Anfitriões tentam segurar os espanhóis no Brasil Open

Sem um título na chave de simples desde Gustavo Kuerten em 2004, brasileiros tentam voltar ao topo da competição no Ibirapuera

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 07h00

Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para receber os astros Rafael Nadal e David Ferrer no maior torneio de tênis da América  do Sul de 16 a 22 de fevereiro, um elenco de tenistas bem menos badalado entra em quadra nesta semana em São Paulo. A 15ª  edição do Brasil Open, no Ginásio do Ibirapuera, conta com a participação de apenas dois jogadores Top 20 na disputa que  começa nesta segunda-feira e vai até o próximo domingo (15). Assim como em 2014, a competição de nível 250 acaba ofuscada  pelo Rio Open, que dá o dobro de pontuação no ranking da ATP. Apesar disso, os dois torneios têm um ponto em comum: a "armada espanhola" entra em ação.

A Espanha conta com sete representantes na busca pelo oitavo título do Brasil Open. O grande destaque é Feliciano López,  atual número 14 do mundo, seguido por Tommy Robredo (17º), campeão em 2009. Fernando Verdasco, Nicolás Almagro (tricampeão em  2012, 2011 e 2008), Pablo Andujar, Pablo Carreno Busta e Albert Ramos-Vinolas completam a lista. Como muitos tenistas farão a "dobradinha" em solo nacional, o Rio Open já tem oito espanhóis confirmados.

Para tentar acabar com a hegemonia espanhola em São Paulo, o País tem três representantes garantidos na chave principal: Thomaz Bellucci, João Souza (Feijão) e Guilherme Clezar. O canhoto de Tietê, tenista número 1 do País, fez as pazes com a torcida no ano passado e é a maior esperança dos brasileiros. Na última edição, Bellucci foi eliminado na semifinal pelo  argentino Federico Delbonis, que se sagrou campeão diante do italiano Paolo Lorenzi e obteve a sua primeira conquista na carreira. Já Feijão e Clezar receberam o wild card (convite) da organização. O paulista se prepara para a sua sexta participação no Brasil Open, mas nunca foi além da segunda rodada (em 2011, 2013 e 2014), já o gaúcho disputará a competição pela quarta vez e até hoje não conseguiu passar da estreia.

DUPLAS

Se na simples o Brasil não fica com o troféu desde Gustavo Kuerten em 2004, quando a competição ainda era disputada na Costa  do Sauípe, nas duplas o País tem o que comemorar. Os mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares já deram alegrias para os  torcedores pelo título conquistado juntos em 2011 e também pelas vitórias ao lado de outros parceiros. Vencedor também em 2012, com a ajuda do norte-americano Eric Butorac, e em 2013, junto ao austríaco Alexander Peya, Soares busca o tetracampeonato depois de uma eliminação precoce no ano passado, quando foi surpreendido logo na primeira rodada por Phillip  Oswald e Guillermo García-Lopez. Ele disputará a competição ao lado de Peya pela terceira temporada consecutiva.

Campeão em 2008 com o compatriota André Sá, Melo não aparecerá ao lado de seu parceiro fixo no circuito e formará dupla com o austríaco Julian Knowle rumo ao tri. De acordo com o mineiro, a ausência de Ivan Dodig deve-se à preferência do croata pelos pisos rápidos. Para contentamento da dupla, o estrangeiro vai à Croácia e aos Estados Unidos enquanto Marcelo disputa as competições brasileiras no saibro. A troca de companheiro não é motivo de preocupação para o tenista da casa. "O Julian tem um estilo bem diferente do Ivan. O Ivan saca e devolve muito bem e o Julian é muito rápido na rede. Joguei com o Julian algumas vezes, é um duplista extremamente experiente. São dois jogos diferentes, mas são duas pessoas que eu conheço bastante. Não interfere tanto", avalia.

Marcelo Melo não acredita que o conterrâneo Bruno Soares seja o seu maior adversário em casa e projeta uma disputa acirrada pela taça. "Vejo outras duplas também muito fortes. Esse torneio está bem equilibrado nas duplas, vai ser interessante", projeta.

Com presença garantida também no Rio, o mineiro acredita que o fato de o Brasil ter dois torneios no calendário da ATP é positivo para o tênis nacional. "Independente de ser ATP 250 ou ATP 500, é importante para os meninos que estão saindo do juvenil, para nós profissionais podermos jogar em casa e para o público acompanhar níveis altos de jogos no Brasil. Acho que os dois são extremamente importantes para o tênis brasileiro."

Para Marcelo, jogar com a presença dos parentes e dos amigos agrega valor para as competições no Brasil. "Já fui campeão na Costa do Sauípe duas vezes, uma com o André e uma com o Bruno, com certeza foi especial por estar em casa, com a família e com os amigos. Traz um pouco mais de  valor para o título."

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