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Daniel Teixeira/Estadão
Glover Teixeira, lutador de MMA, participa de evento do UFC Daniel Teixeira/Estadão

'MIKE TYSON MINEIRO', GLOVER TEIXEIRA DÁ DURO PARA IR AO TRONO

Lutador do UFC sobe ao octógono em 7 de novembro, em São Paulo, no primeiro ato para voltar à disputa do cinturão dos meio-pesados

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 17h04

O lutador brasileiro do UFC Glover Teixeira vai entrar no octógono do ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, no dia 7 de novembro, como favorito na luta contra o norte-americano Patrick Cummins. Mas quem vê o atleta de MMA (artes marciais mistas, da sigla em inglês) entre os melhores da categoria meio-pesado, com chances de tentar mais uma vez o cinturão da categoria, mal sabe as dificuldades que ele já passou para realizar o sonho de ser como o pugilista Mike Tyson.

“Eu ficava até a madrugada assistindo às lutas de Mike Tyson, era fã, ficava observando o jeito dele bater e no dia seguinte eu ‘descascava’ a bananeira na mão. E depois via filmes de lutas e quebrava as bananeiras com a canela. Era tudo como brincadeira, pois via ele batendo no saco de areia, ficava entusiasmado com isso e repetia no tronco”, conta Glover, mineiro da cidade de Sobrália. “A gente pegava lata de leite, punha cabo de vassoura e fazia um peso para treinar. Não tinha academia na minha cidade.”

O passatempo de criança foi o combustível para ele tentar a sorte no exterior. Decidiu ir para os Estados Unidos, para juntar dinheiro, e já chegou lá devendo US$ 10 mil, que ele levou dez anos para pagar com seu trabalho de jardinagem. “Cortava e plantava árvores nos quintais das mansões”, lembra.

Uma coincidência do destino colocou Glover pela primeira vez em um ringue. Um amigo inscreveu o rapaz para uma competição de queda de braço. “Só que chegando lá, a gente percebeu que era para lutar boxe. Podia ser qualquer um, punha capacete, luva de 18 onças e saía na porrada. Eram três rounds de um minuto. Foi a primeira luta da minha vida. Tinha cinco mil pessoas, veio a adrenalina e ganhei”, revela.

Depois ganhou outro combate e perdeu o seguinte, tudo no mesmo dia. “As duas primeiras lutas foram contra fortões, mas que não sabiam brigar. A última foi contra um cara que conhecia o boxe e perdi na decisão. No outro dia entrei para uma academia de boxe.”

Entre os trabalhos para levantar dinheiro e as horas em academias, Glover descobriu outra modalidade ao assistir aos vídeos de Royce Gracie. “Aí decidi aprender jiu-jítsu, mas sempre tentei treinar de tudo um pouco”, explica o lutador, que ficou invicto no MMA de 2006 a 2014, com 20 vitórias consecutivas. A invencibilidade caiu diante de Jon Jones, pelo cinturão da categoria. Na luta seguinte, perdeu para Phil Davis e desperdiçou a chance de ir atrás do título novamente.

ORIGENS

O nome do lutador veio da família. “Minha avó tinha um primo que chamava Glover, não sei se era nome ou sobrenome. Meu pai gostou e me batizou assim”, diz. Ele fala que sua família não gostou muito quando ele decidiu pelo esporte de combate. “Mãe nenhuma quer ver o filho lutar. Comecei com 22 anos e o Vitor Belfort já tinha sido campeão com 19. Achavam que era tarde, que era perigoso.”

Mas a persistência colocou Glover entre os melhores lutadores de sua categoria, com chances reais de brigar pelo cinturão. Para enfrentar Cummins, ele está pouco acima do peso e garante que vai estar em boa forma para a luta. “Estou com 100 kg, já estou no peso. Quero ganhar, e ganhar bonito. Vou buscar o nocaute.”

A balança só não é um adversário porque Glover vive longe de sua terra. “Gosto muito de comida mineira, mas não é um problema porque minha mulher é americana e não sabe fazer frango com quiabo, ou feijão tropeiro. É tranquilo. Mas se estiver em Sobrália, aí é problema. Só vou para lá depois da luta”, brinca Glover, que sonha voltar para Sobrália como um campeão do UFC. “Tudo que eu fiz já valeu a pena.”

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Longe de se aposentar, Belfort busca melhores condições no UFC

Veterano brasileiro diz que nova padronização dos uniformes tem falhas e negocia mudanças com dirigentes para melhorar situação

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 17h04

Aos 38 anos, Vitor Belfort não cogita uma aposentadoria no UFC. Pelo contrário, ele batalha todo dia para melhorar as condições de trabalho dos atletas e abre negociações com a entidade para tentar reverter situações que ele julga prejudiciais aos atletas. A principal delas é o novo modelo dos uniformes, que padroniza a vestimenta dos lutadores, mas por outro lado afugenta patrocinadores das camisas.

