‘Vou buscar o nocaute e ele vai ocorrer’, projeta Cigano para luta com Ngannou

‘Vou buscar o nocaute e ele vai ocorrer’, projeta Cigano para luta com Ngannou

Brasileiro enfrenta camaronês que colocou em dúvida sua faixa-preta no jiu-jítsu

Entrevista com

Júnior Cigano, lutador brasileiro de MMA

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2019 | 04h30

Júnior Cigano sonha em se tornar dono de dois cinturões: o primeiro seria o dos pesos pesados no UFC (categoria até 120,2 kg). Terceiro no ranking, o brasileiro irá lutar contra o camaronês Francis Ngannou, segundo, na madrugada deste sábado para domingo visando se credenciar para enfrentar o campeão - que pode ser Daniel Cormier, atual dono do cinturão, ou Stipe Miocic. Os dois se enfrentam no dia 17 de agosto.

O segundo cinturão que Cigano quer ter é um do boxe, luta na qual mira enfrentar um dos campeões atuais: Tyson Fury, Deontay Wilder ou Andy Ruiz Jr. Nesta entrevista, o brasileiro fala sobre a luta contra Ngannou, responde as provocações do próximo adversário, faz uma aposta para Cormier x Miocic, comenta sobre o momento atual do Brasil no UFC e conta seus planos para o futuro, seja em qual modalidade for.

Qual sua estratégia para a luta?

A minha estratégia, como sempre, é buscar pelo nocaute. Impôr o meu jogo ali durante a luta e buscar o nocaute o tempo todo. O Ngannou é um cara perigoso, tem bastante poder de nocaute e vai vir para nocautear também, o que vai tornar a luta ainda mais interessante para os fãs. Mas estou me sentindo bastante confiante para esta luta, acredito que nas habilidades de boxe eu tenho bastante vantagem.

Você espera que a luta dure quantos rounds?

Acho que a luta tem potencial para acabar no primeiro round. Mas eu tenho uma capacidade de me manter constante ali durante a luta toda. Eu vou buscar esse nocaute e eu sei que em algum momento ele vai acontecer.

Nesta semana, o Ngannou afirmou que pretende lutar boxe no futuro. Você tem alguma estratégia específica para o momento da trocação na luta?

Acho que a sorte dele é essa, ele é muito forte e realmente tem muito poder de nocaute. Mas as habilidades dele no boxe são limitadas, porque o boxe não é só bater forte. Ele se movimenta pouco, se posiciona pouco, é bem limitado nisso e é esse lado que eu vou tentar explorar no sábado à noite. Se tudo correr como tem sido falado e como ele mesmo tem colocado, vai ser uma grande luta de trocação para todos e sem sombra de dúvida vai acabar em nocaute.

A luta deveria acontecer na próxima semana, mas foi adiantada por causa de lesão do Tyron Woodley, que iria lutar neste evento. Isto te atrapalhou em alguma coisa?

Na verdade, não. Uma semana é pouco tempo, não faz uma grande diferença no nosso treinamento. Eu posso falar por mim, que mantive uma boa preparação, me senti bem. Estou pronto para ir lá e colocar 100% de mim na luta.

Antes da luta, o Ngannou colocou em dúvida a sua faixa-preta no jiu-jítsu. O que você diria para ele sobre esse assunto?

Na minha opinião, ele foi bastante infeliz nesse comentário. Eu não ligo para o que os meus oponentes falam, já falaram muita besteira e continuam falando. Ele tava tranquilo, mas aí saiu com essa aí. Na minha opinião alguém mandou ele falar porque não é uma coisa que saia dele, até porque ele não tem gabarito nenhum para falar de jiu-jítsu, então por que eu deveria dizer alguma coisa? Agora, achei um desrespeito principalmente com o meu mestre, que me deu a faixa preta. Mas, como eu disse, isso não me afeta em nada.

Hoje, você é o terceiro no ranking dos pesados e o Ngannou é o segundo. Você espera uma luta pelo cinturão se vencê-lo?

Acredito que sim, até porque não teria para onde ir. O vencedor desse nosso confronto vai lutar pelo cinturão e é o que faz tudo ser ainda mais empolgante. É o meu principal objetivo, sem sombra de dúvida, ser o campeão novamente, mas eu também não estou com pressa para que isso aconteça. Não quero que as coisas aconteçam de qualquer jeito. Se tudo correr bem, eu vou conseguir uma vitória agora sobre o Ngannou e vou lutar com quem vencer entre o Cormier e o Miocic. Se eles marcarem logo, ótimo, vamos lutar pelo cinturão, se demorar demais, que marque outra luta porque a minha intenção é me manter ativo.

Você tem alguma aposta de quem vence a luta entre o Cormier e o Miocic?

Acredito que dessa vez o Miocic vai vir um pouco mais consciente das habilidades do Cormier e vai conseguir se impor. Meu palpite é o que o Miocic vai vencer a luta por nocaute técnico no terceiro round.

Tem mais alguém na categoria que você gostaria de enfrentar, além do Ngannou, do Cormier e do Miocic?

Ninguém específico. Eu quero enfrentar os melhores, independente de quem for o meu oponente eu vou estar preparado. Esse negócio de fechar a luta é com o UFC, que eles entendem melhor.

O Brasil, hoje, não tem nenhum homem como dono de cinturão, apenas mulheres. Você acha que pode iniciar uma boa fase dos homens brasileiros no UFC?

Ah, com certeza, não tenho dúvidas de que isso vai acontecer. Aliás, na próxima semana já temos a possibilidade do Marreta se tornar o campeão dos meio-pesados, mas, por outro lado, as mulheres também estão fazendo um excelente trabalho, a Amanda (Nunes) e a (Jéssica) Andrade estão tendo ótimas performances. A gente está bem de campeão.

Se você conseguir o cinturão, quais serão os seus próximos passos na carreira?

Sinceramente, o que mais tem passado na minha cabeça é que eu vou recuperar o cinturão e vou lutar com um campeão de boxe da atualidade, o Tyson Fury, o Deontay Wilder, ou mesmo o Andy Ruiz. Eu quero buscar esse desafio e acredito que o primeiro passo é recuperar o cinturão dos pesados, isso acontecendo eu desafio eles e vou na busca desses dois cinturões.

Por quê?

Eu sou um cara do boxe, sou um boxeador. E, assim, confio plenamente nas minhas habilidades no boxe. Se eu me dedicar só ao boxe, sem sombra de dúvida a minha performance vai ser muito elevada. Tenho certeza que eu posso fazer frente a todos eles que estão aí, o Tyson Fury que é o número 1 dos pesos-pesados do boxe hoje, está sem cinturão mas é o número 1, Deontay Wilder que é o campeão da WBC e o Andy Ruiz que é o dono dos outros cinturões. Qualquer um deles eu acho que seria um grande desafio. 

Você tentou fazer isso no passado?

Um tempo atrás, quando eu fui campeão, desafiei o Wladimir Klitschko para uma luta de boxe. Mas eu não tinha tanto poder de promoção, então não me deram atenção. Acho que isso vai mudar agora, principalmente porque tanto o Deontay Wilder quanto o Tyson Fury são caras que não negam lutas. Acho que vou conseguir uma grande luta que todos gostariam de ver. Vou ser campeão do UFC e essa vai ser uma superluta contra um campeão do boxe.

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