Márcio Rodrigues/MPIX/CBJ
Márcio Rodrigues/MPIX/CBJ

Mayra Aguiar pode fazer história no Mundial em Baku

Atleta vai em busca do inédito tricampeonato; ela tem aproveitamento muito bom nas grandes competições da modalidade

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2018 | 17h00

Mayra Aguiar pode entrar para a história do esporte nacional no Mundial de Judô, que tem início no próximo dia 20, em Baku, no Azerbaijão. Ela vai em busca do seu terceiro ouro na competição, algo inédito no País. “Chego confiante, mas sei que é uma competição muito dura”, avisa a atleta da Sogipa, que mantém a humildade mesmo sendo a principal judoca da delegação brasileira.

O currículo da judoca é invejável. Em três participações olímpicas, ganhou duas medalhas de bronze, em 2012 e em 2016. Com apenas 27 anos, teve uma trajetória precoce e brilhou também nos Mundiais, com cinco pódios em sete participações. Estreou em 2007, no Rio, e desde então ganhou duas medalhas de bronze, uma de prata e duas de ouro.

“O meu aproveitamento realmente é muito bom”, diz Mayra. “E no Mundial júnior também é excelente, pois fui quatro vezes e em todas subi ao pódio”, continua. Ela ganhou sua primeira medalha de expressão no Mundial Sub-20 de Santo Domingo, em 2006, quando tinha apenas 15 anos. Depois teve uma prata em Bangcoc-2008, um bronze em Paris-2009 (já na categoria até 78 kg) e um ouro em Agadir-2010.

Para a judoca, dois motivos são fundamentais para esse desempenho tão bom em grandes competições. “Eu comecei muito cedo. Entrei com 14 anos na seleção brasileira, então aquele Mundial que fiz no Rio me serviu como experiência enorme. E outro fator é que tento levar de uma forma mais leve a competição. Penso no dia a dia para chegar melhor”, diz.

A atleta garante que fez uma ótima preparação. “Estou me sentindo super bem. O ano tem sido bom, fiz quatro competições e ganhei medalha em três. Quero estudar mais as adversárias, pois quando chega na competição com o número vermelho de campeã mundial nas costas acaba sendo bastante visada. Estou procurando fazer diversificação de pegada e golpe, para surpreender”, revela.

Ela sabe que terá atletas bem complicadas na disputa pelo título. Uma delas é a francesa Audrey Tcheumeo, prata nos Jogos do Rio. “Muitas já vêm competindo há bastante tempo, mas tem atletas novas também. Terei pela frente duas francesas fortíssimas, duas holandesas, uma japonesa que é super boa, então tem uma variedade de lutas para estudar”, afirma.

Até pela dificuldade que vai encontrar, ela prefere não ficar pensando na conquista inédita de um terceiro título mundial. “É algo que me faria muito feliz, mas não fico pensando nisso. Toda competição entro como se fosse qualquer torneio. Sempre faço isso, porque é uma adrenalina muito forte e isso deixa minha cabeça melhor. Ano passado, quando cheguei em casa com a medalha de ouro no peito, aí fui perceber o que tinha acontecido e o tamanho daquilo. No momento quero pensar só no treinamento.”

Para chegar forte em Baku, Mayra aproveitou para treinar com homens. E ela garante que a prática ajuda bastante. “Eu gosto de treinar com os meninos porque dá para sair na porrada com eles que não tem problema. O treino fica muito bom. Na comparação de força com as mulheres, a deles é muito maior e eles são bem explosivos.”

 

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