Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

Boxeador italiano com tatuagens nazistas gera polêmica e revolta; Federação de Boxe é criticada

Michele Broili tem símbolos fascistas pelo corpo. Ele causou a surpresa de seu adversário ao entrar no ringue para disputar o título da categoria super pena em Trieste; perdeu a luta e seu rival, marroquino, foi considerado herói

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2021 | 13h51

Uma luta de boxe na Itália causou enorme revolta na população e seguidores da nobre arte no fim de semana. A torcida que acompanhava o confronto entre Michele Broili e Hassan Nourdine se surpreendeu ao descobrir que Broili tem várias tatuagens neo-nazistas pelo corpo. Ao jornal La Stampa, Nourdine, de 34 anos, afirmou que ficou chocado quando entrou no ringue e viu as tatuagens do seu adverário. Pensou em não lutar. Nourdine nasceu no Marrocos e foi tratado como herói por ter vencido o título da categoria super pena na cidade de Trieste, nordeste da Itália.

Autoridades esportivas locais investigam agora como um boxeador que tem uma tatuagem de uma bandeira com a inscrição SS, referente a Scutzstaffel (Esquadrão de Proteção) do Partido Nazista, foi permitido dese associar à Federação Italiana de Boxe, que recebeu duras críticas pela falta de ação no caso.

Outros símbolos foram percebidos pelos internautas que acompanhavam a luta no site da Gazzetta dello Sport, o maior jornal esportivo da Itália. Entre as tatuagens no corpo de Broili, estava o número 88, um código numeral supremacista para a expressão Heil Hitler (Salve, Hitler, na tradução) e um símbolo da unidade paramilitar que ajudou a comandar campos de concentração na Alemanha nazista, chamado de totenkopf. Antes da disputa, Broili ainda fez a saudação fascista para sua equipe.

"Eu acho essas tatuagens obscenas. Não há justificativa. A Federação Italiana de Boxe deveria ter percebido desde o começo que esse boxeador tinha essas simpatias. Incitar o ódio é punível por lei", disse Nourdine. O regime nazista de Adolfo Hitler foi responsável pelo Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

A Federação Italiana de Boxe divulgou um comunicado dizendo que todos seus membros devem se distanciar de qualquer comportamento discriminatório e que o caso será destinado ao corpo de justiça esportivo. A federação, no entanto, não explicou por que não tomou uma atitude antes do torneio de boxe de domingo. Aos 28 anos, Broili já havia disputado 16 lutas profissionais antes de perder para Nourdine. 

Além de correr o risco de ser expulso da federação de boxe, o lutador pode ser alvo de uma investigação criminal da polícia de Trieste, segundo relatos da mídia italiana. A lei do país não permite menções ao fascismo, uma infração que pode levar a até dois anos de prisão. O problema é que a legislação é pouco aplicada. Além disso, os investigadores devem provar que Broili fez o gesto neste contexto, o que torna uma punição mais difícil.

"Michele (Broili) apenas fala sobre esporte e apenas quer praticar o esporte. Michele é o protótipo de atleta que acorda às quatro da manhã para treinar", disse Denis Conte, técnico do lutador à Agência Ansa. Testemunhas relataram que torcedores de Broili cantaram músicas nazistas e trocaram saudações até sua chegada no ringue. "Para mim, isso não é normal. Mas não posso negar que vencer alguém com aquelas tatuagens é uma vitória que vale o dobro", afirmou Nourdine. 

Tudo o que sabemos sobre:
boxeItália [Europa]nazismofascismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.