Wilton Junior/Estadão - 01/08/2013
Wilton Junior/Estadão - 01/08/2013

"Safra não mantém fase dos últimos campeões", afirma José Aldo

Campeão do UFC, Scarface acredita em mudança nos detentores de cinturão neste ano e admite não sentir pressão em suas lutas

Entrevista com

José Aldo

Rafael Fiuza, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 16h19

Ainda sem um retorno marcado para o octógono, José Aldo, único brasileiro campeão incontestável, já inicia preparação para a atual temporada. Em período de recuperação após a batalha contra Chad Mendes o manauara revela a necessidade de renovar a safra de campeões brasileiros no UFC e buscar substitutos que elevem a audiência do evento no País, proporcionado principalmente por Aldo e Anderson Silva.

Atualmente, apenas Scarface detém um cinturão do UFC entre os brasileiros ao lado de Werdum, campeão interino, que terá a chance de se tornar o único vencedor dos pesos-pesados assim que enfrentar Cain Velasquez. Sem sentir a pressão, Aldo acredita que a mudança de bastão é recorrente no UFC e os brasileiros vão recuperar o cinturão e igualar a disputa que aponta 7 a 2 para os norte-americanos.

Em entrevista exclusiva ao Estado, o lutador de Manaus conta sobre o início da carreira, a chegada ao Rio, as noites de sono no tatame, as primeiras lutas, o caminho no UFC, projetos para o futuro e até sobre aposentadoria.

Pressão
Acredito que pressão sempre vai ter, ainda mais pelo fato de ser o primeiro campeão brasileiro. Tenho que ficar concentrado no meu treinamento, no meu trabalho e lutar por mim. Me mantive concentrado e focado e não senti pressão em nenhuma nas minhas lutas. Assim se mantém desde que conquistei o cinturão.

Má fase dos brasileiros
É uma troca de bastão. Atualmente estamos passando por uma transição de lutadores. A safra passada tinha vários campeões e com isso a nova não conseguiu manter a fase dos últimos campeões. Mas com certeza vamos virar. Tem o Werdum que está com o cinturão, o Vitor Belfort, que vai disputar. Peso-médio tem vários brasileiros que estão prontos para disputar o título e quem sabe vencer. Barão é um cara cogitado. Vários caras podem chegar e conquistar o cinturão.

Substituto
Nós queremos sempre o melhor para o esporte. Espero que quando parar, apareça outro José Aldo ou Anderson Silva para ocupar nosso espaço. Se não tiver as mesmas características, que seja campeão e carismático para poder agradar ao público. Outro Anderson Silva, José Aldo ou Wanderlei Silva é difícil, mas espero que no futuro apareça um cara melhor que a gente e possa representar muito bem o país como estamos representando.

Projeto
Críamos o Aldofit pensando na preparação de atletas, lutadores e para o público em geral. O UFC está em alta e aproveitamos o momento para lançar isso. Quero montar um instituto em Manaus para crianças desfavorecidas que possam ter não só a luta, mas um apoio escolar, de informática. Para isso quero usar meu nome em Manaus e também no Rio de Janeiro, onde moro.

Mudança de categoria
Isso já esteve muito próximo de acontecer. Nós tentamos, mas a negociação não foi válida para nós, então deixamos de lado. Voltei para o peso-pena e agora minha cabeça está aqui. Tem novos desafios surgindo, mas se tiver uma negociação e for boa para todos os lados, posso sim mudar de categoria. Por enquanto pretendo ficar no peso-pena.

Aposentadoria
Eu sempre falo isso. Um dia quando parar, espero estar no auge. Tudo o que estou ganhando e fazendo é de olho no futuro. Já tenho alguns projetos em andamento, mas ainda tenho muitos anos de luta, então espero ganhar bastante para quando parar, parar tranquilo.

Chegada ao Rio
Comecei a fazer Jiu-Jítsu em Manaus e meu amigo Loro me chamou para ir morar no Rio de Janeiro e treinar na academia do Dedé (André Pederneiras, proprietário e técnico da Nova União). Meu primeiro professor, Marcio Pontes, recomendou que fosse para o Rio. Lá estavam os melhores lutadores e para me dar bem no esporte, teria que estar lá. Conversei com o Loro e perguntei se ele poderia me ajudar porque não tinha recursos financeiros e a partir deste momento ele me deu força, disse que ia ter sofrimento, mas conseguiríamos levar. E assim foi. Ele me ajudou bastante no começo e quando entrei no MMA, me estruturei melhor. Tive o Marlon e o Akran me ajudando, no morro de Santo Amaro, na Zona Sul e isso começou a abrir as portas e me dar forças para chegar até onde cheguei hoje.

Renda
Quando disse que viria pro Rio, o Loro tinha o patrocínio de R$ 200 do MMA Guia e nos mantínhamos o mês todo com isso. Dormíamos no tatame no fim do dia e logo cedo, quando tinha treino, já levantávamos. No começo é muito difícil. Tem que acreditar bastante, trabalhar bastante. E quando está fazendo tudo certo, com responsabilidade, aparecem boas coisas para te alavancar. Foi sempre assim em toda a minha carreira. Fomos lutando e ganhando até chegar onde a gente chegou.

Primeiras vitórias
Minha primeira luta foi em Uberlândia. O irmão da (Cris) Cyborg tinha uma luta contra Antônio 'Mendigo', mas ele se machucou, o Marlon também, então me ligaram numa quarta, para lutar em um domingo e como sempre estava na academia treinando só fiz uma pergunta: Quando viajo? Cheguei na sexta, treinei bem e venci. Na época, ganhei R$ 800 e já pensei que estava rico. O Loro foi para o Japão, eu comecei a disputar eventos nacionais e conseguimos mudar nossas vidas aos poucos.

Conhecendo o mar
Sempre falei para minha mãe que gostaria de conhecer o mar. E quando viajei e finalmente conheci, recolhi algumas conchas para ela e enviei junto com a água do mar do Rio de Janeiro. Ela sempre conta esta história por onde passa.

Família
Conheci minha esposa na academia. Conheci ela na luta. Enquanto ela lutava no campo de muay thai, ajudava ela nas lutas. Fiquei por um tempo no córner dela e a partir disto criamos uma amizade até ficarmos juntos.

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