Cristiano Andujar/Divulgação
Cristiano Andujar/Divulgação

Bia Haddad parte em busca de seu maior sonho

Paulista supera fratura e retoma projeto de estar no topo do ranking

Marcio Dolzan e Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

07 Março 2015 | 17h00

No mês passado, a paulista Beatriz Haddad Maia entrou na quadra central do Jockey Club Brasileiro, no Rio, como zebra diante de Sara Errani, vice-campeã de Roland Garros em 2012. A italiana realmente não sabia o que esperar, afinal, Bia nem foto no perfil do site da WTA tem até hoje. E a tenista de 18 anos, nove mais jovem que a adversária, soube aproveitar muito bem o seu anonimato. Ela esteve três vezes a um ponto de cravar a vitória, mas acabou desperdiçando suas chances e, no terceiro set, caiu no choro e abandonou a partida das quartas de final com cãibras nas duas pernas.

Apesar da eliminação, Bia mostrou personalidade em sua passagem pelo Rio Open e deixou o seu cartão de visitas. “Eu acredito muito que possa enfrentar qualquer menina. Quando tive chance de match point, foi uma confirmação de que posso estar lá. Acho que isso só me fortalece e me deixa confiante.”

A força mostrada pela garota é quase insignificante diante dos momentos difíceis que, por pouco, não colocaram fim em sua carreira em 2013. Durante um torneio em Campinas, em 12 de julho daquele ano, Bia caiu na quadra e sofreu uma fratura na parte superior do osso do braço (úmero) e lesão parcial dos ligamentos do ombro, ficando afastada das quadras por três meses.

  

Quando voltou no ITF de Macon, nos Estados Unidos, teve complicações em uma de suas três hérnias de disco e sentiu sua perna direita formigar. Bia foi persistente e tentou entrar em quadra, mas teve de desistir e embarcou para o Brasil. No dia 12 de outubro de 2013, passou por artroscopia na coluna lombar no Hospital Samaritano, em São Paulo, que mudaria a forma de encarar a vida.

“Foi um momento de ouro. Claro que eu não desejaria a ninguém operar a coluna, mas eu aprendi muito mais do que jogando tênis”, conta. “Muita gente fala que perdi seis meses, mas foram seis meses que eu ganhei. Eu estava longe da família, pude passar esse tempo todo com eles. Senti a falta do esporte e pude ver que é isso que eu quero pra minha vida”, completa.

A tenista voltou apenas em fevereiro de 2014 diante de uma nova realidade. Se em 2013 encontrava-se em franca ascensão, naquele momento havia despencado no ranking da WTA e teria de recomeçar a caminhada. A trajetória foi feita ao lado de uma nova comissão técnica.

Bia deixou a parceria com o técnico Larri Passos, que se consagrou ao lado de Gustavo Kuerten, e passou a ser treinada por Marcus Vinícius Barbosa, o Bocão. Ela começou a se preocupar com o lado psicológico e hoje trabalha com Carla di Pierro, que também auxilia o brasileiro Thomaz Bellucci.

A jovem atleta faz questão de enfatizar que estava satisfeita com o trabalho de Larri. “Eu não saí de lá (Balneário Camboriú) porque não gostava do treino ou não gostava dele, eu saí porque, momentaneamente, a gente estava em caminhos diferentes. Ele estava viajando com a Tamira (Paszek) e eu precisava de uma equipe maior”, justifica.

E rasga elogios ao ex-técnico. “Ele (Larri) é o treinador que mais se entrega no mundo. Quem conhece esse cara, o tamanho do coração desse cara, sabe o quanto ele vale e o quanto já fez pelo Brasil.”

Não faz muito tempo que a loira, de 1,85 m de altura, era considerada uma promessa do tênis juvenil. E ela vê algumas diferenças entre o início da carreira e o estágio profissional.

“O tênis é muito mais do que bater na bola. No juvenil, a gente quer bater forte, quer fazer ponto bonito, quer ganhar jogando bem. No profissional, isso não vale. O que vale é o jeito, é correr e jogar a bola para cima que está valendo”, compara.

Tenista número 206 do mundo, Bia já traça metas claras em sua caminhada. “Venho trabalhando todos os dias com o objetivo de ganhar um Grand Slam, ser uma jogadora top e um ser humano melhor.” E nessa empreitada descarta os números e posições no ranking. “Se um dia eu for número um, será consequência.” Mas ela também não deixa os estudos de lado e, por gostar de matemática, resolveu fazer faculdade de administração em um curso à distância.

Apesar da pouca idade, a paulista tem sido presença constante na equipe brasileira para a Fed Cup, versão feminina da Copa Davis. Sua primeira convocação foi em 2012. Bia mostra orgulho por poder representar o Brasil. “É honra, é oportunidade e é coração. É coração porque a mais unida e mais forte acaba ganhando. Se você joga por si, não vai a lugar nenhum”, afirma.

Sonhando com a participação na Olimpíada do Rio, em 2016, a cabeça de Bia está voltada para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, entre 10 e 26 de julho. "Estou ansiosa pela convocação e quero muito ir. Se Deus quiser, vai dar tudo certo", torce.

Mais conteúdo sobre:
Tênis Bia Haddad

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.