos galos contra Miesha Tate no UFC 200

Entrevista com

Amanda Nunes

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 07h00

No dia 6 de abril, o UFC confirmou Amanda Nunes como a primeira desafiante de Miesha Tate, nova campeã do peso galo do Ultimate. A decisão surpreendeu alguns fãs do MMA, que esperavam uma revanche entre a dona do cinturão e a também norte-americana Holly Holm. Mas, para a brasileira, quinta colocada no ranking da categoria, a escolha foi acertada. "A Holly Holm merecia aquela luta com a Ronda Rousey, mas penso que ela ainda não tem luta de chão. Eu acho que para você ser campeã você tem de ser completa", disse Amanda Nunes em entrevista exclusiva ao Estado

A 'Leona', como é conhecida a baiana de 27 anos, também mostrou confiança para o confronto, que acontece no dia 9 de julho de 2016, em Las Vegas (EUA), e será umas das principais atrações do aguardado UFC 200. "É meu momento e eu vou estar pronta para levar esse cinturão para o Brasil".

Com cartel de seis vitórias e apenas duas derrotas no UFC, Amanda Nunes é conhecida por finalizar suas adversárias rapidamente. Cinco de seus triunfos vieram por nocaute no primeiro round. Mas esse poder de decisão acaba escondendo um problema: a falta de gás para se manter bem em lutas mais longas, como aconteceu na última vez em que entrou no octógono, contra Valentina Shevchenko. Algo que a brasileira diz saber, e promete, melhorar.

Você vem apresentando uma grande evolução na sua luta desde a derrota para a Cat Zingano. Esse era o melhor momento para você ter uma luta valendo cinturão?

Com certeza. Todo trabalho feito por mim e pela minha equipe mostra que estamos preparados para qualquer obstáculo. O cinturão é um caso a parte. Se você ligar para qualquer atleta e perguntar se ele está pronto para disputar o título, ele vai falar: 'Claro'. É o tipo de oportunidade que, se não for o momento dele, ele fará o momento acontecer. É meu momento, e vou estar pronta para levar esse cinturão para o Brasil.

Você vai lutar no UFC 200, um evento muito especial para o Ultimate. Existe alguma pressão extra por isso?

Não tem como pensar nisso agora. Para mim, poderia ser nesse evento, antes ou depois. Para mim o que importa é o cinturão. 

Mas toda a preparação para promoção do evento não te atrapalha?

Tem toda a viagem de divulgação e as entrevistas. Mas eu sempre levo minha parceira de treino comigo e continuo mantendo a preparação. Tudo isso faz parte do show. Para o evento acontecer temos de fazer toda parte de promoção, o que acaba sendo bom porque ficamos perto dos fãs. 

Você acha que a Miesha Tate vai lutar de uma forma mais cautelosa por estar defendendo o cinturão pela primeira vez?

Acho que a estratégia dela será me pressionar desde o começo. Ela pensa que vai tirar vantagem porque eu dei uma cansada na minha última luta, mas vou estar preparada para isso. Se não for assim, também vou estar preparada. Não tem muito segredo. Às vezes você traça uma estratégia e não acontece. Por isso você precisa ter um plano B e até um plano C. Tudo pode acontecer.

A Miesha Tate já mostrou que consegue controlar muito bem uma luta, assim como fez com a Holly Holm, quando foi até o 5º round e acabou ganhando por finalização. Você acha que ela vai repetir essa estratégia com você?

As pessoas gostam de analisar os atletas pela última luta. Se olharmos a penúltima luta da Miesha Tate, contra a Sara McMann, ela não foi bem. Ela perdeu os dois primeiros rounds e no terceiro sobreviveu até conseguir uma boa posição e acabou vencendo. Imagina se fossem julgar a Miesha por essa luta? Olha o que ela fez com a Holly Holm. Foi tudo diferente. Não existe o julgamento de um atleta por uma luta que passou. Quando acaba a luta, o atleta volta para a academia e treina para voltar mais forte. Então, o que aconteceu na minha última luta não vai acontecer na próxima. Eu sei onde errei e se ela entrar pensando assim, vai ter uma surpresa.

Você já disse anteriormente que precisa melhor o gás final nas lutas. Como você está fazendo para melhorar isso sabendo que poderá lutar pela primeira vez os cinco rounds?

O treino para a luta ainda não começou. Ainda estou em um processo de preparar o corpo para uma etapa mais pesada que está por vir. O camp para a luta não é de cinco meses. Acredito que oito semanas é um prazo ótimo para um atleta se preparar. 

Você se surpreendeu quando te colocaram para enfrentar a Miesha e não fizeram uma tradicional revanche dela com a Holly Holm?

A Holly Holm merecia aquela luta com a Ronda Rousey, mas penso que ela ainda não tem luta de chão. Eu acho que para ser campeã você tem de ser completa. O Ultimate fez certo em me dar esta oportunidade. Se eles dessem essa oportunidade para a Holly outra vez, ela iria perder de novo. Claro que ela pode aprender a luta de chão, mas em tão curto período é muito complicado. Ela não conseguiria absorver o jiu-jítsu. Quando o UFC te dá uma oportunidade dessas é porque ele sabe do seu potencial e eu agradeço por isso.

Vários lutadores reclamam da falta de patrocínios e investidores. Você acha que para as mulheres essa situação no Brasil é ainda pior?

Eu saí do Brasil logo quando estava começando. Tentei apoio de tudo quanto era jeito e não consegui, e minha família não tinha condições financeiras de me ajudar com meu sonho. Meus treinadores decidiram me mandar para fora do País porque acreditavam que eu poderia ser uma campeã no futuro.

CARDÁPIO DO UFC 200

Data: 9 de julho de 2016, em Las Vegas (EUA)

CARD DO EVENTO (até agora):

Peso-pena: José Aldo x Frankie Edgar

Peso-galo: Miesha Tate x Amanda Nunes

Peso-pesado: Cain Velásquez x Travis Browne

Peso-meio-médio: Johny Hendricks x Kelvin Gastelum

Peso-galo: Cat Zingano x Julianna Peña

Peso-leve: Joe Lauzon x Diego Sanchez

Peso-leve: Takanori Gomi x Jim Miller

Peso-médio: Gegard Mousasi x Derek Brunson

Peso-leve: Sage Northcutt x Enrique Marin

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