Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Boxeadora que sofreu com pai viciado dá o 1º ouro do boxe no Pan para Argentina

Leonela Sánchez derrotou brasileira Jucielen Romeu na categoria até 60 kg

Paulo Favero, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2019 | 15h02

A vitória sobre a brasileira Jucielen Romeu colocou Leonela Sánchez na história. Ela se tornou a primeira mulher da Argentina a conquistar o ouro no boxe nos Jogos Pan-Americanos. E, nesta sexta-feira, ela ficará na torcida por sua irmã Dayana, que enfrenta a brasileira Bia Ferreira pelo título da categoria até 60 kg em Lima, no Peru.

"Ela já tem antecedente com a brasileira, já se enfrentaram, e a verdade é que nada é impossível. Tem de subir no ringue, se divertir e fazer o que é preciso. Não tenho dúvida de que ela é capaz de chegar à medalha de ouro", comentou Leonela, ciente de que sua irmã foi prata no Pan de Toronto, no Canadá, em 2015, e pode tentar surpreender Bia Ferreira na final.

Mas independentemente da cor da medalha, as duas irmãs Sánchez podem ser consideradas vitoriosas por terem superado os muitos obstáculos da vida. A começar pela relação com o pai, Hugo, um ex-boxeador que se afundou no vício do álcool e das drogas, tornou-se violento e começou a ser um grande problema em casa.

A situação tornou-se insustentável e as irmãs tiveram de expulsar o pai de casa, há oito anos, para proteger também a mãe Maria Rosa e a irmã caçula Tânia. "Lamentavelmente aconteceram coisas que a gente nunca espera e tive de me separar do meu pai. Foi duro, tive muitas pedras no caminho, que não foram fáceis de superar, mas agora dou graças a Deus que ocorreram todas essas coisas porque fiquei mais forte", revelou Leonela.

A boxeadora chegou até a pensar em largar tudo, mas foi a sua família quem a manteve no foco. Passou por problemas financeiros, estava com dificuldade de lidar com viagens e períodos de concentração, mas se manteve no caminho. "Minha família é minha inspiração, principalmente minha mãe. São muitas viagens, é cansativo, sentia falta de casa, mas conversei bastante com ela e decidi manter o sonho vivo".

Em janeiro, ela passou por um período de treinamento no Brasil e possui ótima relação com as atletas brasileiras. "Somos como irmãs", disse. E se o sonho era ser campeã pan-americana, ela conseguiu. "Devo muito ao boxe. É meu primeiro ouro no Pan. Quando olho para trás, a única coisa que faço é agradecer por tudo que eu passei para chegar até aqui. Agora vejo essa medalha com uma alegria enorme", afirmou.

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