Jornal O Benfica
Jornal O Benfica

Após naturalização, brasileiras têm bons resultados no judô de Portugal

Rochele Nunes e Barbara Timo defendem o Benfica e planejam ir a Tóquio defendendo Portugal

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2019 | 04h30

Em agosto de 2018, as judocas Bárbara Timo e Rochele Nunes se mudaram para Lisboa para lutar pelo Benfica, de Portugal. Em novembro, ambas conquistaram o campeonato nacional em suas categorias: médio (-70kg) e pesado (+78kg). Neste ano, a grande mudança: Bárbara e Rochele também passam a defender a seleção portuguesa. As atletas, que representaram o Brasil em diversas competições internacionais ao longo da carreira, obtiveram a naturalização, e a regularização na Federação Internacional de Judô foi concluída recentemente.

"O Benfica é hoje um dos clubes mais ecléticos do mundo. Por isso, estamos sempre atentos aos atletas que melhor poderão representar o nosso emblema. A Bárbara Timo e a Rochele Nunes vieram integrar o nosso projeto Olímpico e os resultados estão à vista, com várias medalhas já conquistadas. Naturalmente, pela sua qualidade, a Federação Portuguesa de Judô aproveitou a oportunidade para passar a contar com mais duas atletas de enorme potencial nas competições internacionais", avalia Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica para as Modalidades. 

"Telma Monteiro, a melhor judoca portuguesa de sempre, alcançou a única medalha para Portugal no Rio. Estamos convictos que em Tóquio, teremos três judocas do Benfica com possibilidade de chegar às medalhas e honrar as cores do país", completa.

A gaúcha Rochele também teve uma grande temporada de 2018. Defendendo o Brasil e a Sogipa (RS), ela conquistou quatro medalhas de ouro na categoria pesado (+78kg). Os títulos vieram nos Opens de Santiago, Lima e Buenos Aires, além do Sul-Brasileiro. Também ficou em terceiro lugar no Grand Prix Nacional por equipes mistas.

Por que você decidiu se naturalizar portuguesa?

Pela oportunidade de poder disputar os Jogos Olímpicos.

Não seria possível disputar os Jogos pelo Brasil?

Seria possível sim. Porém com a necessidade de renovar a equipe (da seleção) as apostas em mim seriam menores e eu entendo isso. Com um menor investimento, acredito que se tornaria muito mais difícil a minha ida ao Jogos.

Você enfrentou dificuldades no Brasil?

Não sei se foram dificuldades em competir, mas eu tive um pouco de “azar” ao longo de dois ciclos olímpicos. Eu realizei seis cirurgias, e isso é algo que foge do meu controle. Infelizmente, eu não tinha como evitar, não procuro usar isso como desculpa porém em algumas vezes em que essas lesões ocorreram eram momentos muitos importantes da carreira.

Como você avalia esse período como atleta de Portugal?

Eu me sinto muito mais confiante. Acredito que a credibilidade que a Federação, Comitê Olímpico e Benfica colocaram em mim foi essencial para que aumentasse a minha confiança.

Quais foram seus principais resutlados até agora?

Eu conquistei medalha de bronze no GP Telaviv, bronze no Grand Slam de Ecaterimburgo e bronze GP de Tbilisi.

Quais seus planos para 2019?

Confirmar a vaga na Olimpíada e chegar nos jogos entre as quatro melhores do ranking já pensando no ouro olímpico. Ainda é longo o caminho, temos muitas provas, mas tudo passa muito rápido.

Outros judocas brasileiros também estão se naturalizando. Como você avalia esse movimento?

Vejo para muitos como uma opção de qualidade de vida e poder vivenciar o que, às vezes, não era possível. Por outro lado, não é fácil sair do seu país, deixar família e amigos, sair de uma zona de conforto. Em busca de um sonho, vale a pena.

Como é sua rotina pessoal e profissional?

Eu me vejo muito mais planejada e focada. A rotina com dois treinos diários, cinco vezes por semana, se mantém. Algumas vezes, nós treinamos aos sábados. O que mudou foi a qualidade de treino e a maneira com qual eu tenho treinado, muito mais voltada para competições internacionais. Tenho ido muito aos jogos do Benfica e apoiado as outras modalidades. Vôlei, handebol, futsal e futebol feminino são os que eu mais gosto de assistir. E vou muito ao cinema.

