Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Após ser pego no doping, Bellucci mira recomeço nos Estados Unidos

Tenista, que jura inocência, volta ao circuito profissional em fevereiro depois de cumprir cinco meses de suspensão

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 07h02

O tenista Thomaz Bellucci está cumprindo os últimos dias de sua suspensão de cinco meses por doping. O jogador se manteve em silêncio sobre o assunto desde que foi notificado pela Federação Internacional de Tênis (ITF) no ano passado, mas batalhou para tentar provar sua inocência. No dia 31 de dezembro, recebeu a notícia da punição, que começou em 1.º de setembro e termina no fim deste mês.

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“Sempre acreditei que seria absolvido. Cinco meses foi mais do que eu esperava, até porque não tinha culpa nenhuma nessa história. Acreditava piamente na minha inocência e foi importante que provei isso”, explicou o atleta, que testou positivo para hidroclorotiazida em exame antidoping realizado no dia 18 de julho, quando disputava o ATP de Bastad – ele foi eliminado na estreia.

A substância é proibida pela Wada e em sua defesa Bellucci enviou frascos do multivitamínico, que teriam tido contaminação cruzada, para análise em laboratórios dos EUA e Canadá, que comprovaram a contaminação em diversos frascos. Ele também fez exames de urina e cabelo, voluntariamente, para tentar provar sua inocência. “Não tinha a mínima noção que aquela substância estava nos meus suplementos.”

Como atleta de ponta, Bellucci precisa tomar suplementos para repor as vitaminas que perde quando treina e joga. E fazer uma fórmula personalizada com tudo aquilo que ele precisa para repor os nutrientes em seu corpo é comum e, por isso, muitos jogadores utilizam as farmácias de manipulação. “Tomei apenas minhas vitaminas, coisa que qualquer atleta faz. Não tinha a mínima noção de que aquela substância estava nos meus suplementos.”

Após esse episódio, Bellucci prometeu processar o laboratório e tomar as medidas cabíveis. “Sempre pesquisei um bom laboratório, de confiança, achava que estava tomando aquilo que era bom para mim. Sempre tive muito cuidado com isso, mas a gente precisa repor sais minerais e carboidratos. Sei que não foi um erro meu”, continuou.

A ITF analisou os argumentos de Bellucci, mas optou por punir o jogador, por achar que ele tem sua parcela de culpa. De qualquer forma, diante das explicações, a entidade colocou uma pena branda, de apenas cinco meses, em uma situação que poderia tirar o jogador de ação por até quatro anos caso pegasse a pena máxima.

“A ITF considerou também a reputação do Thomaz. Se alguém pode entender que houve um grau de culpa, ele foi baixíssimo. Não houve julgamento, houve um acordo entre as partes, com perda de pontuação e premiação apenas do ATP de Bastad”, explicou Pedro Fida, advogado especialista em doping e sócio do Bichara e Motta Advogados.

Um dos argumentos utilizado é que a hidroclorotiazida não traria benefícios ao tenista. “Essa substância só faz o atleta perder líquido, o que não condiz com o perfil dele, que perde quatro quilos por partida. E ela não teve intenção de mascarar o uso de outras substâncias proibidas. Comprovamos pela análise do cabelo que ele não havia consumido nenhuma droga social ou substância dopante.”

Na quinta-feira, o jogador embarcou para os Estados Unidos, onde vai morar e treinar, e já pensa na sequência da temporada. O tenista de 30 anos, nascido em Tietê, no interior paulista, não entra em quadra desde o US Open, em agosto, e vinha se recuperando de uma ruptura do tendão de Aquiles. “Estou bem otimista. Refleti minha carreira, foi um momento de mudança, estou bem confiante e agora em janeiro vou treinar bastante para começar fevereiro com tudo. Com um resultado bom, acho que consigo voltar a ficar entre os top 100”, concluiu Bellucci.

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