Marcello Zambrana/Divulgação
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Almagro supera oito meses de recuperação e enaltece o Brasil

Espanhol é tricampeão do Brasil Open. Eliminado nas quartas de final, ele se prepara para disputar o Rio Open a partir de segunda

Entrevista com

Nicolas Almagro

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 07h00

Tricampeão do Brasil Open, o espanhol Nicolas Almagro ostenta a honra de ser o maior vencedor da competição com os títulos de 2008, 2011 e 2012. O carinho pelo torneio é tão grande que o tenista decidiu jogá-lo pela décima vez neste ano. Apesar da eliminação nas quartas de final, na sexta-feira, e da chance do tetra ter escapado, a disputa no País mais uma vez lhe deu alegrias. Foi justamente no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, que ele reencontrou o caminho das vitórias em sua retomada no tênis depois de uma cirurgia no pé esquerdo.

O tenista de Múrcia teve de ser submetido à operação por causa de uma inflamação do tecido da sola do pé e ficou afastado das quadras por oito meses. Desde que retornou, caiu no Torneio de Sydney diante do uruguaio Pablo Cuevas - seu algoz também no Brasil - e no Aberto da Austrália para o japonês Kei Nishikori. O jejum de vitórias já durava 279 dias, quando Almagro superou o esloveno Blaz Rola por 2 sets a 0. Ele ainda arrancou duas vitórias consecutivas, o que não conseguia desde o ATP de Barcelona, em abril de 2014.

A luta agora é para retomar o seu posto entre os melhores tenistas do mundo. Com 12 títulos em 21 finais de torneios da ATP disputadas no saibro, o ibérico quer voltar a ser um forte candidato a títulos na terra batida. Atual 82.º colocado no ranking, Almagro costumava figurar no top 15 até o início do ano passado; sua melhor colocação foi obtida no dia 2 de maio de 2011, quando apareceu em 9.º.

Almagro faz parte da “armada espanhola” que sempre vem ao País durante a turnê sul-americana. Além da competição em São Paulo, ele também garantiu participação no Rio Open, que começa na segunda-feira e vai até o dia 22.

Em entrevista ao Estado, o tenista fala sobre a estrutura do Brasil Open, recorda quando a disputa era na Costa do Sauípe, na Bahia, e projeta suas expectativas para a competição no Rio. Almagro ainda comenta o seu encontro com o ex-jogador de futebol Ronaldo.

Você está jogando no Brasil Open pela décima vez, o que te atrai nesta competição?

É um País em que sempre me sinto muito feliz de jogar. Tive a sorte de conseguir muitas vitórias importantes durante a minha carreira nesta gira sul-americana e o saibro é minha superfície favorita. Gosto de estar aqui. Ter ganhado nos outros anos me dá muita felicidade, espero que possa conseguir mais algum título aqui antes que eu me aposente.

Até 2011 o Brasil Open era disputado na Costa do Sauípe. Você preferia jogar lá?

São cidades muito diferentes. Em São Paulo tem altitude, no Sauípe se joga no nível do mar e tem a praia. Aqui não, digamos que é mais concentrado em nível de hotel, treinos. Lá podíamos sair do jogo e ir à praia, se divertir, tomar um banho de mar, caminhar, passear. 

O que pensa da estrutura do Ginásio do Ibirapuera?

É um ginásio muito bonito, um lugar espetacular para disputar o tênis, muito grande. 

E acha que as quadras são boas?

Sim, as quadras estão melhorando ano a ano. Pouco a pouco é um torneio que vai se consolidando.

Como foi voltar a ganhar depois de nove meses?

Está sendo uma semana muito positiva. Tive de trabalhar muito e muito duro para poder voltar a competir e, portanto, sinto felicidade e satisfação de ter conseguido fazer boas partidas aqui em São Paulo.

Como foi o período de recuperação de sua cirurgia no pé esquerdo? E como se sente agora?

Estou melhor. Fiquei muito tempo sem poder competir, foi uma etapa muito difícil, mas voltei às competições com muita vontade.

Tem sentido alguma dor?

Não, dor não tenho sentido. Mas pouco a pouco vou recuperando o ritmo de partida, de competição que havia perdido. É preciso ser cauteloso e ir sempre devagar para ficar cada vez melhor.

Quais são os seus objetivos em ranking para essa temporada?

Poder voltar a estar entre os 30 melhores, os 20 melhores, seria um dos objetivos. Mas vai ser difícil.

Qual é a expectativa para o Rio Open, que terá Nadal e Ferrer?

Não tenho nenhuma meta porque fiquei muito tempo sem competir, muito tempo fora das quadras, terei de ver dia a dia, partida a partida, para poder como vou me saindo. Está claro que eles são os favoritos a ganhar o título e são os rivais a serem batidos.

E como vê os tenistas brasileiros?

Ganharam de nós na Copa Davis, foi um passo muito importante para eles, voltaram ao Grupo Mundial. João Souza, Thomaz Bellucci e tem jogadores de duplas muito bons também, como Marcelo Melo e Bruno Soares, temos de levar em consideração.

Pensa que o Brasil Open perde importância com o Rio Open sendo um ATP 500?

Não acho que perde importância. Acredito que é muito difícil fazer um torneio 500 e um torneio 250 e o Brasil tem os dois, em duas semanas seguidas. É algo que os brasileiros deveriam se sentir orgulhosos de ter e por poderem desfrutar do tênis de mais alto nível.

Como foi o seu encontro com Ronaldo aqui no Brasil?

Pude conhecer um dos meus ídolos do mundo do futebol, para mim ele é o melhor centroavante da história, um autêntico fenômeno. Foi uma experiência muito bonita e muito positiva,

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