Amanda Perobelli/Estadão
Em nove anos, Rose Volante passou de iniciante no boxe a postulante ao título Mundial Amanda Perobelli/Estadão

Esperança do boxe brasileiro, Rose Volante vai da dieta ao cinturão mundial

Há nove anos, a pugilista começou a praticar a modalidade para perder peso; no próximo dia 22, ela disputa o título

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2017 | 07h00

Rose Volante começou no boxe aos 26 anos, no Clube Escola, em Pirituba, zona oeste de São Paulo, com a intenção apenas de perder um quilinhos. “Não gostava dos exercícios de academia, por isso escolhi o boxe”, revelou a paulistana. Em um ano, o objetivo estava alcançado: a balança marcava 65 quilos, 40 a menos do que no início dos treinamentos.

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Descobriu-se nos ringues. Aos 35 anos, após carreira de sucesso no amadorismo, “Queen Rose” pode agora se sagrar a primeira brasileira a ganhar um cinturão mundial das quatro entidades que comandam o boxe no mundo.

O desafio será em San Salvador de Jujuy, na Argentina, diante de Brenda Karen Carvajal, de 26 anos, no próximo dia 22. Em jogo, o cinturão peso leve (61,3 quilos) da Organização Mundial de Boxe. A brasileira é segunda colocada no ranking do Conselho Mundial de Boxe, mas não pensou duas vezes para aceitar o confronto. “Eu estava treinando, mas não esperava essa chance. Não tem problema. Estou no peso, sem lesões e pronta para agarrar essa oportunidade única”, disse a pugilista que há dois meses mora em Santos, onde treina na academia do técnico Felipe Moledas.

Rose tem o amparo da empresa Memorial, que dá toda a estrutura para os treinos diários em dois períodos. Psicóloga e fisioterapeuta fazem parte do estafe da pugilista. “A Rose tem cabeça muito boa. É dedicada, determinada e inteligente”, diz Moledas, referindo-se à lutadora, que abandonou os estudos na faculdade de Direito no quarto ano. “Vou terminar o curso, mas antes quero ganhar o título mundial.”

Rose está invicta no profissional, com 11 vitórias (seis por nocaute). Tetracampeã dos Jogos Abertos do Interior e do Campeonato Paulista, três vezes campeã brasileira, campeã sul-americana no Chile, prata no Pan-Americano do Canadá, sétima no Mundial da China, campeã em um torneio europeu na França e reserva de Adriana Araújo nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, a brasileira não se incomoda com o duelo na “casa” da adversária. “Estou bastante ansiosa para que a luta aconteça logo. Eu me sinto muito confiante, forte e preparada para fazer a melhor luta da minha vida”, diz.

Independentemente do resultado na Argentina, Rose Volante poderá ter uma segunda oportunidade diante de Carvajal. “Se a luta for equilibrada, está no contrato que a vencedora dará uma revanche no Brasil”, contou Moledas ao Estado.

E Rose garante que sabe todos os caminhos para alcançar a vitória. “Estudamos muito o estilo dela com a ajuda de vídeos. Ela gosta de boxear, então preciso quebrar este ritmo com muita ação no ataque. Precisarei imprimir um ritmo forte durante todo o tempo dos rounds.”

Quanto ao próprio estilo, Rose prefere não revelar o que mais gosta de fazer em cima do ringue. “Não tenho um golpe ou uma sequência preferida quando luto. Vou ser agressiva desde o início. O golpe que entrar, entrou. E vai causar problemas para a minha adversária.”

Moledas está confiante na pupila. “A Rose sabe aplicar bem todos os golpes. Ela é calma, focada. Essa característica pode ser favorável. É muito provável que a argentina sinta mais a responsabilidade por lutar em casa”, disse ele, que viaja junto com sua lutadora nesta terça-feira.

INSPIRAÇÃO

Os 35 anos de idade não são um problema, segundo Rose. Pelo contrário. Ela tem como inspiração Alicia Ashley, de 50 anos, que ainda está na ativa. Moradora no bairro do Brooklyn, em Nova York, a jamaicana foi campeã mundial cinco vezes (supergalo e pena). “A idade é só um número. O importante é se exercitar corretamente, se preservar e estar com a cabeça boa. Eu me sinto no melhor da forma e acho que posso melhorar”, diz.

Em época de férias da maioria das modalidades esportivas, Rose Volante terá a torcida de todos os brasileiros para colocar seu nome na história do boxe nacional. “Acho que meu Natal vai ser diferente.”

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