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David Gray/AFP
David Gray/AFP

Após controle rígido, Aberto da Austrália tenta superar polêmicas para focar no tênis

Primeiro Grand Slam da temporada tem sido alvo de críticas por ocorrer em meio à pandemia de covid-19

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 22h00

Como de costume, a Austrália se tornou o foco do tênis mundial nas primeiras semanas do ano. Mas não do jeito habitual, por sediar o primeiro Grand Slam da temporada e seus torneios preparatórios. Desta vez, as vitórias e as derrotas que servem de aquecimento para o Aberto da Austrália foram substituídas por críticas, reclamações e debates públicos envolvendo tenistas, dirigentes e políticos. Tudo em razão da pandemia de covid-19. A partir desta segunda-feira, noite deste domingo pelo horário de Brasília, tudo o que a organização mais quer é manter o foco no tênis, deixando para trás as polêmicas.

E elas não faltaram nas últimas semanas. A primeira foi causada pela própria decisão de realizar o Grand Slam, o primeiro grande evento de tênis com torcida em mais de um ano -poderá receber até 30 mil pessoas por dia. Parte dos australianos ficou incomodada com a possibilidade de a pandemia se alastrar num dos países mais bem-sucedidos na luta contra o coronavírus.

Eles temem que todo o esforço de quarentena dos últimos meses, que permitiram apenas 28.838 casos e 909 mortes até agora, fosse por água abaixo devido à entrada de tenistas, suas equipes e oficiais vindos de diversos cantos do mundo. Houve polêmica também para aprovar junto ao governo a realização do grande evento. A liberação veio acompanhada de rígidas exigências, repassadas a atletas e dirigentes.

Pelas regras, cada tenista precisaria cumprir quarentena por 14 dias em seu quarto de hotel ao chegar a Melbourne. Puderam sair do quarto apenas uma vez por dia por um período de cinco horas. "Poder treinar, ir na academia e comer neste período ajudou, com certeza, considerando as circunstâncias. Não é o ideal, mas era o que precisava ser feito para conseguirmos jogar o torneio e toda a gira na Austrália", diz a duplista brasileira Luisa Stefani, ao Estadão.

Essa quarentena se tornou ainda mais rígida para um grupo de 72 tenistas. Eles viajaram até a Austrália em voos em que foi identificado um caso positivo de covid-19. Como consequência, precisaram ficar trancados em seus quartos por duas semanas, sem poder sair para treinar. As refeições eram entregues na porta do quarto e os 'treinos' foram improvisados na janela e no colchão. A revolta foi escancarada nas redes sociais, em desabafos, alguns dramáticos. "É como uma prisão aqui. É um desastre total por causa do controle de tudo", disse o espanhol Roberto Bautista Agut, um dos atletas em quarentena total.

Diante da repercussão negativa dos diversos posts dos atletas nas redes sociais, Rafael Nadal veio a público para dar um puxão de orelhas nos colegas. "Já sabíamos como seriam as determinações em um país que está fazendo as coisas realmente bem em face da pandemia", afirmou o número dois do mundo.

A severa quarentena australiana vinha sendo divulgada desde dezembro aos tenistas. "Não foi surpresa nenhuma toda a rigidez nos protocolos e nas regras. E também nas adaptações que eles tiveram que fazer. Eles deixaram bem claro que o governo australiano era quem estava tomando estas decisões", confirmou Luisa Stefani.

Houve polêmica também pela decisão da organização de levar os principais favoritos para uma preparação na cidade de Adelaide, com menos restrições. Lá treinaram o próprio Nadal, Novak Djokovic, Naomi Osaka, entre outros - Roger Federer é baixa neste Aberto da Austrália.

Superado o período de quarentena, os tenistas puderam retomar treinos e jogos em seis competições (três masculinas e três femininas) sediadas ao mesmo tempo no Melbourne Park, complexo que sedia o Grand Slam, uma semana antes do início da grande competição. Mas todo este esforço e desgaste quase foram ao chão quando um funcionário de um dos hotéis que hospeda tenistas e oficiais testou positivo para covid-19 na quarta-feira. As rodadas de quinta foram canceladas até que todos fossem submetidos a novos testes, com resultados negativos.

Após tanto trabalho, esforço e sacrifício, o Aberto da Austrália espera virar notícia a partir deste domingo apenas pelos resultados dentro de quadra. Mas, em razão das limitações para treinos, não deve ser nesta edição que os tenistas vão brilhar como já fizeram no passado em Melbourne. A quarentena pode levar a resultados imprevisíveis nas primeiras rodadas, com surpresas nas duas chaves de simples.

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