Qual é o apoio que o clube oferece para você?

O clube me ofereceu tudo o que é fundamental para um atleta. A estrutura do Benfica é muito boa. Para o projeto olímpico, eu tenho tudo o que eu preciso! Por isso a minha dedicação está sendo tão grande. Quero poder retribuir todo o apoio que está sendo oferecido.

Você já sente adaptada?

Agora sim. Já tenho mais amizades em Portugal e sinto que já é minha casa. As pessoas que convivo fizeram com que tudo fosse um pouco mais fácil para que eu pudesse me sentir o mais feliz possível.

E sua família?

A família me apoiou 100% e foi fundamental para que eu tivesse coragem de encarar a mudança. Eles vivem meu sonho junto comigo e sempre acreditaram no meu potencial.

A carioca Bárbara Timo teve um grande ano de 2018 pela seleção brasileira e pelo Esporte Clube Pinheiros (SP) na categoria médio (-70kg): ganhou duas medalhas de ouro (Open de Buenos Aires e Sul-Brasileiro), uma de prata (Grand Prix Nacional por equipes mistas) e uma de bronze (Grand Slam de Ecaterimburgo).

Por que você decidiu se naturalizar portuguesa?

Pela oportunidade de ir aos Jogos Olímpicos e buscar medalha. Teria possibilidades no Brasil, mas acredito que poderia surgir o momento de renovação na seleção. Eu entendo isso.

Quais as dificuldades que enfrentou no Brasil?

Representei a seleção de 2013 a 2018. A categoria médio no Brasil tem atletas fortes e cada vez com mais resultados. Sei que fiz tudo que estava ao meu alcance para buscar resultados e evoluir.

Como você avalia esse período como atleta de Portugal?

Está sendo excelente ter experiência nova. Estou aprendendo e curtindo a caminhada rumo aos Jogos Olímpicos.

Quais foram seus principais resultados até agora?

No Brasil, eu fui campeã da Universíade Taipei 2017, terceira colocada no Grand Slam de Ecaterimburgo em 2018 e primeira colocada no GP de Tashkent, em 2013. Também fui pentacampeã brasileira. Em Portugal, fiquei em terceiro no Grand Slam de Paris e primeira colocada no Grand Prix de Tblisi

Quais são seus planos para 2019?

Quero subir ao pódio no europeu e mundial e continuar tenho constância de rsultados para que chegue aos Jogos Olímpicos entre as oito no ranqueamento.

Muitos atletas estão se naturalizando. Como analisa essa questão?

Acho que é uma tendência mundial, que acontece há muitos anos, não só do Brasil.

Como é sua rotina em Portugal?

Desde janeiro parei pouco em casa, em Lisboa. Passo uma média de 10 dias viajando para treinar e competir e 10 dias em casa recuperando e focando no treino físico. Em 2019, eu já participei de seis treinamentos internacionais e cinco competições internacionais. Praticamente não tenho uma rotina. Não é fácil, mas abri mão da minha família, minha casa e meus amigos no Brasil por um sonho e farei tudo que tiver ao meu alcance para conquistá-lo. O que me deixa feliz é que a Federação Portuguesa de Judô e o Benfica acreditam e investem em mim para que eu tenha as melhores condições de preparação rumo aos Jogos. Sinto que estou cada dia mais forte e confiante.

Você se sente adaptada?

Sinto muito adaptada à Portugal. A qualidade de vida melhorou, hoje moro a 5 minutos do Benfica, a comida é excelente. Temos fisioterapia, massagista e mental coach toda semana. E tenho o treinado Jorge Gonçalves que é meu (e da telma monteiro) preparador físico e técnico de judô que planeja todos os nossos treinos e principalmente os descansos. Sou muito grata a ele pois desde o princípio ele acreditou no meu potencial e faz de tudo para que eu busque a minha melhor versão

E sua família?

A parte mais dificil foi deixar minha familia. Desde o início, eles me apoiam e trabalho muito para poder melhorar a vida deles. Sempre ajudei minha irmã a criar meu sobrinho. Agora, estou vendo que ele está crescendo (agora tem 13 anos), mas não está por perto é o que mais dói. Não sou casada. Nem tenho filhos, mas tenho um cachorro que minha irmã está cuidando.

 

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.