Agassi e Guga: uma celebração ao tênis

Ídolos do tênis voltam a se enfrentar dez anos após o brasileiro assumir topo do ranking da ATP

Bruno Lousada, de O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2010 | 09h32

Lendas. Guga e Agassi têm oito Grand Slams cada. 

 

SÃO PAULO - Palco de shows memoráveis e grandes momentos do esporte brasileiro, o Maracanãzinho vai receber neste sábado, 11, às 20 horas, o desafio entre duas estrelas mundiais do tênis: os lendários Gustavo Kuerten e Andre Agassi. O jogo não vale título ou posições no ranking, mas é atrativo. Afinal, os dois astros aposentados voltam a se enfrentar dez anos após a final da Masters Cup de Lisboa, no qual Guga assumiu a liderança do ranking da ATP ao derrotar o próprio Agassi com um triplo 6/4 na decisão.

 

A expectativa é de ginásio lotado. Os ingressos para oito setores já estão esgotados. Sobraram apenas os bilhetes mais caros, com valores a partir de R$ 90 (meia-entrada). A cada ponto de saque no jogo-exibição, as crianças carentes têm motivo para festejar em dobro. Até porque, a cada ace, os tenistas vão doar R$ 1 mil para instituições de caridade. A empresa organizadora do evento anunciou que vai fazer a mesma contribuição.

 

"Assim, decidimos que vamos deixar todas as bolas passarem", brincou o norte-americano Andre Agassi, em coletiva realizada na manhã de ontem no Maracanãzinho. Depois de conceder rápida entrevista, ele eternizou suas mãos na Calçada da Fama do ginásio. Repetiu o gesto já feito por Guga, pelo brasileiro Thomaz Koch, pelo russo Marat Safin, entre outros.

 

"O Brasil é uma parte importante da história do tênis. Venci aqui e a torcida comemorou comigo, por isso adquiri um carinho pelo povo daqui desde então", contou Agassi, recordando-se da sua primeira visita ao País, em 1987. Na época, com 17 anos, conquistou seu primeiro título profissional, o do Torneio de Itaparica, na Bahia.

 

Dali em diante, decolou na carreira. Ganhou oito Grand Slams - quatro Abertos da Austrália, dois Abertos dos Estados Unidos, um em Wimbledon e outro em Roland Garros -, fama, dinheiro e serviu de inspiração para Guga, com quem conserva uma relação de amizade.

 

Em sua primeira viagem aos Estados Unidos, o ex-tenista brasileiro comprou uma camisa laranja e um tênis verde limão iguais ao do ídolo. "Ele é um cara que me inspirou muito. É um grande exemplo para mim", destacou. A admiração é recíproca.

 

Descontraído, Agassi disse que não é só a torcida brasileira que vai torcer por Guga hoje à noite. "Farei isso também porque ele é uma pessoa especial. Tivemos uma grande história juntos, hora com vitória dele, hora minha. Somos amigos e adversários."

 

A semelhança entre eles vai além disso. Cada um toca, em seu país, um projeto social com crianças e jovens carentes. "Sempre amei o Brasil, seu povo, sua paixão e sua capacidade de usar o esporte para educar crianças. O Brasil é uma enorme inspiração mundial nos esportes".

 

Na primeira vez que veio ao País, Agassi ficou encantado com a beleza das mulheres. Agora a situação é diferente - ele está casado com a ex-tenista Steffi Graf e é pai de dois filhos. "Não olho mais as mulheres. Essa parte da minha vida acabou. Até que desliguem as câmeras, aí eu observo algumas delas", afirmou, sorrindo em seguida.

 

Horas antes do jogo festivo, a ser decidido em melhor de três sets, dois dos maiores tenistas de todos os tempos vão comandar uma clínica para 50 meninos e meninas. Eles já duelaram onze vezes pelo circuito profissional, com sete vitórias de Agassi. A promessa é de uma partida histórica, repleta de lances bonitos. Perfeito para quem ama o tênis.

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