Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Perto do sonho, Mayra Bueno encara os últimos desafios antes de estreia no UFC

Nova lutadora do Ultimate concilia o dia a dia dos treinamentos com o duro processo de perda de peso antes de encarar a canadense Gillian Robertson

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2018 | 07h03

A poucos dias para entrar no octógono do maior evento de MMA do mundo, Mayra "Sheetara" Bueno não mede esforços para conciliar o dia a dia dos treinamentos com o duro processo de perda de peso. Vencedora do Contender Series Brasil, uma espécie de "peneira" feita pelo presidente do UFC, Dana White, para encontrar novos talentos, a mineira realizou o sonho de conseguir um contrato e participar do evento em São Paulo, marcado para sábado, no Ginásio do Ibirapuera.

Mayra está nas últimas etapas antes de encarar a canadense Gillian Robertson. Para sua luta no Contender, quando finalizou Mayana Kellem, em Las Vegas, ela precisou perder 10 kg. Agora, terá de reduzir mais 8 kg. Metade disso já foi. "A parte do peso é complicada porque ela não mexe só com o seu corpo, ela mexe com o seu (lado) psicológico. Você fica bem irritada. É uma parte ruim, mas como eu já vinha de um treinamento, comecei a preparação para essa nova luta com 65 kg para bater 57 kg. Estou tranquila e feliz. Acredito que vai dar tudo certo", explica a lutadora.

O Estado acompanhou os treinamentos Mayra. Em pouco menos de duas horas de atividades, ela foi a única que pediu pausa após 45 minutos e afirmou que precisava parar porque estava com tontura. Encarando homens e mulheres no octógono ela diz que comer seria o seu primeiro desejo caso não tivesse outra luta para encarar. "Se vocês quiserem deixar o próximo treino para fazer um churrasco eu topo", brincou ao finalizar mais uma sessão. 

Escolhida pelo UFC para uma luta na categoria mosca, Mayra está acostumada a competir entre os galos, por isso a exigência de perder tanto peso em pouco tempo. "Sempre lutei na categoria de cima e nunca tive problema nenhum para bater peso. Essa vai ser a minha primeira vez no mosca", conta

"O problema é que as pessoas se desgastam muito, acham que quanto menos perder peso vão ganhar vantagem. Não vejo assim. Se eu precisar lutar no peso de cima novamente, vou lutar. O importante é eu me sentir bem e confiante. Não adianta perder tantos quilos e não conseguir render no octógono. Prefiro render muito bem com pessoas maiores", completa Mayra.

INCENTIVO FAMILIAR E PERSISTÊNCIA

Aos 27 anos e com quase metade da sua vida dedicada ao esporte, Mayra conquistou o objetivo da maioria dos lutadores profissionais: entrar no UFC. Antes de firmar contrato de três lutas, enfrentou a falta de incentivo familiar e precisou ser persistente. "Minha mãe não apoiava. A única luta que ela viu minha até hoje foi de jiu-jítsu. Ela nunca gostou de MMA". A situação só mudou após o Contender. "Agora ela entende que sou atleta, me apoia e me respeita."

Apesar da mãe entender, Mayra revela que ainda não acredita nas mudanças recentes que ocorreram em sua vida. "Eu tinha certeza de que eu ia ganhar o Contender, mas eu preciso contar uma coisa que ninguém acredita: Até hoje não caiu a ficha. Acho que ainda não tenho a dimensão do que foi aquela luta na minha vida", diz.

Essa não foi a primeira vez que Mayra duvidou do seu potencial no esporte. Antes, ela também conta que demorou para entender que o seu lazer poderia virar profissão. "Eu pensava que ia conseguir. O meu desejo era ser médica, queria ser psiquiatra, mas o meu treinador sempre tentou colocar na minha cabeça que eu deveria ser atleta. Foi apenas na terceira luta que acabei decidindo: É isso o que eu quero. Depois disso, comecei a me doar cada vez mais para chegar onde estou hoje", continua.

 

 

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