Fernanda Luz/Estadão
Fernanda Luz/Estadão

‘Vou pôr um cinturão na mesa e trazer três'

Brasileira vai enfrentar em março a irlandesa Katie Taylor, em luta pela unificação de títulos, e se diz preparada

Entrevista com

Rose Volante, campeã mundial dos pesos leves pela Organização Mundial de Boxe

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2019 | 04h30

O boxe brasileiro terá um de seus principais capítulos escritos em 15 de março, na Filadélfia, Estados Unidos, quando Rose Volante vai enfrentar a irlandesa Katie Taylor, em duelo para unificar o título dos pesos leves (até 60 quilos). “Sei da importância desta luta e estarei preparada para vencer. Vai ser campeã contra campeã”, afirmou a brasileira ao Estado, durante entrevista no escritório da Memorial, empresa que a patrocina, em Santos.

Aos 36 anos, Rose Volante é campeã da Organização Mundial de Boxe. Soma 14 vitórias e oito nocautes. Katie Taylor tem 32 anos, acumula 12 triunfos, com cinco nocautes. É dona dos cinturões da Associação Mundial de Boxe e Federação Internacional de Boxe.

Quais as suas chances de vencer Katie Taylor, um dos principais nomes do boxe atual?

São iguais às dela. Cinquenta por cento para cada lado. Ela é campeã e eu também sou.

Você sabe da importância desta luta para o boxe brasileiro?

Sei. Principalmente para o boxe feminino, que precisa de mais exposição e ajuda. Vai ser um momento importante e estarei em condições de obter um grande resultado.

A característica da Katie é a agressividade durante toda a luta. Ela sufoca as rivais. Como você pretende brecar esse ataque?

Atacando também. Ela sempre tem a iniciativa das lutas porque as adversárias andam para trás. Desta vez será diferente, porque irei procurar o combate. Vai ser uma luta intensa o tempo todo.

Acha que será um combate rápido?

Não. Vai vencer quem tiver preparo para aguentar um ritmo forte até o fim. 

O fato de o evento fazer parte das festividades de Saint Patrick, padroeiro da Irlanda, não é uma preocupação? Ginásio lotado e muita pressão dos torcedores...

Ganhei o título na Argentina com seis mil argentinos torcendo contra. Sei da idolatria dos irlandeses pela Katie, eu estava em Londres na final olímpica e vi o apoio que ela recebe. Mas no ringue seremos eu e ela na disputa pelo título. 

Você pretende apresentar alguma estratégia nova para a luta?

A gente sempre busca algo diferente para tentar surpreender a adversária. Vamos tentar aprimorar durante os treinamentos para colocar em prática na hora da luta.

Analisando os dois currículos, você tem mais nocautes...

Acho que ela ficou muito tempo no boxe amador, que tem um estilo de dominar mais a luta e aplicar golpes em maior quantidade. Tenho um estilo de tentar os golpes mais duros e isso pode fazer a diferença.

Você acha que tem “pegada” para abalar a Katie Taylor?

A Katie nunca enfrentou ninguém como eu. Vou colocar um cinturão em cima da mesa e vou trazer três para casa.

Se você vencer, esta luta vai ser lembrada para sempre como são as do Eder Jofre, Miguel de Oliveira, Popó, Sertão, Servílio, Maguila....

Sei disso. Por isso, quero esta luta. Estarei preparada para fazer um grande confronto em um local importante, diante de uma rival importante. O boxe brasileiro precisa dessa vitória.

 

 

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