Andrew Couldridge/Reuters
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Boxeador mexicano é o verdadeiro 'Garoto de Ouro' no esporte mundial

Saúl Canelo Álvarez assina contrato bilionário, o maior de um esportista em todos os tempos, e mostra a força da nobre arte

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2018 | 05h00

O boxeador mexicano Saúl Canelo Álvarez assinou semana passada o maior contrato de um esportista em todos os tempos. O campeão mundial dos pesos médios vai receber US$ 365 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) para fazer 11 lutas nos próximos cinco anos. “Não gosto de me gabar. Mas tudo que consegui na vida foi com um esforço muito grande”, disse o pugilista, de 28 anos, que soma 50 vitórias (34 nocautes), uma derrota e dois empates. E sua história vale um filme.

O Mercado de San Juan de Dios, o maior da América Latina, com 40 mil m², em Guadalajara, México, foi o local preferido dos irmãos Rigoberto (El Español), Daniel (El Conde), Ricardo (Dinamita), Gonzalo (El León), Víctor (El Matador), Ramón (El inocente) e Saúl (El Canelo). Os irmãos Álvarez Barragán passavam o dia vendendo sorvete e água fresca para ajudar os pais.

Saúl Canelo Álvarez, o menor dos irmãos, começou a trabalhar aos cinco anos. Aos dez, depois de passar um dia sem vender um sorvete e perder todos por causa do calor, ficou irritado. Sofreu gozações por parte de outros garotos, que, como ele, vendiam produtos, e dos caminhoneiros, os maiores compradores. O foco das brincadeiras que machucavam o menino era a cor vermelha de seus cabelos.

A explosão fez Rigoberto, o irmão mais velho, levar o caçula para o “Gimnasio Magdaleno Mercado”, de José “Chepo” Reynoso, para treinar boxe. E o experiente treinador não demorou para perceber que tinha em suas mãos um diamante a ser lapidado. Um verdadeiro exemplo de boxeador mexicano: raçudo, valente e determinado.

Aos 15 anos, em 2005, Canelo estreou no boxe profissional com um nocaute técnico no quarto assalto. Foi o único dos irmãos a atingir um alto nível na nobre arte. Soma títulos mundiais na categoria dos médios-ligeiros, médios, com vitórias sobre lendas como Miguel Cotto, Shaner Mosley e Gennady GGG Golovkin e cuja única derrota foi para Floyd Mayweather.

Pai de três filhos, Canelo desfruta de uma vida milionária. Ajuda toda sua família e reserva espaço na sua mansão em Guadalajara para guardar sua coleção de carros, com direito a Mercedes, Jaguar e Porsche.

“Canelo não será apenas um dos maiores pugilistas de todos os tempos. Ele também vai integrar a lista dos maiores esportistas da história”, disse o ex-campeão Oscar De La Hoya, que é presidente da Golden Boy Promotions, empresa que cuida da carreira do mexicano.

O contrato de Canelo com a DAZN, serviço de streaming de vídeo por assinatura de propriedade do britânico Perform Group, supera o acordo de Giancarlo Stanton, do beisebol, que recebeu US$ 325 milhões para atuar por 13 anos com o Miami Marlins, e também o compromisso do astro Stephen Curry, do Golden State Warriors, que vai ganhar US$ 201 milhões em seis temporadas na NBA.

Canelo estende a lista de boxeadores que ganharam fortunas em cima do ringue. O primeiro foi o lendário Muhammad Ali, que acumulou US$ 80 milhões entre os anos de 60 e 70. Sugar Ray Leonard somou mais de US$ 120 milhões. O fortíssimo George Foreman ganhou fama, virou garoto-propaganda e hoje desfruta de US$ 250 milhões. O carismático Mike Tyson, apesar de todas as bobagens dentro e fora dos ringues, embolsou mais de US$ 350 milhões, enquanto o seu contemporâneo Lennox Lewis garantiu US$ 140 milhões.

Mas nada se compara a Manny Pacquiao e Floyd Mayweather, que fizeram uma luta bilionária em 2015. O filipino, campeão em oito categorias, faturou mais de US$ 500 milhões na carreira, enquanto o americano garante ter US$ 1 bilhão em sua conta no banco.

 

 

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