Divulgação/ UFC Brasil
Divulgação/ UFC Brasil

Werdum garante não ter medo de pegar coronavírus e aprova realização do UFC 249

Em entrevista exclusiva, lutador comenta sobre as medidas de segurança propostas pela organização e diz que doping foi 'injusto'

Entrevista com

Fabrício Werdum

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 07h00

Com todas as competições paralisadas ou canceladas, o UFC deu o pontapé inicial para a retomada do esporte. Parado desde o dia 14 de março, quando realizou um evento em Brasília, a organização escalou alguns de seus lutadores para se enfrentarem no próximo sábado (9), em Jacksonville, na Flórida. O evento de número 249 vai contar a participação de três brasileiros, entre eles está Fabrício Werdum, que retorna ao octógono após dois anos cumprindo suspensão por doping.

Em entrevista ao Estado, o ex-campeão dos pesados comenta sobre as medidas de segurança propostas pelo UFC. Entre elas está a realização de testes para covid-19 no local. "Vamos fazer todos os exames. Eles sempre tiveram muito cuidado com a gente e agora não vai ser diferente", disse.

Werdum, que encara Oleksiy Oliynyk, também ressalta que concorda com as decisões de Dana White, presidente da organização. "Alguém tinha que dar o primeiro passo", afirmou. Além de garantir que não está preocupado com uma possível contaminação por covid-19. "Acredito que se eu me contaminar não vai me afetar tanto, vou ter uma gripe ou febre. Como estou bem preparado fisicamente, minha preocupação era não lutar".

Qual foi a sua reação quando achava que não iria mais lutar por conta dos eventos cancelados? Chegou a parar de treinar?

Isso foi muito complicado porque eu já estou há um tempo sem lutar e fiquei pensando se eu tinha que esperar um pouco mais. Fiquei na dúvida se continuava ou não treinando, mas acabei não parando.

Você concorda com as decisões da organização ou acredita que poderiam esperar para agendar os próximos eventos?

Eu gosto da decisão do UFC, eles sempre tiveram muito cuidado com a gente. Vamos fazer testes para covid-19 no local. Alguém tinha que dar o primeiro passo, porque se deixar isso vai fica até quando? Acho que dá para ter todo o cuidado e realizar as lutas. É um esporte que não precisa de tanta gente para fazer. As pessoas estão precisando ver algum esporte.

Tem medo de ser contaminado?

Acredito que se eu me contaminar não vai me afetar tanto, vou ter uma gripe ou febre. Como estou bem preparado fisicamente, minha preocupação era não lutar.

Vai para o evento com a sua família (esposa e duas filhas)?

Não. Será bem restrito. Eu separo muito bem isso de trabalho e família. No trabalho temos que manter o foco. Se eles forem, vou ficar preocupado com eles. Tenho que ser profissional. Vou levar apenas os meus treinadores.

Como realizou os treinamentos durante a quarentena?

Levei a minha família para Big Bear (cidade na Califórnia), nas montanhas, onde temos uma casa. A altitude lá é de 2.100 metros, isso me ajudou a ser campeão em 2015 e está me ajudando a treinar agora. Levei um tatame para treinar na garagem e o Rafael Cordeiro fez algumas aulas online comigo. Colocava a caixa de som e a imagem no computador. Ele também chegou a me visitar lá e conseguirmos adaptar bem o local. A parte física eu fiz subindo uma montanha. Como o local está fechado, eu subi andando, foi cerca de 2h20 de caminhada.

Como está a rotina da família durante esse período de isolamento?

A quarentena mudou as nossas vidas e acredito que todos devem estar na mesma situação. Tirando a parte do coronavírus, ter os cuidados, etc... A convivência com a família está sendo boa. Damos risadas, paramos para ver filmes e as vezes brigamos também, brinca. Minha esposa me ajuda bastante nesse período em casa. Muitas vezes cada um fica com o seu celular. Eu também gosto muito de jogar PlayStation chego a ficar quatro horas jogando. Fazemos churrasco toda hora. Somos gaúchos, né?  

Hoje você está em 42 anos e retorna ao octógono após ser flagrado no exame antidoping. Como foi esse período afastado das lutas profissionais?

Esse tempo que eu fiquei parado foi uma injustiça. Eu não tomei nada e tenho certeza que foi uma contaminação. Também sei que a organização sabe disso. No começo foi meio complicado, mas nesse tempo eu cheguei a fazer dois filmes, seminários e também trabalhei como comentarista, então estive bem ativo. Não treinei como deveria porque não tinha o objetivo de lutar.

Quantas lutas ainda restam no seu contrato e até quanto pretende lutar até quando?

Tenho duas lutas, essa do UFC 249 e outra. Depois disso não sei se vou renovar ou ficar como comentarista, tudo pode acontecer. Estou com 42 anos, mas o que importa é a cabeça da pessoa. Tenho 42 de idade e uns 28 de mentalidade. Minha esposa quer que eu pare. Já pensei nisso, porque financeiramente estamos bem. Eu gosto de lutar, a gente ganha um bom dinheiro, uma luta ajuda bastante para manter o estilo de vida e investir em outras coisas, mas eu não sei ainda. Talvez mais umas quatro ou cinco lutas, realmente não sei.

Confiante para derrotar o Oleksiy Oliynyk?

Estou bem confiante, apesar de saber que o meu oponente é muito experiente e um cara difícil. Ele é forte, profissional, solta uns golpes que nunca ninguém viu e dá certo. Então tenho que respeitar, mas estou confiante para sair com a vitória. Não importa como, se será por nocaute, finalização, pontos... O importante é levantar o braço no final.

 

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