“Esse modelo que foi colocado para os uniformes não partiu de conversas com os atletas, porque ninguém ficou feliz, desde quem ganhava muito até quem ganhava pouco. Os patrocinadores pagavam minha conta, meus treinamentos”, reclama Belfort.

Ele entende que a padronização se fazia necessária, até porque cada atleta tinha um tipo de marca estampada nas roupas. “Vários lutadores tinham patrocínios com layout feio, apoios de camisinhas, mas o ideal seria o modelo da ATP, pois o tenista pode usar seu tênis, seu uniforme. Poderiam padronizar tamanho, local nos uniformes, algo assim. Queria colocar meu banco, a Sky, as empresas que estão comigo. Ainda acho que a gente vai reverter essa história, pois eu gasto um dinheiro grande com treinamento.”

As novas vestimentas são produzidas pela Reebok e os lutadores passam a receber um valor fixo, de acordo com sua importância no UFC, além de participações nas vendas de seus produtos. De acordo com a tabela de valores, os atletas vão receber pela quantidade de combates no UFC. O valor começa em US$ 2,5 mil para até cinco lutas, aumentam progressivamente, e chegam a US$ 40 mil para os donos de cinturões.

“Fui muito criticado minha vida inteira por ser visionário. Desde pequeno sempre pensei que tinha de ser esporte, não só entretenimento. Somos mais de 300 lutadores no UFC, cada um é uma empresa lutando por um salário maior. Nem todo mundo vai ganhar igual. O UFC tenta fazer algo justo para todo mundo, mas não concordo que se invista mais dinheiro em algumas pessoas, pois isso ajuda a alavancar o negócio delas fora do octógono”, diz Belfort.

Ele cita como exemplo a lutadora Ronda Rousey, que é a atleta mais bem paga da organização. “Se colocar muito dinheiro na Ronda, é ela quem vai vender mais coisas fora das lutas”, diz. Ele também fica na bronca com a postura de Conor McGregor, o irlandês falastrão que vai enfrentar o brasileiro José Aldo em dezembro pelo cinturão dos penas.

“Imagina se todo mundo copiasse o McGregor, o menino em casa tivesse a mesma atitude com o pai e a mãe. Há pouco tempo, as pessoas tinham aversão ao MMA. Então precisamos ter cuidado, temos de olhar para a ética e a moral. O UFC é família, é visto por crianças, pelos pais, pela vovó. Eu entendo que tem de ter o vilão, mas também tem de ter o mocinho, e não estou vendo o UFC investir nele.”

Além de buscar melhores condições, Belfort mantém o foco na próxima luta, contra Dan Henderson, no dia 7 de novembro, em São Paulo, no ginásio do Ibirapuera. Na última vez entre eles, o brasileiro nocauteou e tentará novamente vencer para ir em busca do cinturão dos médios.

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'A gente tem de sonhar grande nos eventos do UFC no Brasil'

Dirigente fala dos planos no País e quer grandes edições em 2016

Entrevista com

Giovani Decker

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 17h03

Giovani Decker foi anunciado como presidente do UFC Brasil em março, e desde então trabalha para levar o MMA a um novo patamar. Ele estreitou o laço com os atletas e acha que é melhor fazer poucos eventos no ano, mas com grandes nomes no card. O próximo será em 7 de novembro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Para ele, será o melhor evento na cidade.

O Brasil continua sendo uma prioridade para o UFC?

Estamos entregando eventos sensacionais desde que começamos a trabalhar, como o da Ronda e esse agora em São Paulo. Desde o card e a estrutura até os números do evento são muito bons. Fizemos investimento, ativação, trabalhamos o marketing, e acho que esse evento no Ibirapuera vai surpreender positivamente os fãs por causa da estrutura que será montada. Será o melhor evento em São Paulo da história e arrisco a dizer que será o melhor Fight Night do UFC no ano. O card está sensacional, será um sucesso.

Qual a expectativa do UFC no País para o próximo ano?

Não batemos o martelo ainda, mas teremos em torno de quatro ou cinco eventos. A ideia é fazer menos eventos e coisas maiores.

A Olimpíada no Brasil no próximo ano prejudica a realização de eventos?

Atrapalha um pouco porque os patrocinadores estão mais focados nos Jogos Olímpicos. Mas mesmo com a crise dá para a gente fazer um trabalho diferenciado, porque o UFC é diferenciado.

Sempre existiu a intenção de fazer um evento em estádio no Brasil. As arenas ficaram prontas e até agora não ocorreu. Quando isso vai sair do papel?

Continuamos com o sonho, estamos estudando, temos várias ideias e assim que tivermos algo mais concreto vamos anunciar.

Se você tivesse carta branca para fazer o card que fosse, qual seria?

Queria Aldo x McGregor como evento principal, Weidman x Jacaré como segunda luta e no card teria Werdum, Rafael dos Anjos, Claudia Gadelha, Thominhas Almeida x Dillashaw. E seria no Maracanã. A gente tem de sonhar grande.

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