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Filme conta a rivalidade de Reginaldo 'Holyfield' e Luciano 'Todo Duro' no boxe

Documentário 'A Luta do Século' estreia no dia 15 de março e conta a saga dos dois pugilistas brasileiros

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 00h00

Vinte e anos se passaram desde o primeiro confronto do baiano Reginaldo “Holyfield” e do pernambucano Luciano “Todo Duro” e outros três anos desde a última luta entre os dois, mas a rivalidade permanece viva. A história e a preparação desse último embate estão no documentário “A Luta do Século”. O filme foi rodado em 2015 e ganhou o prêmio de melhor documentário no Festival do Rio de Janeiro de 2016, mas apenas no próximo dia 15 de março será lançado no circuito comercial.

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“Fica esperto e não fica no meio, se não você pode acabar perdendo uns dentes que nem o jornalista da Globo”, avisa Todo Duro ao repórter do Estado durante a entrevista, referindo-se ao episódio em que os dois brigaram durante participação ao vivo no programa “Bom Dia Pernambuco”. Os dois constantemente trocam provocações: enquanto o pernambucano diz ter ficado com a mulher do rival, o baiano nega, dizendo que já era uma ex e o chama de "miserável". Ambos dizem que ainda gostariam de lutar mais uma vez, mesmo com a idade já avançada.

O episódio em que brigaram na TV aberta não foi isolado. Diversas vezes, os boxeadores se engalfinharam fora do ringue, ao vivo. “Todo Duro é muito abusado, enquanto Holyfield não leva desaforo para casa”, resume o diretor do filme, Sérgio Machado. Além das provocações, o embate entre os dois conta com tudo que boas rivalidades têm: lutas polêmicas, acusações e um grande equilíbrio. Isso sem falar da latente rivalidade entre os estados de onde cada um se origina.

Apesar de tudo, os lutadores têm origens parecidas. Todo Duro era jardineiro em Recife antes de ser boxeador, enquanto Holyfield era estivador no porto de Salvador. Ambos eram analfabetos e saíram da miséria graças ao esporte. “Procurei fazer um retrato do Brasil no filme. De dois homens que, apesar de todo o talento, de tudo o que alcançaram, de terem chegado quase ao topo, acabaram voltando para o lugar onde estavam”, afirma o cineasta.

Segundo Sérgio, o documentário não foi pensado como tal. Começou com a ideia de ser um filme ficcional, em que Lázaro Ramos representaria o baiano e Wagner Moura, o pernambucano (ideia que ainda não foi totalmente descartada). O projeto se tornou um documentário para acompanhar o cotidiano dos dois, já no ocaso em suas cidades natais, e, por coincidência, acabou mostrando a sétima luta entre os dois.

Até então, eram três vitórias para cada lado. Todo Duro venceu em Recife, em 1996 e em 2001, e em Salvador em 2002. Holyfield levou as lutas em Salvador em 1998, 1999 e em Barreiras-BA, em 2004. Várias tiveram resultados contestados: na primeira, até a imprensa de Pernambuco considerou que o empate seria mais justo; na segunda, Todo Duro diz não ter se sentido seguro devido ao público soteropolitano atirar objetos e ter deixado que o adversário vencesse; na quinta, Holyfield acredita que a equipe do rival lhe deu uma água batizada, fazendo com que fosse derrotado.

No auge, os dois chegaram a mirar uma carreira internacional, nenhuma delas decolou, e tiveram embates transmitidos em rede nacional na voz marcante de Luciano do Valle, narrador falecido em 2014. Pouco tempo depois, porém, decaíram no boxe e passaram por problemas fora do ringue que os obrigaram a parar, realizando apenas lutas de apresentação casualmente. Por fim, voltaram para as periferias das capitais de seus estados.

A sétima e última luta foi organizada quando o amigo dos dois, Raimundo "Ravengar” saiu da cadeia em liberdade condicional e sugeriu que lutassem para melhorar a situação financeira - já na última semana de gravações. Aceitaram mesmo após uma pequena relutância de Holyfield, que acreditava que poderia conflitar com as regras da igreja evangélica que frequenta. Após convencerem o baiano, começou a preparação para a luta que ocorreu em Recife, em dezembro de 2015.

O filme, por sua vez, passou por dificuldades. O dinheiro do orçamento já tinha acabado e o diretor teve que improvisar. “Pegamos imagens de diversas câmeras na preparação e na luta, pedimos para amigos”, conta Sérgio, que, por ter se tornado amigo dos dois, não gostou de assistir ao combate. O diretor conta estar satisfeito com o resultado final, assim como os boxeadores. “É um filme que conta uma história do Nordeste, de Bahia contra Pernambuco, rivalidade que existe no futebol e também no boxe”, afirma Holyfield.

Depois de discutirem se Salvador ou Recife trariam mais bilheteria para o filme, ambos deixam suas mensagens finais. “Vão ver o filme, porque vocês vão gostar, e vão ver que eu dei muita porrada nele”, diz Holyfield. Já Todo Duro vai por outro caminho. “Pode vir baiano, paulistano, carioca que eu bato em todo mundo ainda”, provoca o pernambucano.

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