Rafal Burza/CBJ
Rafal Burza/CBJ

Conheça Larissa Pimenta, nova esperança do judô brasileiro para Tóquio

Atleta de 20 anos lidera ranking brasileiro na categoria meio-leve e tem boas chances de ir aos Jogos de Tóquio

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 15h12

Modalidade que mais deu medalhas para o Brasil na história dos Jogos Olímpicos com 22 conquistas, o judô vive um momento de renovação. Acostumado a ver no pódio feminino os nomes de Rafaela Silva e Mayra Aguiar, o judô precisa de novos nomes, pois Rafaela está suspensa por doping e vai recorrer ao CAS (Corte Arbitral do Esporte), última instância do direito desportivo mundial, para ir a Tóquio. No ano olímpico, uma das novas caras do esporte é Larissa Pimenta.

No ano passado, a atleta de 20 anos foi a brasileira que mais conquistou medalhas – nove ao todo. Entre os principais resultados estão a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, o título de duas etapas da Copa do Mundo, no Peru e no Chile, e o bronze nos Grand Prix da Turquia e da Geórgia, além de outra no Grand Slam de Baku, no Azerbaijão.

“O ano de 2019 foi o ano mais importante em termos de competições e resultados. Foi um ano de bastante evolução. Eu não esperava tudo isso”, diz a judoca que lidera o ranking brasileiro na categoria meio-leve (até 52kg).

Larissa já ganhou a primeira medalha da seleção brasileira feminina em 2020. Foi um bronze no Aberto de Odivelas, Portugal, no último final de semana. O torneio foi uma preparação para o Grand Slam de Paris, o primeiro do ano e oferece aos atletas a oportunidade de somarem mil pontos no Ranking Olímpico.

A definição das judocas que vão a Tóquio será em maio. Se fosse hoje, Larissa estaria dentro. “Tenho de fazer minha parte. Tenho um caminho bem grande. Antes, eu era uma novidade para as adversárias, mas agora eu sei que elas estão me estudando”, diz a menina de São Vicente (SP). “Eu me sinto feliz no tatame.

A atleta do Esporte Clube Pinheiros é uma das apostas da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). “Os favoritos serão sempre os favoritos. Isso acontece com todos os países. Mas vejo uma renovação. Teremos uma equipes mesclada com atletas jovens, intermediários e experientes. A Larissa Pimenta era junior e conquistou excelentes resultados em 2019. Temos o Daniel Cargnin, a Suellen (Maria Suellen Altheman) e a Bia (Beatriz Sousa) também com boas conquistas. A equipe vai chegar renovada”, promete Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da entidade.

Integrante da seleção desde as categorias de base, Larissa aposta na troca de experiências para garantir sua vaga. "A renovação é uma coisa natural. As mais velhas sempre me dão dicas dentro e fora do tatame. A gente se trata como igual", diz a judoca.

Larissa tinha oito anos quando começou a aprender os primeiros golpes na Escola Estadual Antonio Luiz Barreiros, no Japuí, em São Vicente. Foi influenciada pelos irmãos mais velhos, Geovany e Jenifer, que praticavam o esporte, mas não seguiram adiante.

Aos 14, Larissa virou atleta do Pinheiros e começou a ascender e conquistou, por exemplo, os Jogos Escolares de 2012, em João Pessoa (PB). O ano de 2016 também foi especial quando venceu o Troféu Brasil sênior e se tornou líder da seleção brasileira de base.

Mesmo tão jovem, Larissa se tornou exemplo em São Vicente. Uma camisa da seleção com seu autógrafo foi motivo de disputa entre as crianças em um sorteio realizado na escola onde começou. Além disso, ela é reconhecida quando caminha pelas ruas do bairro, afastado do centro. Para o futuro, ela pretende criar um projeto social para ensinar judô no lugar onde nasceu.  

ANÁLISE - "Acredito em três medalhas do judô brasileiro em Tóquio"​

Tiago Camilo - medalhista olímpico em Sidney 2000 e Pequim 2008. Hoje, diretor do Instituto Tiago Camilo

Desde os Jogos de 1984, disputados em Los Angeles, o Brasil tem a tradição de conquistar medalhas no judô. Isso deve ser dificultado nos Jogos de Tóquio pela evolução dos outros países. Todos cresceram muito. As categorias estão mais competitivas e as medalhas têm sido distribuídos de forma mais ampla. Mais países estão sendo contemplados. Isso demonstra uma descentralização dos resultados. 

No Brasil, os mais jovens têm chances de surpreender. Eu vejo o Daniel Cargnin um pouco mais à frente. Ele vem obtendo bons resultados. Na categoria até 81 kg, eu vejo o Eduardo Yudi, que também pode surpreender. Na categoria 90kg, o Rafael Macedo foi campeão mundial júnior. Na categoria dos 100kg e nos peso-pesados, temos vagas indefinidas: Buzzacarini e Leonardo e Davi e Baby (Rafael Silva). Resumidamente, o Brasil tem bons atletas, mas não vai ser fácil. Tem a questão da distância e do fuso horário, mas o Brasil pode surpreender. 

No feminino, temos atletas mais consagradas e com histórico mais consistente de resultados. Acredito que o feminino pode proporcionar as maiores conquistas. A Mayra Aguiar tem chances reais de medalha enquanto as outras também podem surpreender. Infelizmente, a Rafaela Silva teve o caso de doping e não sei como isso vai se desenrolar até lá. Temos a Larissa Pimenta na categoria até 52 kg, que apresenta grande potencial. No peso-pesado, nós temos a Beatriz Sousa e Maria Suellen Altheman com grandes chances de medalha também. 

Na minha avaliação, o Brasil sai dos Jogos Olímpicos de Tóquio com três medalhas. Acredito que serão duas no feminino e uma no masculino. Não sei as cores das medalhas nem as categorias, mas acho que conseguimos essas três medalhas, repetindo o desempenho dos Jogos do Rio.  

 

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