Lara Monsores/CBJ
Lara Monsores/CBJ

Após título brasileiro, mamãe judoca sonha com os Jogos de Tóquio

Camila Yamakawa teve de amamentar o filho de três meses no torneio e agora quer ir à Olímpiada

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 04h30

A judoca Camila Yamakawa estava com as mãos ocupadas na cerimônia de premiação da categoria peso pesado (+ 78 kg) do Campeonato Brasileiro de Judô, no último final de semana. No colo da campeã, o filho, Ali. A foto dos dois do pódio foi o último – e feliz – capítulo de uma aventura da mamãe judoca. O menino de apenas três meses acompanhou a lutadora durante os dois dias da competição em Santa Catarina. 

Ali foi ao torneio por necessidade. A mãe ainda está na fase de adaptação, de horários e costumes, e não conseguiria se afastar do filho por tanto tempo. Durante a competição, contou com a ajuda da amiga Ana Gabriele, que ficava com o bebê enquanto ela lutava. Entre um combate e outro, pausa para descansar e também para amamentar. 

O momento mais tenso foi antes da primeira luta, contra uma competidora de São Paulo, quando Camila ouviu o choro da área de concentração. Teve de manter o foco. Venceu e, na pausa para o próximo combate, foi amamentar o Ali. “Ele ficou de boa. Só chorou essa vez. Havia muito colo para ele lá”, sorri. 

A mãe conta que crianças novas demoram a incorporar uma rotina. O sono regular – fator primordial para a preparação de um atleta – ainda é um desafio na vida de Camila. Ele acorda, no mínimo, duas vezes por noite. Essa parte é a mais cansativa da vida da lutadora da cidade de Dourados (MS). 

Camila ainda está na fase da adaptação também em relação aos treinos, tentando conciliar com a maternidade. “É bastante difícil. Criança nova não tem muitos horários. Ele começa a chorar no meio do treino. Tenho de dar mamar e voltar para o treino”, conta. 

A judoca revela que essa jornada dupla criou um mutirão nos treinos do Clube Sakurá de Judô. “Eu conto com a ajuda de muita gente. Uma pessoa sozinha é muito difícil de conciliar. O pai dele (o judoca Jorge Yamakawa) está sempre presente. As mães do treino... cada dia uma cuida. Ainda tenho minha família. É um grupo para me fazer treinar”, enumera. 

De maneira paradoxal, a gravidez deixou Camila mais durona, principalmente na hora dos treinos. “A gente tem que ser um pouco fria, porque tem horas que ele está berrando lá fora, mas eu sei que tenho que ter calma. Eu tenho que criar uma rotina para ele. É difícil, mas dou conta”, explicou a atleta, que vem acumulando diversos títulos nacionais na carreira desde o sub-13, além da 6.ª posição no ranking nacional 2019 da categoria. 

Planos

A gravidez foi mais ou menos “planejada”. Vice-campeã mundial júnior em 2015, a judoca se viu obrigada a se afastar dos tatames devido à uma lesão no joelho. O problema ocorreu durante a conquista do título brasileiro do ano passado. 

Para realizar o sonho de ser mãe, Camila aproveitou o período que teria para se recuperar da cirurgia para planejar a gestação e ter seu primeiro filho. Ela queria voltar a tempo de participar do torneio brasileiro de 2019. O menino nasceu em 28 de agosto com 3,5 kg e 49 centímetros. A primeira parte havia dado certo. Mas seu desafio não foi só voltar de uma cirurgia. Foi voltar também de uma gravidez. A conquista de Santa Catarina mostrou que tudo deu certo. 

Além de conquistar o título nacional, Camila ajudou a colocar seu estado, o Mato Grosso do Sul, entre os melhores do País no quadro geral de medalhas da competição. Com seu ouro e a prata de Ana Carla Grincevicus (63kg), o judô sul-mato-grossense ficou em terceiro na classificação geral feminina, atrás apenas de Minas Gerais (1.º) e do Rio de Janeiro (2.º). 

O título nacional faz Camisa sonhar com uma vaga nos Jogos de Tóquio. A disputa é acirrada. A categoria dela é a mais concorrida do País, com Maria Suelen Altheman e Bia Souza. Além disso, ela precisa retomar o ritmo das competições internacionais. “Após o brasileiro, acho que voltei a disputar uma vaga. Nada é impossível. Elas (Suellen e Bia) estão em um nível alto e ritmo de competição mais acelerado. Quero voltar a competir em nível internacional, criar rotina de treinos e pegar confiança. Vamos correr atrás dessa vaga”, diz judoca de 24 anos. 

Se conseguir a vaga na Olimpíada, Camila Yamakawa planeja novamente estar com as mãos ocupadas entre uma luta e outra das disputas do judô. “Com certeza, eu levarei o Ali comigo. Ele se transformou no meu amuleto da sorte”, sorri.  

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