Aberto de Campinas volta após 5 anos

Mais conhecido como o torneio que revelou Gustavo Kuerten, o Aberto de Campinas será retomado este ano depois de cinco anos ausente do calendário nacional de tênis. A competição irá reunir aproximadamente 200 tenistas em três etapas e terá investimento estimado em R$ 700 mil. A classificação nas disputas da chave principal valerão pontos para o ranking da Associação de Tênis Profissional (ATP). As partidas da quarta edição do Tess Tennis Classic - Aberto de Campinas - irão ocorrer entre os dias 30 de junho e 15 de julho, em 12 quadras da Sociedade Hípica de Campinas. A quadra principal, com capacidade para 2,2 mil espectadores e 600 convidados, está sendo construída especialmente para o torneio, que será aberto com o Pré-Qualifying, do qual participarão 128 tenistas brasileiros. "É uma grande oportunidade para que novos tenistas possam disputar a chave principal e tenham chance de conseguir melhorar a colocação no ranking da ATP", disse o gaúcho Marcos Daniel, campeão do Pré-Qualifying do Aberto de São Paulo deste ano e que saltou da 700ª colocação no ranking da ATP para a 390ª. Ele acrescentou que a profissionalização dos tenistas brasileiros depende principalmente dos torneios que são promovidos no País. "Não precisamos gastar com viagens ao exterior e o apoio da torcida é muito importante", comentou. Segundo Daniel, os torneios nacionais animam ainda os patrocinadores. Ele lembrou que esta é uma das maiores dificuldades dos atletas brasileiros. O gaúcho tem atualmente uma empresa que o patrocina, mas a verba não é suficiente para bancar suas viagens ao exterior. "Estou atrás de um patrocínio complementar", explicou. No Aberto de São Paulo, Daniel disputou o Pré-Qualifying com outros 63 tenistas. Em Campinas, a etapa terá o dobro de participantes. Um dos organizadores do evento na cidade, Juliano Tavares, argumentou que o número maior de competidores dará mais chances a novos talentos. Os seis vencedores da primeira etapa do torneio disputarão o Qualifying Internacional, que reunirá 32 tenistas de pelo menos 10 países, conforme Tavares. O campeão da segunda etapa disputa com tenistas profissionais a chave principal, valendo prêmios de US$ 25 mil. O Aberto de Campinas contará pontos para o Entry List do ranking da ATP como torneio de US$ 50 mil por oferecer hospedagem aos jogadores. Parte dos jogos será transmitida ao vivo pelo canal de televisão a cabo SporTV. Entre as presenças aguardadas para a temporada campineira de tênis estão as novas promessas Flávio Saretta, de Americana, campeão do Aberto de São Paulo 2001 e quarto colocado no Aberto de Munique, e Ricardo Mello, de Campinas, vice-campeão brasileiro de Profissionais. "Queremos fomentar o tênis em Campinas", afirmou Tavares. O diretor de esportes da Hípica, Arthur Ferrari, disse que a região é celeiro de tenistas brasileiros, mas acabou eclipsada quando deixou de produzir o Aberto. "Vamos voltar a ter reconhecimento nacional num momento em que o tênis ganhou repercussão no Brasil", alegou. Ele explicou que a Maricic Eventos, de Juliano Tavares, acertou uma parceria com a Hípica para promover o Aberto de Campinas anualmente nos próximos cinco anos. Para Ferrari, a consolidação do campeonato em Campinas irá estimular os atletas da região. Ele citou o caso de André Moreira, de 14 anos, que disputa torneios juvenis e representou o Brasil no Torneio Sul-Americano em Bogotá. Na pontuação geral, a equipe brasileira alcançou o quarto lugar. "André é outra promessa nacional que terá chances de participar e obter boas classificação no torneio de Campinas daqui a três anos. É um grande incentivo", disse. O primeiro Aberto de Campinas foi disputado em 1993 e vencido por Fernando Melligeni. No ano seguinte, ocorreu a segunda edição do torneio, que rendeu o prêmio de campeão ao francês Jerôme Golmard. Dois anos depois a cidade sediou o 3º Aberto de Tênis, do qual Gustavo Kuerten saiu vitorioso. Foi o primeiro torneio vencido pelo tenista. "Quem sabe o próximo campeão brasileiro não sairá daqui?", apostou Tavares. A vitória de Kuerten acabou dando fama ao campeonato campineiro. Cinco anos depois, o certame é conhecido como "o torneio que revelou Guga".

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