John Sommers II| Reuters
Hoje museu, casa onde morou família de Ali recebe milhares de fãs John Sommers II| Reuters

Um mergulho na vida do menino Cassius Clay

Casa onde família de Ali viveu hoje é um Museu de sua infância

Gonçalo Junior, enviado especial a Louisville, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2016 | 07h00

Entrar na casa 3302 da Grand Avenue em Louisville é uma volta ao passado. A casa onde a família de Muhammad Ali viveu entre 1940 e 1960 mantém os móveis, a decoração e toda a estrutura original da época em que ele era apenas Cassius Clay, menino negro e pobre que sofria com a segregação racial nos Estados Unidos. Hoje é o Ali Childhood Museum (Museu da Infância de Ali). 

Restaurada com investimentos de US$ 300 mil (R$ 1,02 milhão) de uma grande imobiliária da região após permanecer caindo aos pedaços por anos e anos, a casa tornou-se local de visitação obrigatória após a morte do pugilista na semana passada. 

Nesta quinta-feira, dia do funeral islâmico do ex-campeão, o entra e sai durou o dia inteiro, quase o triplo de visitantes das semanas anteriores, dizem os atendentes. A casa ao lado também foi adquirida e se transformou em uma loja de souvenirs e venda dos tíquetes para entrada – o passeio de cerca de 30 minutos custa US$ 8 (R$ 27). 

A partir do estudo de imagens da época, foram reproduzidos todos os detalhes da casa simples dos anos 1950. A sala tem uma televisão com seletor de canais e até uma antena; na cozinha, uma gaiola e um regador de metal em cima da pia. No quarto de Ali, o volume “Meu livro de histórias bíblicas” fica na estante. O rosa original, do lado de fora, o único em toda a rua, também foi reproduzido. São cinco cômodos, mas o espaço fica restrito com tantos visitantes – são dez por vez.

Os móveis não são originais da época, mas réplicas perfeitas, explica o guia. É proibido filmar e fotografar dentro do local. Rahman Ali, irmão do campeão e consultor da restauração, surge no documentário apresentado no final da visita e afirma que a casa é idêntica, mas que sente falta do pai e do mãe, já falecidos. 

Essa volta ao passado toma um baque na volta à rua. Algumas casas são boas, outras também precisariam de uma boa reforma. Esta é a periferia de Louisville. 

Para aumentar a renda, alguns vizinhos se tornaram “parceiros” do museu e vendem camisetas por US$ 25, quase R$ 85. Eles não falam quanto recebem pela venda. Outra vizinha aproveita o movimento da rua e mostra um cartaz feito a mão em que oferece uma garrafa de água por US$ 1 ou R$ 3,40.

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