Na raça, Maldonado encara Miocic na final do TUF em São Paulo

Lutando fora de sua categoria, sorocabano promete 'banho de sangue' neste sábado, no Ginásio do Ibirapuera

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 12h02

 SÃO PAULO - Esqueça aquele perfil de lutador que deixa família, comida e palavras de lado às vésperas de um combate. O estilo do sorocabano Fabio Maldonado não se enquadra em nada disso. Irreverente, tudo parece virar piada mesmo diante do maior desafio de sua carreira: protagonizar um evento do UFC em São Paulo.

Neste sábado, Maldonado entra no octógono montado dentro do Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, para encarar o croata Stipe Miocic na luta principal do evento que teve inúmeros contratempos. Escalado de última hora para substituir Junior Cigano, o "Caipira de Aço" aceitou o desafio mesmo tendo que subir de categoria (para a dos pesados). Uma "questão de honra", segundo ele.

Honra que Maldonado quer passar aos filhos, Júlia Vitória, Igor e Daniel, este último nascido há apenas quatro dias. "Se eu fosse campeão do UFC, eu não aceitaria (a luta de última hora). Mas nasceu meu terceiro faz dois dias. Se eu não aceitar, o que eu vou dizer pra ele depois? Minha profissão é muito difícil. Ganhando ou perdendo eu vou apanhar muito. Mas eu vou pra dentro", afirma.

Se Daniel teve a sorte de poder receber a visita do pai no hospital em plena semana do combate, Igor já tem no currículo uma pesagem oficial do UFC. Isso porque Maldonado fez questão de levar o pequeno para o evento e quase teve de subir na balança com o filho, tamanha a dificuldade de convencê-lo a sair do colo do pai. Parece loucura? Maldonado brinca e joga a culpa para a esposa: "A mãe deles é muito louca. Eu que sou ajuizado do casal", conta.

Profissão e vida pessoal se misturam tanto que até os nomes dos dois filhos vêm do mundo das artes marciais. Daniel é uma homenagem ao também lutador e amigo, Daniel Sarafian. Já Igor é em memória do filho falecido de Vitor Miranda, finalista do TUF Brasil 3, que também entra no octógono neste sábado.

Com 34 anos, o sorocabano vem de três vitórias consecutivas no UFC, todas conquistadas no Brasil - a última foi em março deste ano, contra Gian Villante. Mesmo fora de sua categoria "natural", Maldonado pode surpreender e embalar na organização se vencer Miocic. Mas o "Caipira de Aço" sabe que as limitações existem e prefere até deixar tudo em aberto. "A vida inteira eu apanhei e virei luta, o cara (Miocic) é muito forte, até no boxe ele pode me surpreender, tudo pode acontecer", diz.

Confiante na vitória ou não, Maldonado promete resistência e "um banho de sangue" neste sábado. "Eu sou muito duro. Pode tirar 80% de sangue meu, eu tenho muito sangue", brinca. E, no melhor jeito irreverente, logo afasta a ideia de que será um combate fácil para o adversário. "Você queria o quê? Que eu tivesse melhor wrestling, melhor jiu-jítsu e melhor boxe? Deixa um pouco para o Miocic também, né?"

Independente do resultado desta noite, Maldonado já ganhou muitos pontos com o UFC e com o público. Afinal, como não se identificar com um paulistano "gente boa", que não faz média nem na hora de manter a dieta? "Se deixar, eu como só estrogonofe e sonho de valsa", conta o lutador, momentos antes de sentar-se entre os jornalistas no espaço reservado à imprensa para aproveitar melhor o almoço servido pelo hotel depois dos treinos, sem nenhuma cerimônia e culpa.

CARD PRINCIPAL

Ainda no card principal do UFC São Paulo, Vitor Miranda e Antônio Cara de Sapato disputam a final dos pesados do TUF 3, enquanto os amigos Marcio Lyoto e Warlley Alves decidem o campeão dos médios do reality show.

O veterano Demian Maia também reforça o time brasileiro, lutando em sua cidade natal pela primeira vez. Depois de perder a chance de disputar o cinturão com duas derrotas seguidas, o paulistano tenta afastar a pressão psicológica para vencer Alexander Yakovlev neste sábado. Rony Jason, vencedor do primeiro TUF Brasil, também volta para encarar Robbie Peralta.

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