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'Eu vivo a minha vida, sigo meus sonhos e sou gay. Isso é natural', diz Amanda Nunes

Primeira mulher a conquistar dois cinturões do UFC vem quebrando barreiras no esporte e na vida

Entrevista com

Amanda Nunes, lutadora do UFC

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 04h32

Amanda Nunes vem quebrando barreiras no esporte e na vida. Primeira mulher a conquistar dois cinturões do UFC, ela diz que cada vez mais as pessoas se sentem à vontade para falar sobre a representatividade LGBT no MMA. Apesar disso, a campeã garante que nunca tentou associar sua orientação sexual com a carreira profissional dentro do octógono.

"Cada vez mais as pessoas se sentem à vontade para se posicionar. O importante é você viver feliz, do jeito que você é. Para mim, sempre foi muito natural, nunca tentei associar isso à minha carreira. Eu vivo a minha vida, sigo meus sonhos e sou gay. Isso é natural. E se todo mundo encarar dessa forma, as coisas serão bem mais fáceis no futuro", acredita.

A brasileira defende o seu cinturão da categoria peso galo neste sábado, dia 14, contra Germaine de Randamie no cobiçado card do UFC 245. Nesta entrevista, ela comenta sobre a revanche, os seus planos para o próximo ano e a motivação para continuar treinando e lutando depois de conquistar os seus principais objetivos na categoria.

Depois de conquistar dois cinturões e se estabelecer como uma das maiores atletas de todos os tempos, o que a revanche com a Germaine tem a acrescentar?

Quero continuar defendendo meus títulos. Já venci os maiores nomes do MMA feminino e quero continuar fazendo o meu trabalho. Essa é uma luta muito importante para a minha carreira.

Como você vê a evolução da Germaine desde o primeiro combate entre vocês?

A Germaine evoluiu bastante. Ela melhorou muito a defesa de quedas da nossa primeira luta para cá. Acho que a luta pode tomar rumos diferentes. Pode ser que eu use meu wrestling e meu jiu-jítsu ou aproveite meu jogo em pé. O principal objetivo é manter a tranquilidade e esperar o momento certo para garantir a vitória.

Você está em um card cobiçado, repleto de grandes nomes. Como é fazer parte de um evento desse tamanho?

Sempre amei fazer parte de cards desse tipo, os últimos que participei foram todos assim. Já estou acostumada a lutar com outras estrelas e, com certeza, a bandeira do Brasil vai brilhar neste evento. O cinturão volta para casa comigo. Estou muito ansiosa para essa luta. Mesmo tendo outros dois cinturões em jogo - essa é uma das mais esperadas do evento. E posso garantir que a bandeira do Brasil vai brilhar.

É importante para você também defender o título peso-pena...

Para mim, é importante defender o cinturão peso-pena sim. Eu o conquistei, então quero continuar trabalhando e ter a oportunidade de defendê-lo. 

Após as conquistas, já pensa nos próximos passos da carreira?

Continuar trabalhando, defendendo meus títulos e lutando. Esse é o meu foco para os próximos anos.

Depois de já ter alcançado objetivos, o que mantém sua motivação?

Acordar de manhã e ver meu cinturão em casa todos os dias.

Você pode se tornar a primeira a defender dois cinturões. Acredita que pode mantê-los?

A vida do lutador nunca para. Você conquista um cinturão e precisa defendê-lo, precisa defender o seu trabalho. Eu não sei do futuro, mas sei que estou em um caminho muito importante e gratificante. Estou bem, então vamos continuar caminhando em frente. E sobre um terceiro cinturão, vamos ver o que a vida vai oferecer para a gente. 

Como você vê a representatividade LGBT no MMA hoje?

Acho que cada vez mais as pessoas se sentem à vontade para falar do assunto, se posicionar sobre ele. O importante é você viver feliz, do jeito que você é. Para mim, sempre foi muito natural, nunca tentei associar isso com a minha carreira. Eu vivo a minha vida, sigo meus sonhos e sou gay. Isso é natural. E se todo mundo encarar dessa forma, as coisas serão bem mais fáceis no futuro.

Acredita que existe chance de uma revanche com a Cris Cyborg em evento UFC x Bellator?

Se a Cyborg ainda estivesse no UFC, poderia conversar sobre isso. Mas ela está em outra organização no momento, então não há chance. Eu com certeza lutaria outras vezes com ela.

O MMA feminino cresce. Como você vê esse momento?

As meninas estão evoluindo bastante. É uma questão de tempo. Sou campeã de duas categorias e em breve teremos brasileiras campeãs de outras categorias. É só aguardarmos um pouco. 

O que você pensa quando dizem que é arrogância se considerar a melhor do mundo?

Eu conquistei o auge da minha carreira, sou a melhor do mundo em duas divisões. Estou no topo. Eu vou falar o quê? Trabalhei para ser a melhor do mundo e hoje estou aqui porque sou melhor do que as outras. 

Essa vai ser a sua segunda luta em 2019. Planeja fazer mais lutas em 2020?

Duas lutas por ano é um bom número. Minha vida foi muito corrida nos últimos anos e sou muito grata e feliz por isso, mas quero aproveitar mais a vida. Poder desfrutar tudo o que conquistei ao lado das pessoas que amo, meus amigos, meus fãs. Eu gostaria de fazer uma ou duas lutas no ano que vem.

Pretende comandar algum evento do UFC no Brasil?

Se o UFC me oferecer, ficarei muito feliz de voltar a lutar em casa.

 

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