Morgan Sette/Reuters
Morgan Sette/Reuters

Bia Haddad cita dificuldades e pressão após o vice na Austrália, mas foca em ‘curtir o momento’

Desde que voltou de uma suspensão, em setembro de 2020, a brasileira soma 14 finais e 10 títulos entre chaves de simples e duplas em nível ITF e WTA

Redação, Estadão Conteúdo

30 de janeiro de 2022 | 10h14

Beatriz Haddad perdeu o título de duplas do Aberto da Austrália, ao lado da parceira casaque Anna Danilina, mas a frustração da derrota na final contra as checas Krejcikova e Siniakova não a impede de curtir o momento, até porque ele é histórico. A chegada de Bia à decisão foi marcante para o tênis brasileiro e se tornou o episódio máximo da superação da tenista, que enfrentou uma suspensão por doping e um tumor na mão esquerda.

A paulista de 25 anos se tornou a primeira brasileira a disputar uma final do Grand Slam australiano na Era Aberta do tênis, iniciada em 1968. Além disso, se juntou a Maria Esther e Cláudia Monteiro no seleto grupo de únicas tenistas que representaram o Brasil em finais de major. Até viver esse momento histórico, contudo, Bia teve que lidar com muita pressão e cobranças constantes, ao mesmo tempo em que lidava com outros problemas.

“Para mim, foi muito duro. Voltar de quatro cirurgias, doping, de um tumor no meu dedo”, afirmou a tenista em entrevista coletiva. “Não é fácil ser uma promessa desde os 14 anos. Chegaram a me chamar de Sharapova brasileira. A gente vive em um país de muita cobrança, mas não posso viver minha vida pensando nos outros. Fico feliz de quebrar tabus, contribuir para o tênis feminino, mas só estou curtindo muito o momento”, completou. 

Segundo ela, o caminho da superação foi encontrado graças ao apoio que recebeu do treinador Rafael Pacciaroni. Emocionada após a partida, citou a parceria com o profissional como um fator essencial para o seu crescimento dentro de quadra, mesmo depois de passar por uma série de desventuras. 

“Para mim é muito claro as pessoas que estão comigo. No ano passado passei mais de nove meses sozinha, com meu treinador Rafael. E vocês não tem noção, a gente abre mão de tudo que vocês possam imaginar. No final acabei dedicando ali para ele, porque só quem está no dia a dia sabe”, disse a tenista.”É muita gente criticando, muita cobrança e o Rafa estava lá comigo. É um cara muito especial, o tênis brasileiro precisa ter esse cara por bastante tempo”, completou.

Agora curtindo o momento, Bia falou sobre como a pressão afeta o seu dia a dia e explicou o comportamento que adota para manter a concentração. A tenista não lê notícias que tenham ela como pauta e prefere estar distante das redes sociais. “Hoje é um momento muito bom, todo mundo fala bem de mim. Daqui a três meses posso perder na primeira rodada e as pessoas podem falar mal de mim. E eu já aprendi muito com isso”, disse.

Hoje na 83ª colocação do simples, Beatriz Haddad está no 150º lugar entre as duplas , mas dará um salto nesta lista, para o 41º posto. Desde que voltou da suspensão, em setembro de 2020, soma 14 finais e 10 títulos, entre chaves de simples e duplas em nível ITF e WTA. Neste ano, na preparação para o Aberto da Austrália, ela foi campeã nas duplas, jogando ao lado de Danilina, no WTA de Sidney.

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