Ambição dá motivação para Guga em 2004

Quando completou 18 anos, o ainda franzino tenista Gustavo Kuerten encontrava-se na eminência da opção e, como muitos jovens de sua idade, não sabia se prestava o vestibular para Educação Física ou insistia na carreira dentro do esporte. A incerteza ganhou força quando fez um balanço e constatou que não tinha feito uma boa temporada no seu último ano como juvenil. Mas, já na época, a ambição revelou-se como uma de suas marcas mais fortes. Decidiu investir em outra de suas virtudes, a determinação, para fazer um bom ano em 1996, colocar-se entre os cem primeiros do ranking e em 97, consagrar-se mundialmente com o troféu dos Mosqueteiros, em Roland Garros.Agora, aos 27 anos, o ciclo da vida levou Guga a vivenciar uma experiência semelhante. Na temporada de 2003, ele não alcançou os resultados esperados. Só que, mais uma vez, pensou grande, foi ambicioso e terminou o ano com um animador título em São Petersburgo, na Rússia, que transformou seus horizontes.Agora, nem Natal, nem Ano Novo tiram a rotina de treinamentos de Guga com seu técnico Larri Passos. O tricampeão de Roland Garros mostra-se novamente motivado como na época de juvenil e espera um 2004 brilhante.Sonha com a inédita medalha olímpica na Olimpíada de Atenas, quer beijar novamente o troféu dos Mosqueteiros em Paris e fazer a festa da torcida na Costa do Sauípe, com seu segundo título do Brasil Open, na efervescência do Carnaval baiano de 2004.Para sonhar alto, Guga sabe que precisa estar bem preparado. Como espera voltar a reinar nas quadras de saibro, suas pernas deverão estar em condições de suportar as longas trocas de bolas e, especialmente, sua cabeça preparada para verdadeiras batalhas. O tenista garante que depois do título de São Petersburgo, reconquistou a motivação e a determinação para seguir numa carreira tão exigente e cheia de sacrifícios.Hoje, a ambição move os dias de Guga. Com uma fortuna já acumulada nestes anos de tênis estimada em mais de US$ 20 milhões, ele poderia pensar em levar a vida surfando e tocando baixo, seus dois passatempos prediletos. Mas chegou a conclusão de que ainda poderá ter muitas alegrias nas quadras.A sua situação é estratégica. Como terminou o ano de 2003 mais cedo, ao contrário de outras temporadas em que disputava o Masters Cup em pleno novembro, desta vez Guga teve tempo suficiente para uma boa e longa pré-temporada. Cuidou da parte física, passou pelo saibro, onde Larri Passos gosta de recomeçar tudo, pelo fato de permitir trocas de bolas e afinar os golpes, e agora já entrou na fase de treinamentos específicos para as quadras rápidas.Com uma boa preparação, o tenista viaja no próximo dia 5 para a Oceânia, onde a partir do dia 12 defende o título de Auckland, na Nova Zelândia, seguindo depois para o Aberto da Austrália, em Melbourne.Logo, em fevereiro, Guga espera reconquistar sua hegemonia nas quadras de saibro, disputando o Tour Latino, em Viña del Mar, Buenos Aires e Costa do Sauípe. Tem ainda muitas esperanças de boas campanhas na temporada européia de saibro com Montecarlo, Roma, Hamburgo e culminando com Roland Garros, sempre especial para o brasileiro.Quem sabe 2004 não venha coroar outro reinado de Guga? A briga é dura diante de tantos e fortes adversários do circuito. Mas para o brasileiro não falta determinação e disciplina nos treinamentos e um outro aspecto que sempre gosta de destacar: "Se ganho dois ou tres jogos seguidos, passo a ficar um cara bastante perigoso e os adversários começam a me olhar assustados, pois sabem o que posso fazer."

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