Annegret Hilse/Reuters
Annegret Hilse/Reuters

Medalhista em Tóquio, carateca se junta às tropas da Ucrânia para combater invasão russa

Stanislav Horuna está em Lviv, onde ajuda as forças militares ucranianas na busca por infiltrados russos na cidade

Redação, Estadão Conteúdo

05 de março de 2022 | 13h47

Medalhista de bronze na Olimpíada de Tóquio, o carateca ucraniano Stanislav Horuna resolveu deixar a carreira esportiva de lado para se juntar ao exército e ajudar o país no conflito contra a Rússia. O atleta, de 33 anos, se uniu às tropas depois do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, decretar a Lei Marcial, que impede homens entre 18 e 60 anos, ucranianos e naturalizados, de deixarem o país.

Antes de se juntar ao exército, Horuna ajudou a esposa e o filho de três anos a cruzarem a fronteira e se alojarem em um país vizinho. Neste momento, o carateca está servindo em Lviv, sua cidade natal, junto com o grupo que busca por infiltrados russos na cidade. De acordo com o lutador, ele aguarda a decisão do comandante para atuar no campo de batalha.

Horuna não tem experiência e nem formação militar, mas faz parte do grupo de homens civis que se sentem no dever patriótico de ajudar a Ucrânia. "Eu não decidi ir para a guerra. A guerra veio até mim. Esse é o meu dever como cidadão. Mandei minha família para o exterior, e agora estou tranquilo que posso ter mais mobilidade sem cuidar deles. Sem medo, apenas foco total no que está acontecendo", disse o ucraniano em entrevista ao GE.

Crítico contundente de Vladimir Putin, o atleta ucraniano acusa o presidente da Rússia de enviar jovens universitários para os conflitos e de ser negligente com os familiares que estão perdendo parentes nos combates. Para Horuna, os russos estão sendo convecidos pelo governo de que invasão à Ucrânia trata-se de uma missão para resgatar o povo ucraniano de nazistas. 

"Putin é, oficialmente, o Hitler do século 21", escreveu o carateca em suas redes sociais, onde tem se mostrado um engajado militante contra as forças russas. "Nós estamos sendo forçados a lutar. Nós estamos sendo forçados a matar e a sermos mortos. Insano. Mas é real. A única pessoa que deveria ser morta é Vladimir Putin", completou o lutador.  

Além de medalhista olímpico, Stanislav Horuna também já subiu em pódios no Mundial de Caratê e, por diversas vezes, em torneios europeus da modalidade. Mas, as honrarias não foram levadas pela família e ficaram para trás. Mas, nada que faça o carateca se lamentar: "Quando minha esposa saiu do país, ela queria levar algumas medalhas valiosas com ela. Mas eu disse que é apenas um pedaço simbólico de metal. Era melhor levar algo que pudesse ser mais útil na viagem". 

 

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