Alexandre Loureiro/Inovafoto
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Paizão e maior lutador de todos os tempos: Anderson Silva já treina para UFC 212

Brasileiro entra no octógono para enfrentar Kelvin Gastelum no início de junho

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 18h05

 Anderson Silva chegou ao Rio de Janeiro para iniciar seu camp, o período de preparação exclusiva para as lutas. Ele vai disputar o UFC 212 no início de junho contra Kelvin Gastelum, algoz de Vitor Belfort recentemente. Desde que perdeu o cinturão, o Spider ficou mais forte mentalmente e, quando não está no octógono, aproveita para ficar com os filhos, jogar vídeo game e reunir a família aos domingos.

"Ele é um cara muito família. Fica dentro de casa, não é de ficar na rua, nunca vi ele na balada. É atencioso com os filhos, curte muito eles, se relaciona bem, é um paizão. Quando está em Curitiba, costuma reunir a família toda para o almoço de domingo. São mais de 20 pessoas, vai tio, primo, é assim com treinadores. Ele é um ser humano bondoso, ajuda muita gente de coração. É um cara privilegiado", diz o mestre Rogério Camões, que está junto com Anderson Silva em sua preparação há dez anos.

A relação dos dois não é apenas profissional. A amizade foi crescendo e atualmente o treinador se considera um grande parceiro do Spider. "Posso falar que ele é um dos melhores amigos que tenho na vida. Existe esse lado da amizade muito forte, e existe o lado de treinador que é muito forte, pois são dez anos juntos. Estou com ele desde o início no UFC", afirma. "É uma amizade que foi construída com muitos momentos, felizes, tristes, e nos momentos tristes nossa amizade se fortaleceu muito, nos meus e nos dele. A gente sempre se deu a mão. A admiração é enorme, considero ele um filho."

Considerado o maior lutador de MMA da história, Anderson Silva colecionou títulos, recordes e marcas impressionantes no octógono. Mas depois de 17 lutas consecutivas invicto, perdeu o cinturão dos médios do UFC para Chris Weidman e na revanche, quase seis meses depois, não só foi derrotado como quebrou a perna em uma grave lesão. O pesadelo parecia não ter fim e, quando voltou ao octógono, em janeiro de 2015, ganhou de Nick Diaz, mas foi pego no doping e acabou sendo suspenso por um ano.

"Ele se transformou em um lutador mais forte com as derrotas. A lesão foi muito complicada e foi o momento mais difícil da carreira. Foi uma contusão séria, no momento que perdeu o cinturão. Uma fatalidade rara de acontecer. E hoje é impressionante como ele continua forte mentalmente. Nunca vi ele entrar em uma luta abalado. Ele passa muita confiança, sabe o que tem de fazer quando entra no octógono", lembra Camões.

Quem convive com o Spider revela que ele tem uma inteligência para a luta que é fora normal. O atleta possui um conhecimento muito grande das técnicas e pratica diversas modalidades, como tae-kwon-do, jiu-jítsu, muay thai, boxe, entre outras. Se colocar um tchaco na mão dele, em pouco tempo ele consegue mostrar desenvoltura com o equipamento. "Não vejo nenhum lutador melhor que ele. Deixou um legado incrível, é versátil, habilidoso e o lutador perfeito de MMA. Em seus combates, ele consegue ser imprevisível", conta Camões.

A partir de agora, Anderson Silva já está em treinando para sua luta marcada para o dia 3 de junho, no Rio - os ingressos ainda não começaram a ser vendidos. Ele aceitou o desafio de um rival em ascensão, que tem 15 vitórias e apenas duas derrotas, ambas por decisão dividida, o que costuma ser polêmico. "Ele tem uma base sólida, pois são muitos anos de treino. A prioridade será trabalhar em cima da estratégia de luta. Ele está muito animado com esse novo desafio. O Anderson sabe do que é capaz e essa experiência vai fazer a diferença", conclui Camões, uma das pessoas que melhor conhece o Spider.

 

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