Acioly deixa o cargo batendo forte

?Desejo toda a sorte do mundo para quem estiver como capitão da Copa Davis. Mas saio de cabeça erguida. Essa transição foi feita de uma forma muito amadora. Aliás, o tênis no Brasil é muito amador, tudo feito com muito amadorismo. E só quero lembrar que ao contrário do que aconteceu agora, fui colocado no cargo pelos jogadores?, afirma Ricardo Acioly, ainda chateado com a demissão do cargo de capitão da Copa Davis. Ele estava no comando desde 1998. Assumiu no lugar de Paulo Cleto. Na época os tenistas da equipe da Davis teriam feito até um abaixo-assinado pedindo a saída de Cleto.Em certo momento da conversa por telefone, Acioly, conhecido como Pardal pelos jogadores e com quem costumava tocar guitarra para descontrair depois dos jogos da Davis, dá nomes à situação. ?Qualquer capitão tem de ter experiência como treinador. Não é fácil a relação na Davis entre os jogadores, o capitão e os técnicos particulares desses jogadores. Não me parece que o Jaime (Oncins) tenha essa experiência?, afirma.Acioly foi técnico de Fernando Meligeni e hoje treina juvenis, entre eles o gaúcho Franco Ferreiro, uma promessa brasileira no esporte. ?Sempre busquei o melhor do tênis, questionando os dirigentes. Não mantinha uma só formação, cheguei a ter dez jogadores com o grupo. Fui o único a vencer um jogo da Davis fora do Brasil (contra a Espanha, em Lérida, em 1999). Antes a equipe da Davis era fechada. O capitão anterior não tinha essa coisa de agregar. Vou a qualquer torneio e sou muito bem tratado.?Jaiminho tem boas relações com Guga, com quem disputou 12 partidas de duplas na Davis e venceu nove vezes. ?Mas é muito essa estranha essa justificativa de colocar o Oncins só por ser amigo do Guga?, diz AciolyOncins, por seu lado, procura não acirrar os ânimos. Logo depois de ser empossado, em entrevista ao JT afirmou: ?Toda transição é delicada. Mas entre mim e o Pardal não tem nenhum conflito. A vida continua. Vou enfrentar a situação. Existem várias coisas erradas e vou brigar, pretendo mudar. Sempre quis ser capitão.?O capitão não tem salário da CBT, mas recebe 20% do prêmio destinado à equipe pela ITF. Em jogos da Zona Americana são US$ 30 mil (ou seja, Oncins vai receber US$ 6 mil depois da partida contra o Paraguai). Em jogos do Grupo Mundial a equipe recebe US$ 120 mil. Fora os bônus do Banco do Brasil, o patrocinador.

Agencia Estado,

08 de março de 2004 | 09h42

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