Adrian Dennis/AFP
Adrian Dennis/AFP

Advogado aponta possível falha em coleta de amostra em caso de Bia Haddad

Suspensa provisoriamente por doping, resultado negativo em Wimbledon pode ajudar na defesa da tenista

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

30 de julho de 2019 | 19h33

Suspensa provisoriamente por doping, Beatriz Haddad Maia recebeu uma boa notícia nesta terça-feira. O teste realizado pela tenista número 1 do Brasil durante a disputa de Wimbledon, em Londres, neste mês, deu negativo. A informação foi confirmada pelo advogado da atleta, Bichara Neto.

De acordo com ele, o resultado pode ajudar na elaboração da defesa da tenista de 23 anos, que segue sem poder competir no circuito profissional. O exame realizado em Wimbledon foi feito um mês depois daquele que lhe custou a suspensão provisória durante o Torneio de Bol, na Croácia. As amostras de urina foram colhidas no dia 4 de junho.

A análise das amostras A e B confirmaram o resultado positivo para metabólitos de SARM S-22 e SARM LGD-4033, substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Em casos recentes de punições por doping pelas mesmas substâncias flagradas no teste de Bia Haddad, o tempo de suspensão varia de seis meses a quatro anos.

O caso, contudo, poderá sofrer uma reviravolta nas próximas semanas. E não apenas em razão do teste negativo em Wimbledon. Em contato com o jornal O Estado de S.Paulo, o advogado da atleta afirmou que houve uma falha no processo de coleta das amostras da brasileira em Bol. Ele evitou dar mais detalhes sobre o caso porque ainda está preparando a defesa da atleta. "Ainda estamos analisando", declarou.

Atual 97.ª do mundo, Bia Haddad foi suspensa provisoriamente pelo Programa Antidoping da Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) na semana passada. O afastamento temporário teve início no último dia 22, mas só foi divulgado no dia seguinte. Ela foi denunciada formalmente no artigo 2.1 do Programa Antidoping: "presença de substância proibida em amostra de jogador".

As substâncias flagradas nas amostras da brasileira são consideradas "agentes anabólicos" pela entidade. SARM, sigla para "selective androgen receptor modulator" ou "moduladores seletivos do receptor de androgênio". Trata-se de uma versão aperfeiçoada dos esteroides anabolizantes tradicionais, mas com a promessa de causar menos efeitos colaterais no organismo.

O SARM foi desenvolvido inicialmente pela indústria farmacêutica como alternativa aos esteroides anabolizantes para pacientes com perda muscular. No entanto, mesmo sem o reconhecimento da FDA (Food and Drug Administration, na sigla em inglês), a agência norte-americana responsável pela aprovação de alimentos e medicamentos, as substâncias passaram a ser utilizadas por atletas amadores e profissionais para crescimento muscular.

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