Larry W. Smith/EFE
Larry W. Smith/EFE

Aos 18 anos, canadense Bianca Andreescu se apresenta ao mundo

Conquista do título do Masters 1000 de Indian Wells leva a jovem tenista ao estrelato do esporte

Christopher Clarey/ THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 04h33

Como parte da sua rotina matinal, a adolescente canadense Bianca Andreescu buscava um local tranquilo e visualizava o sucesso. “É uma loucura pensar que isso se tornou realidade hoje (domingo)”, disse ela pouco tempo depois de vencer o Masters 1000 de Indian Wells. Não foi tanta loucura se você observou todos os lances e a determinação da tenista sob a pressão para derrotar uma veterana do tênis e conquistar um dos mais prestigiados títulos esportivos.

Mas foi certamente fantástico quando você pensa na falta de experiência dela neste nível e a qualidade das jogadoras que ela precisou derrotar, em termos de inteligência e golpes, vencendo, inclusive, a tricampeã de um Grand Slam, a alemã Angelique Kerber, no fim de domingo, por 6-4, 3-6 e 6-4.

“Espero que este momento seja uma grande inspiração para muitos jovens atletas porque, como gosto de dizer, se você acredita em si mesmo, tudo é possível”, disse a tenista na cerimônia de entrega do prêmio.

Angelique Kerber, de 31 anos, oitava no ranking, foi incapaz de vencer Bianca, apesar da sua enorme experiência. Esta foi sua 29.ª final num torneio, e apenas o segundo da canadense. Angelique já abocanhou mais de US$ 27 milhões em prêmios conquistados em sua carreira. A canadense até agora só ganhou US$ 350.000.

Angelique também tinha uma aparente vantagem física no fim de um jogo extenuante, sob uma temperatura de 26 graus. A canadense chegou à quadra com ombro e antebraço direitos enfaixados depois de vencer seis jogos a caminho da final. “Meu ombro estava bom, realmente bom. Foi mais por precaução”, disse ela.

No terceiro set ela precisou de mais tratamento para o braço. Apesar de parecer extenuada entre os pontos, se agachando e esticando repetidamente, encontrou determinação e talento para derrotar Angelique no seu quarto ponto match point.

Quando a partida encerrou, Angelique beijou a adolescente que depois foi para o lado oposto da rede, beijou a quadra azul e deitou de costas, os braços e pernas se abriram como se estivesse tomando sol, em uma das mais inesperadas grandes encenações do jogo.

Embora muitos canadenses em casa não tenham assistido ao jogo na TV, que foi transmitido via streaming, seus compatriotas registraram sua façanha. “Bianca Andreescu fez história. Congratulações”, postou no Twitter o primeiro ministro Justin Trudeau. 

O tênis feminino, que está numa fase emocionante, teve inúmeras atuações impactantes recentemente, incluindo o desempenho de Naomi Osaka, de 20 anos, que conquistou o título em Indian Wells no ano passado. Um desempenho que prognosticou as vitórias de Osaka no US Open e no Australian Open e a sua ascensão para o primeiro lugar no ranking, onde permanece.

Bianca foi indagada se via em Osaka uma inspiração. “Sem dúvida foi uma inspiração vê-la disputando o troféu no ano passado e vencer dois Grand Slams. Mas não vou pensar no futuro agora. Quero só desfrutar este momento porque não desejo achar que tudo está garantido. Você nunca sabe o que a próxima semana trará”.

Na próxima semana, ela estará no Miami Open, onde vai jogar na primeira rodada contra Irina-Camelia Begu, da Romênia – que ela teve de lutar para derrotar na primeira rodada em três sets em Indian Wells.

Bianca, filha única de imigrantes romenos, é a mais jovem tenista a vencer um torneio em Indian Wells desde que Serena Williams foi a campeã do torneio aos 17 anos em 1999.

Bianca não surgiu da obscuridade. Ela já era notada como jogadora júnior quando conquistou o prestigiado título Les Petits na França e embora não dominasse ainda no nível de um Grand Slam em 2016 e 207 ela venceu dois jogos de duplas em Grand Slam. 

Em janeiro ela derrotou Caroline Wozniacki, então número três no ranking, e Venus Williams, e chegou à final de um torneio em Auckland, Nova Zelândia, e depois se classificou para o Australian Open, onde venceu seu primeiro torneio de simples em um Grand Slam.

Mas sua vitória em Indian Wells foi um enorme salto e o elemento surpresa operou a seu favor. Os últimos seis dos sete jogos foram contra jogadoras que ela nunca havia enfrentado: Dominika Cibulkova, Stefanie Voegele, Wang Qiang, Garbine Muguruza, Elina Svitolina e Angelique Kerber.

Bianca Andreescu tem um jogo completo. “Ela tem um tênis que é realmente completo e do lado mental é uma guerreira”, disse Bruneau, que ajudou Bianca no aspecto mental com palavras bem escolhidas e dando conselhos no segundo e terceiro sets no domingo.

Bianca consegue bater na bola a uma velocidade de primeira categoria ou mudar o ritmo abruptamente, com efeito. Continuamente ela impediu Kerber, uma contra-atacante consistente, de se ajustar a um ritmo de jogo. Ela ataca a rede ou defende nos cantos com a velocidade dos pés e um excelente jogo de pés. Tem um primeiro serviço forte e, talvez o mais importante no tênis feminino, um segundo serviço sólido que é difícil de responder.

Ela também gosta do drop-shot, que pode ser uma alegria e uma maldição – como ficou evidente no jogo contra Kerber. Ela fez pontos belíssimos e cometeu alguns erros intempestivos com golpes arriscados. Mas depois de não conseguir converter três match points no terceiro set, que estava em 5-3, retornou com força depois do intervalo de virada de set e quebrou o serviço de Angelique, alcançando a vitória.

Classificada em 60.º lugar no ranking antes do torneio, Bianca está agora em 24.º. E mais do que quadruplicou o dinheiro do prêmio, tendo recebido US$ 1.354.010 pela sua vitória.

Nada mal considerando que ainda não têm um diploma de faculdade, que está tentando concluir via online. “Estou estudando desse modo, mas é difícil porque depois dos treinos esta é a última coisa que quero fazer. Estou muito cansada, mas acho que conhecimento é poder.”

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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