Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Bia Haddad Maia supera as lesões e tem seu melhor ano no tênis

Número 1 do Brasil faz temporada consistente, sobe no ranking e admite ter se surpreendido: 'Estou no caminho certo'

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 07h00

Sem lesões e com treinador novo. Estes foram os diferenciais para o salto evolutivo dado por Beatriz Haddad Maia na temporada 2017. Depois de um susto no fim do ano passado, a tenista número 1 do Brasil obteve vitórias importantes, fez sua primeira final no circuito profissional e foi até indicada ao prêmio de revelação do ano. "Estou no caminho certo", afirma Bia, já curtindo o breve período de férias.

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O descanso é merecido. A atleta de 21 anos encerrou sua temporada em alta, em contraste com a angústia do início. A poucas semanas do começo do ano, um acidente doméstico resultou em três vértebras fraturadas. Se adiou a estreia nos grandes torneios, o contratempo permitiu à brasileira competir e vencer competições de menor porte. 

Foi o suficiente para lhe dar ritmo para fazer bonito também entre as principais tenistas do mundo. Até ela se surpreendeu com os resultados. "Não esperava que fosse acontecer tudo assim tão rápido", admite ela ao Estadão. A evolução pode ser constatada pelo salto de 115 posições no ranking, pelo vice-campeonato em Seul - perdeu a final para a campeã de Roland Garros, Jelena Ostapenko -, pelo título de duplas em Bogotá e pelas estreias nas chaves principais dos torneios de Grand Slam.

A boa performance se deve, segundo a própria tenista, à ausência de lesões. "É o primeiro ano que termino sem problemas físicos", afirma Bia, que tem histórico de contusões nas costas e no ombro. Com o corpo 100%, ela pôde dar maior atenção ao trabalho técnico e tático. Atleta da Tennis Route, principal academia do Brasil, Bia passou a ser treinada neste ano pelo argentino German Gaich, com quem viaja pelo circuito.

"Trabalhando com ele, dei um salto bem grande no primeiro semestre. Entrei no Top 100 do ranking antes de julho", diz a tenista que chegou a figurar em 58º lugar, no mês passado. O trabalho sem lesões e a evolução com o treinador foram acompanhados pelo crescimento da confiança em quadra, da disciplina e da satisfação em quadra. 

"Sempre respirei o tênis. Sou até meio exagerada na disciplina, principalmente na comida. Eu adoro comer, mas olho para aquela fritura e digo 'você não vai me ajudar a conquistar os meus objetivos'", brinca a tenista, sem esconder a alegria pela grande fase. "Acho que a atitude dentro de quadra conta muito e estar feliz é um super fator favorável. Quem está feliz joga mais solto, tudo flui."

ESTREIA ENTRE AS GRANDES

Em seu primeiro ano disputando os maiores torneios do mundo, Bia enfrentou tenistas do Top 10, dividiu vestiário com estrelas, como a russa Maria Sharapova, e conheceu a realidade das profissionais. "Achava que disputar estes torneios era uma coisa de outro planeta. Mas não mudou muita coisa", diz. "Legal foi ver que todas enfrentam as mesmas dificuldades. Também são humanas, vão banheiro, perdem voos."

A brasileira também percebeu as vantagens usufruídas pelas mais bem ranqueadas. "Em alguns torneios, elas têm um pouquinho mais de benefícios, um pouco mais de tempo de quadra para jogar. Claro que os organizadores querem ver o tenista mais famoso jogando até o final, tem o lado do patrocinador, faz parte."

Num ambiente de trabalho, Bia admite que há pouco espaço para amizades. "As meninas são muito competitivas. Quando entra na quadra, o árbitro falou 'play', cada uma quer fazer o seu. É supernatural", afirma. Suas colegas mais próximas são a espanhola Sara Sorribes Tormo e a paraguaia Veronica Ceped Royg.

PATROCÍNIO

As dificuldades, contudo, não ficaram para trás. O grande ano da brasileira ainda não se refletiu em mais patrocinadores. "Infelizmente poucos dos meus jogos foram televisionados", diz. Com a mãe professora de tênis e o pai desempregado, ela conta com as empresas que a acompanharam neste ano e com a premiação dos torneios para se manter em disputa no circuito. 

"Todo mundo acha que estou milionária porque tive um ano bom. Longe disso, a conta com viagens, hotéis, passagens é absurda. O que sobra eu invisto no próprio tênis para pagar fisioterapeuta, preparador físico. Ainda não penso em ganhar dinheiro", declara a tenista, que ganhou US$ 451 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) em premiação neste ano, antes do desconto dos impostos.

A maior parte destes valores banca os custos do circuito. "Em média, 80% do que eu ganho como premiação eu acabo gastando com o torneio", explica a atleta, que também conta com o apoio da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Ela avalia que o custo para um tenista competir no circuito por cerca de 30 semanas em um ano é de US$ 200 mil.

Quanto à próxima temporada, que deve começar para ele logo nos primeiros dias de janeiro, Bia descarta projetar metas para evitar maiores expectativas. Mas, com tranquilidade e confiança, vê a indicação ao prêmio da WTA como revelação da temporada como um sinal de aprovação. "Estou no caminho certo. E vou querer cada vez mais", garante.

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