MARCIO RODRIGUES/MPIX/CBJ
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De olho em 2020, japonesa comanda time masculino do Brasil no Mundial de Judô

Yuko Fujii tenta fazer os brasileiros brilharem no Mundial no Azerbaijão e diz: ‘Vamos entrar na luta para vencer’

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 05h00

A pequenina Yuko Fujii vai comandar os gigantes brasileiros no Mundial de Judô em Baku, no Azerbaijão, que começa na quinta-feira. A japonesa chegou ao Brasil em 2013, depois de trabalhar com a seleção da Grã-Bretanha nos Jogos de Londres, e neste ano foi oficializada como técnica da seleção brasileira masculina. É a primeira vez que uma mulher assume o posto. Pesou o apoio dos atletas e a experiência que ela teve com todas as categorias.

Aos 36 anos, Yuko sabe que o desafio é grande. Maior ainda do que a mudança que fez em sua vida ao escolher o Brasil como novo lar. “Cheguei e comecei a trabalhar com todas as categorias, desde a juvenil até a adulta. Ganhei bastante experiência e agora virei técnica da seleção masculina. Já conheço todos os atletas e eles também conhecem o meu trabalho. Estou acostumada, não teve muita mudança”, conta.

Coincidentemente, ela foi convidada pela Federação Internacional de Judô para ministrar no Mundial uma palestra sobre igualdade de gênero. “Nunca pensei que iria ser a técnica principal da seleção masculina. Mas hoje a gente está em momento de mudança. Várias mulheres do judô brasileiro fazem sucesso na carreira e isso ajuda a mudar o pensamento das pessoas. A gente tem de saber como trabalhar em conjunto e como contribuir com o ponto forte de cada um”, explica.

Sua principal missão neste ano é ajudar o Brasil a ter um bom desempenho no Mundial de Baku. Para ela, a meta precisa ser alta. “Quero que todas as categorias ganhem medalha. Não estou preparando atletas para apenas competir, estou preparando para entrar na luta e vencer. É o nosso trabalho. Se tiverem essa performance, ficaria bem feliz”, diz a japonesa, que já fala bem o português com um sotaque carioca.

Os judocas querem mostrar no tatame os ensinamentos da técnica, mas é na categoria dos pesados que a aposta é mais alta, ainda mais por causa da ausência de Teddy Riner, que venceu as últimas oito edições do Mundial e será ausência nessa competição em Baku. Para David Moura, vice no ano passado, e Rafael Silva, medalha de bronze, o trono está vago.

“A ausência dele com certeza facilita o caminho de quem quer ser campeão mundial. Se eu conseguir repetir o feito do ano passado de chegar à final, ele não estando lá será qualquer outro cara (como adversário na disputa do ouro) e inevitavelmente alguém mais fácil de ganhar. Claro que mais fácil comparando ao Riner, porque não existe facilidade em um Mundial”, comenta David Moura.

O judoca francês tem um contrato de patrocínio com o Paris Saint-Germain até 2024. Ele pretende se aposentar na Olimpíada de Paris e resolveu diminuir o ritmo esse ano e dar um descanso para o corpo. No planejamento, está a disputa do Mundial no ano que vem e da Olimpíada de Tóquio, em 2020.

“Por outro lado, sempre gostei muito de treinar para ganhar do Riner, sempre gostei dessa ideia. Ano passado fui para o Mundial pensando em fazer a final com ele e ganhar. Fiz uma ótima final, mas perdi. Ele é o cara a ser batido, então tira um pouco o brilho da competição. De qualquer forma, ser campeão mundial é sensacional, então é isso que vou buscar”, continua David Moura.

Rafael Silva, que também disputa a categoria dos pesados, concorda com seu companheiro. “Acho ruim o Riner não participar. Seria interessante que ele lutasse, pois provavelmente estará em Tóquio. Além do mais, é um adversário que é referência na categoria, ou seja, todo mundo procura ganhar dele desde 2010. Por isso seria de extrema importância ele estar no páreo”, diz.

 

 

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Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 05h00

Após os Jogos Olímpicos do Rio, as confederações esportivas tiveram de apertar os cintos e se virar com menos recursos. Até a CBJ (Confederação Brasileira de Judô), que mesmo sendo a segunda que mais recebe recursos da Lei Agnelo/Piva, atrás da de vôlei, e ainda conta com patrocinadores de grande porte, precisou diminuir gastos.

“Houve uma redução dos recursos e o judô sofre com a mesma situação das demais confederações. Mas, dentro daquilo que a gente planejou, já prevíamos que haveria uma queda. A gente só não imaginava que a queda fosse tão grande”, explica Ney Wilson, gestor de alto rendimento da CBJ.

Para o Mundial em Baku, a entidade optou por reduzir o tempo de permanência dos atletas no Azerbaijão. “A gente vai para o Mundial escalonado. São oito dias de competição. Levando-se em conta que um atleta precisa chegar lá um dia antes e sair um dia depois, se todos ficassem lá o tempo todo teríamos de pagar dez dias de hospedagem e alimentação. No entanto, o que estamos fazendo: o atleta termina de lutar e no dia seguinte vem embora. Só vai permanecer em Baku quem for lutar na competição por equipes.”

Ele avisa que essa atitude dá uma economia que gera receita para outra viagem de competição depois. Para o dirigente, o maior problema é a alta do dólar, porque tudo é pago na moeda estrangeira, seja estadia, alimentação ou passagem aérea. “Mesmo a gente mantendo o orçamento, já perdemos em torno de 20% no câmbio. Mas a gente tem tomado medidas que não prejudicam em nada o ranqueamento olímpico dos judocas”, diz.

Ney Wilson lembra que essas medidas foram passadas aos atletas e eles estão cientes dos cortes de gastos. “Não vai ter nenhum tipo de prejuízo para eles. O que for essencial vai estar lá com eles, como médico, nutricionista e outros profissionais. Estamos enxugando e reestruturando”, afirma o dirigente, que preferiu não colocar uma meta de medalhas na participação brasileira no Mundial.

“Ainda é cedo para estabelecer metas porque alguns atletas estão estreando em Mundiais, são jovens. Isso não é só Brasil. A França vai com equipe bem renovada. A partir desse Mundial, vamos ter uma visão melhor para poder estabelecer essas metas. O que a gente pode dizer é que a equipe está muito bem preparada.”

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