Divulgação/ UFC
Divulgação/ UFC

Johnny Walker: da lambaeróbica para o octógono do UFC

Promessa do Brasil, atleta ganha espaço pela irreverência e também por ter recebido três prêmios seguidos de melhor luta na principal competição de MMA

João Prata, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2019 | 04h30

Johnny Walker de Souza, 26 anos, nasceu em Belford Roxo, na Região Metropolitana do Rio, e começou a lutar por acaso, sem pretensões de um dia entrar no octógono do UFC, ficar conhecido por receber três prêmios consecutivos de melhor combate e machucar o ombro imitando uma minhoca na comemoração de mais um nocaute. A jornada entre o despertar para as artes marciais, a fama e a lesão foi curta. O percurso começou com aulas de lambaeróbica, seguiu superando golpes de empresários e, se tudo der certo, terminará no cinema em Hollywood.

Para entender a mais nova promessa brasileira do UFC é melhor ir do início. O nome de batismo, segundo ele, nada tem a ver com a empresa de bebidas. “Minha mãe se chama Joyce e meu pai, Walter. Eles procuraram nomes que fossem parecidos com o deles. Nada a ver com o uísque”, disse em entrevista por telefone ao Estado em meio a mudança de Las Vegas para a Tailândia.

O lutador está em fase final de recuperação de uma lesão no ombro e aguardará no país do sudeste asiático, onde agora se tornou sócio de uma academia, a definição da próxima luta - a expectativa é que retorne ao octógono em setembro. Mas isso ele vai contar adiante. 

A infância ele viveu em Rio das Ostras,, região rica em petróleo. Johnny vislumbrava se tornar um grande empresário do setor. Depois de terminar o Ensino Médio e fazer bico como soldador em plataforma de petróleo, iniciou estudos em engenharia química. "Sempre me preparei para ser o melhor naquilo que faço."

AULA DE DANÇA

Tudo corria na mais perfeita ordem até que há seis, sete anos, Johnny notou que precisava ter mais gingado para dançar nos bailes da cidade. Foi até a academia mais próxima e se matriculou na aula de lambaaeróbica. “Queria ficar menos travado. Ter mais coordenação motora.” 

Ao lado da sala de dança havia aulas de muay thai. Johnny se interessou pela luta por causa do exercício físico. Quando foi ver já estava batendo em todo mundo da academia. O professor o encaminhou para o jiu-jitsu e ele começou a se ligar mais nos diferentes tipos de lutas.

O despertar para o UFC veio nesse período, em 2011, quando ele assistiu à vitória de Anderson Silva sobre Vitor Belfort, aquela do chute no queixo. Veio o estalo de onde gostaria de chegar e então passou a se dedicar ainda mais aos treinos. Ele seguiu derrubando os colegas de academia até que surgiu a oportunidade para treinar em Curitiba. Foi o primeiro golpe que levou dos empresários. "Cheguei lá e não tinha nada do que me prometeram", disse.

Veio outra proposta, para morar na Escócia. "Pensei que ia ficar de patrão na Europa, mas nada. Passava frio e fome. Ficamos lá sem o dinheiro que prometeram. Fazia um baita frio e eu não conseguia nem comprar um aquecedor. Só que comecei a bater em todo mundo e chamei a atenção."

ESTREIA NO UFC 

Em 2018, Johnny foi para a Inglaterra, disputou algumas lutas promocionais e conseguiu uma vaga no reality Dana White's Tuesday Night Contender. No programa, ele venceu Henrique da Silva por decisão unânime. A vitória valeu contrato com o UFC.

A estreia no principal campeonato de MMA, no card preliminar, foi em novembro do ano passado. Johnny nocauteou Khalil Rountree Jr no primeiro round e ganhou o primeiro bônus de US$ 50 mil por melhor performance da noite. A performance incluía entrada triunfal ao som de um funk que sugere a todos que coloquem o “popozão no chão” e um rebolado enquanto passava vaselina antes da luta, justificando o empenho na dança em Rio das Ostras.

O estilo debochado caiu nas graças dos chefões do UFC e também rendeu um bom dinheiro para o lutador principiante. Em fevereiro, ele atropelou Justin Ledet com apenas 15 segundos de luta e embolsou novamente o prêmio extra. Por causa de uma desistência, conseguiu um novo combate no mês seguinte, contra Misha Cirkunov. Acertou uma joelhada no queixo do adversário, ganhou mais um bônus e engordou a conta bancária. “Esse dinheiro tenho usado para investir em mim. Não tenho luxo, não gosto de ostentar. Ajudo meus pais no Brasil e o resto uso para melhorar minha performance.”

JON JONES

Os desempenhos excepcionais chamaram a atenção de uma das lendas do UFC, Jon Jones. "Soube que ele falou de mim. Tenho potencial para bater nele. Sou uma grande promessa. Sei que vai acontecer. Só esperar o tempo", disse o lutador brasileiro. 

A próxima luta, no entanto, ainda não está definida por excesso de empolgação, digamos assim. Na última comemoração, ele tentou imitar uma minhoca no octógono e lesionou o ombro, causando um misto de risos e indignação a Dana White, o presidente do UFC. "A partir de agora só vou comemorar meditando. Essa contusão me atrapalhou muito. Já era para estar com a próxima luta definida. Espero voltar a lutar em setembro", comentou.

O processo de volta ao octógono começou em Las Vegas e continuará na Tailândia, sua nova moradia. Apesar de o país ser o berço do muay thai, especialidade do brasileiro, ele escolheu novos ares por causa de uma oportunidade de negócio. "Fiz o camping de treinamento da minha última luta lá e descobri uma academia grande, que estava para falir. Vou entrar de sócio, ter um lugar para treinar e fazer dinheiro."

Johnny sabe bem onde quer chegar e já tem planos para até depois da aposentadoria no octógono. "Vou lutar mais quatro anos. Conquistar o cinturão do meio pesado, defender o título e subir de categoria. Vou conquistar o outro cinturão, defender e me aposentar, no auge."

E depois, Johnny? "Vou ser ator em Hollywood. Sou um grande ator. Vocês vão ver."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.