Eugene Hoshiko/AP
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Mayra Aguiar não consegue o tri, mas fica com o bronze no Mundial de Judô

Número 1 do ranking na categoria meio-pesado (78kg) perde na semifinal para Madeleine Malonga, mas passa por Patricia Sampaio na disputa pelo terceiro lugar

Redação, Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2019 | 09h17

Uma das melhores judocas do Brasil e número 1 do ranking na categoria meio-pesado (78kg), Mayra Aguiar era a maior favorita a conquistar nesta sexta-feira o inédito tri no Mundial, que está sendo realizado no ginásio Nippon Budokan, em Tóquio, no Japão. Mas a gaúcha de 28 anos não conseguiu superar sua rival e foi derrotada na semifinal para a francesa Madeleine Malonga. A recuperação, no entanto, veio na sequência, com a medalha de bronze no peito após bater a portuguesa Patricia Sampaio.

"Em qualquer competição, independentemente do resultado, saio bastante fortalecida. A gente aprende muito e sempre sobe mais, cresce mais. Mais ainda quando a gente sente a dor da derrota. Estava muito preparada. Mas errei, podia ter continuado em pé. Ainda estou remoendo um pouco isso, mas ficarei feliz porque sei o quanto é importante uma medalha em Mundial", disse Mayra. "Comecei a lutar Mundial muito nova. A minha 1.ª medalha foi aqui mesmo em Tóquio, tenho um carinho especial pelo país e é sempre bom sair daqui com uma medalha no peito."

É a sexta medalha em Mundiais de Mayra Aguiar. A brasileira foi campeã (ouro) pela primeira vez em Chelyabinsk, na Rússia, em 2014, e depois levou o bi em Budapeste, na Hungria, em 2017. Além dos dois ouros, ela tem uma prata e agora três bronzes. Em Mundiais, Mayra é a maior medalhista do Brasil.

Apesar de não conquistar o ouro no Japão, a judoca brasileira vive um grande momento na carreira. Sua temporada em 2019 começou com a conquista da prata do Europeu de Oberwart, na Áustria. Depois, foi ouro no Grand Slam de Dusseldorf (Alemanha), vice no Grand Slam de Ecaterimburgo (Rússia), campeã no Pan-Americano de Judô no Peru e ganhou o Grand Prix de Budapeste, na Hungria. Por fim, foi ao topo do pódio pela primeira vez nos Jogos Pan-Americanos de Lima, uma conquista que ainda lhe faltava.

Nesta sexta-feira, Mayra Aguiar entrou concentrada no tatame. Focada, ela resolveu suas duas primeiras lutas em poucos segundos, superando por ippon a portuguesa Yahima Ramirez e a judoca do Gabão, Sarah Mazouz, para avançar às quartas de final. A kosovar Loriana Kuka foi quem conseguiu resistir mais tempo diante da número 1 do mundo e chegou a forçar duas punições à Mayra. A brasileira, contudo, não diminuiu o ritmo e partiu para o ataque, derrubando Kuka por ippon e garantindo-se em mais uma semifinal de Mundial.

No penúltimo combate do dia, a brasileira enfrentou a francesa Madeleine Malonga, atual número 4 do mundo e que foi ao torneio no Japão após desbancar sua compatriota Audrey Tcheumeo, vice-campeã olímpica, na disputa interna pela vaga na equipe francesa. O combate foi equilibrado e Malonga conseguiu forçar uma punição em Mayra, que precisou ir para cima nos momentos finais para não ser punida novamente. Mayra buscou, então, um golpe rasteiro, mas a francesa se defendeu e reverteu a ação da brasileira em um contragolpe para marcar o ippon que a levou à final. A brasileira estava fora.

Mayra Aguiar teve pouco tempo para se recuperar. Mesmo assim, a gaúcha fez valer o seu favoritismo e saiu vitoriosa contra Patricia Sampaio, garantindo a medalha de bronze para o Brasil com um ippon. Trata-se da segunda do País nesse Mundial, já que Rafaela Silva, da categoria 57kg, também subiu ao pódio em terceiro lugar na última terça-feira.

VEJA ENTREVISTA DE MAYRA APÓS SUA MEDALHA NO RIO 

 

OUTROS BRASILEIROS

Nas chaves masculinas, o Brasil teve dois representantes no meio-pesado (100kg) com Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini. O melhor desempenho veio com Buzacarini. Ele estreou com vitória nas punições sobre o árabe Ivan Remarenko, medalhista de bronze no Mundial de 2014, e derrotou o alemão Karl Richard-Frey com waza-ari no "golden score" na segunda luta.

Para avançar às quartas, o brasileiro precisaria passar pelo atual vice-campeão olímpico, Elmar Gasimov, do Azerbaijão, mas sofreu o ippon que interrompeu a sua primeira participação em Mundiais.

Já Leonardo Gonçalves parou na primeira luta. Ele começou melhor no combate contra Zelymn Kotsoiev, também do Azerbaijão, e ameaçou o adversário em alguns momentos com ataques perigosos. Em um lance dividido, o azeri encaixou o golpe e venceu por ippon.

"Meu estilo de luta é assim, sempre para frente. Quem assistiu viu que eu estava melhor, mas ele encaixou o golpe ali e entrou. Era uma luta importante para o ranking mundial, para disputa de vaga olímpica, mas vamos seguir em frente", explicou o brasileiro.

Neste sábado, no sétimo e último dia de lutas individuais no Mundial, o Brasil terá quatro representantes no tatame na categoria pesados. No masculino (100kg), David Moura e Rafael Silva, o Baby, têm boas chances de medalha. No feminino (78kg), as esperanças estão com Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza. As classificatórias começam nesta sexta, a partir das 23 horas, e as finais ocorrem sábado de manhã, às 7h. O canal SporTV 3 mostra ao vivo.

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