Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Filha serve de amuleto para Charles do Bronx emendar a 7ª vitória seguida no UFC

Recordista de finalizações na história da franquia, brasileiro enfrenta o norte-americano Kevin Lee neste sábado em Brasília

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 14h00

Charles do Bronx, recordista de finalizações na história do UFC, vive o auge da sua carreira. Com seis vitórias consecutivas em seu cartel, o lutador será a atração principal do UFC Brasília, neste sábado (14), quando enfrenta o norte-americano Kevin Lee pela categoria peso-leve. Para garantir mais um triunfo e ficar próximo do desejado cinturão da organização, ele afirma ter um "amuleto da sorte": sua filha Tayla, de dois anos.

Ela, que acompanha diariamente os treinos do pai e marcou presença em outros eventos do UFC, estará presente em Brasília e deve acompanhar o público presente no Ginásio Nilson Nelson com os típicos gritos de "uh, vai morrer!". "Ela vai nos treinamentos comigo, imita os meus gestos, canta com a torcida e questiona: 'quando eu for lutar, você também vai gritar para mim?'", conta Charles em entrevista ao Estado.

Com apenas dois anos, Tayla já simula alguns golpes no tatame e afirma que deseja ser lutadora, assim como o pai. "Quando levo os garotos para treinar eu já sofro, imagina ver a sua filha? Mas é como eu falo para a minha família, vamos esperar para ver se ela realmente vai querer. A minha mãe também não queria que eu lutasse e eu virei lutador, então deixo acontecer", explica o atleta do Guarujá, litoral de São Paulo, sem esconder que, apesar do receio, tem orgulho de ver a filha seguindo os mesmos passos.

Quando Charles não está treinando, aproveita o seu tempo livre para andar a cavalo com Tayla, esse é o passatempo preferido dos dois. "Nós gostamos das mesmas coisas. Vejo ela todos os dias. É a minha companheira", conta o lutador, que divide as suas atenções entre o trabalho e a família. "Todos os dias eu estou em São Paulo treinando no período da manhã. Depois volto para o Guarujá e faço preparação física e musculação. Quando posso descansar estou com a minha filha. É sempre bom estar com ela, me incentiva mais", complementa.

Com 13 finalizações no UFC e a sequência de seis vitórias, Charles está atraindo os holofotes e conquistando, aos poucos, os seus desejos no Ultimate. Há um ano, ele vem pedindo para encarar um lutador bem ranqueado na divisão dos leves e o presidente Dana White resolveu atender o seu pedido em Brasília. Ele está na 13ª posição da sua categoria e enfrenta Kelin Lee, o oitavo. "Chegou o meu momento", diz Charles.

"Foram seis vitórias seguidas em uma categoria muito difícil e eu comecei a falar um pouco mais, não só fazer dentro do octógono. Acredito que chegou o meu momento. Essa luta contra o Kevin Lee eu tinha pedido antes e ele não aceitou. Agora chegou a hora. É agora", afirma o brasileiro, confiante.

Charles também diz que os fãs podem "esperar uma guerra" no octógono. "Eu não vou perder essa luta. Estou treinando e me dedicando, podem ter certeza que vai ser um bom show e, quando eu ganhar, vou pedir mais três nomes", afirma ele, mantendo mistério sobre quem serão os seus próximos alvos.

Uma possível vitória, é claro, será dedicada a sua filha. "Tenho ainda mais vontade de vencer quando ela está por perto. Eu fico contente de vê-la gritando e torcendo. Tenho certeza que vou dar mais uma alegria para ela", diz.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Fim de semana com o meu papai @charlesdobronxs no sítio, com os nossos cavalinhos ❤️

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TRÊS PERGUNTAS PARA... 

Você diz que começou a "falar mais fora do octógono". Pretende adotar o estilo "falastrão"?

Ser falastrão não é muito o meu estilo. Eu gosto de vender a luta dentro do octógono. Mas você falar, criticar, pedir lutas... É isso que o UFC quer. Acho que essa minha luta (contra o Kevin Lee) vai acontecer porque aqui em São Paulo eu pedi o Conor McGregor e chamei outros caras. Falei o que eu queria. Claro que eu nunca vou mudar o meu jeito de ser, continuar sendo humilde, mas quero falar um pouco mais.

Como projeta o seu caminho até o cinturão caso vença em Brasília?

Depois do Kevin Lee eu tenho certeza que eles vão me dar um cara bem mais ranqueado. Talvez um top-5 ou top-3 da categoria. Se eu vencer outra luta vou disputar o cinturão e em 2020 e ser campeão do UFC. Tudo está acontecendo como planejei, será uma luta no começo no ano, outra no meio e uma no final.

Para você, quem é o atual "cara do UFC"?

Vou falar da categoria que eu estou. O Khabib (Nurmagomedov) é um cara que vem evoluindo cada vez mais, está invicto, eu não tenho o que falar dele. Merece todo o meu respeito. Se for para admirar alguém, eu admiro o Khabib.

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