Teddy Blackburn / Reuters
Teddy Blackburn / Reuters

Há 20 anos, Popó entrou para o hall dos ídolos do esporte nacional

No dia 7 de agosto de 1999, boxeador derrotou o russo Anatoly Alexandrov e conquistou o título mundial dos superpenas da Organização Mundial de Boxe (OMB)

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 04h32

Há 20 anos, o boxeador Acelino Popó Freitas precisou de cinco golpes para acabar com a fome da família, superar o trauma de ver o pai alcoólatra, a necessidade de retirar a mãe do trabalho de faxineira, comprar uma casa e nocautear o russo Anatoly Alexandrov de forma relâmpago a 1min41 do primeiro assalto, em Le Cannet, na França. O triunfo garantiu a conquista do título mundial dos superpenas (até 57,153 gramas) da Organização Mundial de Boxe (OMB).

A saraivada de golpes, que fez o adversário deixar o ringue em uma maca, respirando com ajuda de aparelhos, e o triunfo impressionante logo no primeiro assalto tornou Popó um ídolo nacional, ao lado de Guga e Ronaldo Fenômeno. Detalhe: os três nasceram em setembro, mas o pugilista é de 1975, enquanto os outros dois grandes nomes do esporte nacional são nascidos em 1976.

Com 23 anos e um cartel invicto de 21 vitórias, todas por nocaute, Popó se tornava o terceiro campeão mundial de boxe brasileiro, juntando-se a Eder Jofre (galos de 1960 a 1965 e penas de 1973 a 1974) e Miguel de Oliveira (médios-ligeiros em 1975). 

Suas lutas proporcionavam altos índices de audiência. O que causou uma disputa entre as emissoras nacionais. A TV Globo, que comprou boa parte dos direitos de transmissão, exibia uma série de patrocinadores nos eventos. Sua primeira defesa de título, no Estádio da Fonte Nova, em Salvador, levou mais de 40 mil pessoas. E Popó não decepcionou seus fãs, ao vencer por nocaute no segundo assalto o nicaraguense Anthony Martinez.

Com um estilo agressivo, violento, preciso e avassalador, seu reinado duraria quatro anos, com dez defesas vitoriosas de cinturão. Para muitos, a maior atuação foi diante do cubano Joel Casamayor, em Las Vegas, com uma vitória emocionante, após 12 eletrizantes rounds, que lhe valeu também o cinturão da Asscoaição Mundial de Boxe.

Outros podem apontar a vitória sensacional em Miami sobre o argentino Jorge “La Hiena” Barrios, em 2003 . Com direito a queda do brasileiro e nocaute impressionante aos 50 segundos do 12º e último round. O duelo estava empatado na papeletas dos jurados. A OMB chegou a fazer um troféu “Popó”para ser entregue ao pugilista campeão que conseguisse ficar tanto tempo com o seu cinturão. 

 

A trajetória vencedora prosseguiu também nos pesos leves até 2004. , quando veio o terceiro cinturão, frente ao usbeque Artur Grigorian. A primeira derrota aconteceu após 35 vitórias consecutivas. Foi diante do saudoso Diego Corrales, por nocaute técnico, no décimo assalto. Popó ainda recuperaria o título mundial dos leves em 2006, ao bater Zahir Raheem e se sagrar tetracampeão, mas perderia na primeira defesa no ano seguinte para Juan Diaz. 

Fez mais três lutas (2012, 2015 e 2017), como exibição, mas Popó já tinha deixado seu legado. Dan Rafael, repórter da ESPN e um dos mais respeitados críticos de boxe do mundo, é fã do brasileiro. “Popó tinha um poder de ataque impressionante. Um dos meus preferidos lutadores. Um dos melhores de todos os tempos.”

Tanta admiração internacional deve proporcionar a Popó a indicação para o Hall da Fama do Boxe, que fica em Canastota, Estados Unidos, no ano que vem. Aliás, a América do Norte deve ser o destino do ídolo brasileiro ano que vem. Em busca de “segurança, qualidade de vida e trabalho”, o ex-campeão pretende abrir uma academia em Miami.

Mas a saída do Brasil não significa tristeza pela falta de reconhecimento de suas conquistas. “Quem é fã do boxe sabe da minha importância.” Isso Popó pode ter certeza. 

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