Qianna Smith Bruneteau/The New York Times
Qianna Smith Bruneteau/The New York Times

Artistas exploram nova tela em projeto: as quadras de tênis

Art Courts foi encabeçado pela U.S. Tennis Association como parte das comemorações dos 50 anos da entidade

Andrew Chow / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 05h00

Embora os cortes de cabelo e as novas tendências dos uniformes dos tenistas tenham evoluído muito com o passar dos anos, as quadras de tênis praticamente continuaram as mesmas. Há um século elas são monocromáticas, com as linhas brancas delineando exatamente uma caixa com medidas precisas; a uniformidade de cada quadra é essencial para propiciar a criatividade que se desenvolve dentro dela.

Mas este ano alguns artistas modificaram esse sistema em cinco cidades: Miami, Los Angeles, Chicago, Cincinnati e Nova York. Na quadra de Miami, o centro da rede parece emitir raios que formam corações multicoloridos gigantes. Em Chicago os tenistas correm dentro de formatos de folhas com tonalidades variadas de verde. E no Brooklin as quadras de Highland Park estão repletas de letrinhas típicas das histórias em quadrinhos que evocam Roy Lichtenstein.

Este projeto, Art Courts, foi encabeçado pela U.S. Tennis Association como parte das comemorações dos 50 anos do U.S. Open.

Os organizadores esperam despertar mais entusiasmo e colorido nas quadras comunitárias em bairros menos atendidos – como também animar um esporte que, para alguns, tem a reputação de ser muito fechado e pautado por regras. O programa foi financiado pelo Chase como parte de uma iniciativa para apoiar o tênis entre os jovens, no valor de US$ 500 mil. 

Cinco artistas foram contratados para criar designs para as quadras recentemente reformadas usadas pela população para aulas para jovens, incluindo Justus Roe de Chicago, Kilk Create, um duo em Miami (Manoela Del Pilar Madera Nadal e David Gray Edgerton) e Charlie Edmiston de Los Angeles.

Sen2 Figuero, artista nascido em Porto Rico e famoso por seus grafites, foi escolhido para o projeto de oito quadras em Highland Park, em Cypress Hills, Brooklyn. Ele apresentou um primeiro esboço, que ficou bem de acordo com seu estilo extravagante. 

Mas os organizadores o convenceram a se manter fiel à sua estética de pop-arte. Ele criou então um design com letras vermelhas brilhantes formando a palavra BAM. Um enorme olho de desenho animado cobre as duas quadras. 

Trabalhar com a grama real, contudo, foi um enorme desafio. Seja com cavaletes ou paredes, Figueroa está acostumado a trabalhar direto com suas tintas em spray. Este projeto exigiu que ele trabalhasse ajoelhado e usar um tipo de tinta criado especificamente para ser bem liso e durável e suportar a pisada firme dos jogadores.

Ele e James Rodriguez, outro artista, disseram ter trabalhado mais de doze horas por dia durante três dias para concluir o projeto. “Este foi uma projetos mais difíceis que executei em minha vida; mas gostei muito. Eu queria que fosse um estouro. Não fiz isto por dinheiro, mas quero que as pessoas apreciem os detalhes”, disse.

Segundo os organizadores, as quadras não serão usadas para jogos regulares, mas destinadas a cursos de tênis e uso pela comunidade. Jose Rodriguez, um instrutor de tênis em Highland Park disse em entrevista que a arte que aparentemente pode ser uma distração na verdade melhora suas aulas.“O tênis é um esporte de concentração; a parte mental é muito importante. Acho que podemos usá-la como meta”, diz.

 TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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