Guilherme Merlino/Agência Attitude Esportiva
Guilherme Merlino/Agência Attitude Esportiva

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2018 | 20h00

Eles são o futuro do Brasil no tênis. Thiago Wild, João Lucas Reis, Matheus Pucinelli e Igor Gimenez caminham a passos largos para entrarem de vez no circuito profissional. A meta é superar um dos maiores gargalos do tênis brasileiro: a delicada transição para o mundo da ATP, a Associação dos Tenistas Profissionais. E o primeiro grande teste será neste Aberto da Austrália, que começará na noite de domingo, pelo horário de Brasília.

+ Thomaz Bellucci correu riscos ao esconder doping

+ Rio Open adia sonho de Masters 1000 e foca em mudança de piso

Com eles, o País volta a ter representante no torneio juvenil australiano, após ter ficado de fora em 2016 e 2017.

O quarteto, que está no Top 50 do ranking juvenil e somou seus primeiros pontos na ATP no fim da temporada passada, quer surpreender em Melbourne. Ao mesmo tempo, tenta manter ambições modestas. Por enquanto, o discurso é de aprendizado. Os sonhos mais altos vão vir no futuro, quando entrarão de cabeça no mundo profissional.

Mesmo Thiago Wild, o número 9 do mundo no juvenil, evita o favoritismo. “Acho que tenho boas chances, mas dizer que sou um dos favoritos é um pouco demais”, afirma o tenista que completará 18 anos em março. “Tenho jogado melhor na quadra rápida. Minha confiança está alta não só no piso duro, mas no tênis como um todo.”

Paranaense de Marechal Cândido Rondon, Wild é o juvenil mais promissor no momento. Foi até as quartas de final em Roland Garros no ano passado e exibe boa forma técnica na transição para o profissional na Tennis Route, academia do Rio de Janeiro onde também atuam Bia Haddad e Thiago Monteiro.

Será sua estreia no Aberto da Austrália, assim como será para João Lucas, Pucinelli e Gimenez. O trio treina junto em Barueri no Instituto Tênis, fundada pelo bilionário Jorge Paulo Lemann, um ex-tenista.

“Espero jogar o meu melhor tênis no Aberto da Austrália. Estou com boa expectativa”, diz João Lucas, de 17 anos. O tenista do Recife se mostra ciente dos desafios que terá pela frente. “Acho que a maior dificuldade dos juvenis no Brasil é a pressão por resultados imediatos, seja pelos pais ou por si mesmo. Colocar o resultado em primeiro lugar tão cedo pode atrapalhar muito a formação do atleta”, avalia o adolescente, 30º do ranking juvenil.

Igor Gimenez, seu parceiro de treino, também já superou os primeiros obstáculos para se tornar profissional. “Tive bastante dificuldade antes de chegar neste nível de competir em Grand Slam. Foram muitos momentos ruins, até pensei em parar de jogar. Mas hoje estou confiante”, garante o tenista de São Bernardo, 46.º do ranking, e que fará 18 anos em fevereiro.

Mais novo do trio que treina junto em Barueri, Pucinelli não esconde os planos para o futuro. “Quero terminar este ano entre os 800 melhores do ranking da ATP. E a partir do meio do ano devemos mesclar mais os torneios juvenis com os profissionais”, diz o tenista de 16 anos, natural de Campinas, atual 31.º do ranking.

PREOCUPAÇÃO

O Brasil tem tradição em revelar bons tenistas juvenis, mas nas últimas décadas tem tido pouco sucesso na transformação deles em profissionais. O caso que mais chamou a atenção foi o de Tiago Fernandes. Foi o último brasileiro juvenil a ganhar um Grand Slam em chave de simples, ao vencer justamente o Aberto da Austrália, em 2010, quando também foi o número 1 do mundo. Mas, sem resultados expressivos no profissional, decidiu se aposentar em 2014, aos 21 anos.

O precoce fim de carreira acendeu o alerta no tênis brasileiro, o que vem inspirando maior atenção aos atletas que pretendem virar profissionais. “Não consigo fazer comparações com as gerações anteriores, mas posso dizer que esta geração está entrando no profissional bem preparada”, garante Alan Bachiega Marques, técnico que acompanha o trio do Instituto Tênis na Austrália.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2018 | 20h00

Todos os olhos estarão voltados para Novak Djokovic neste Aberto da Austrália. Afastado do circuito desde julho, o sérvio se recuperou de uma lesão no cotovelo direito e voltará a jogar uma partida oficial direto no Grand Slam. Mesmo assim, será um dos favoritos, mas abaixo do suíço Roger Federer, atual campeão. O espanhol Rafael Nadal, vice em 2017, sofre com a desconfiança em razão dos recentes problemas físicos.

+ Kerber bate dona da casa na final e é campeã do Torneio de Sydney

A expectativa em torno de Djokovic não é por acaso. Uma das grandes estrelas do tênis nos últimos anos, ele é o maior campeão da história do Aberto da Austrália, com seis troféus. Somente o local Roy Emerson tem tantos títulos, obtidos ainda na era amadora do tênis. O conhecido bom rendimento do sérvio no piso duro de Melbourne será testado após uma dura lesão e uma série de seis meses de afastamento.

Djokovic apostou na estratégia bem-sucedida de Federer e Nadal em 2017. A dupla se afastou das quadras na segunda metade da temporada de 2016 para tratar lesões e focar na preparação física. Como resultado, dominaram toda a temporada passada. Por outro lado, Djokovic sofreu com o enorme desgaste de anos seguidos de circuito sem uma parada mais longa para respirar.

A parada veio no fim de 2017. E gerou ainda mais expectativa quando ele retornou às quadras em exibições na semana passada, com grandes atuações e até mudanças técnicas no saque, por causa da lesão no cotovelo.

Djokovic estará no mesmo lado da chave de Federer. Ou seja, um confronto entre os dois poderia ocorrer na semifinal. O suíço é o maior candidato ao título. Sem questões físicas, ele faturou a Copa Hopman, torneio amistoso entre países, na primeira semana do ano. Para chegar ao título, ao lado da compatriota Belinda Bencic, superou adversários como o norte-americano Jack Sock e o alemão Alexander Zverev, atual número quatro do mundo.

Em situação oposta, Nadal gerou desconfiança neste começo de ano. O número 1 do mundo desistiu de torneios alegando foco na recuperação física, após se afastar no fim do ano devido a dores no joelho, e perdeu dois dos três jogos de exibição que fez. Andy Murray, por sua vez, assustou os fãs ao passar por uma operação no quadril na semana passada. Só deve voltar em Wimbledon.

No feminino, a norte-americana Serena Williams e a bielo-russa Victoria Azarenka novamente são as baixas, como ocorreu no US Open do ano passado. Sem a dupla, as expectativas recaem sobre o rendimento da romena Simona Halep, atual número 1 do mundo, da dinamarquesa Caroline Wozniacki, da alemã Angelique Kerber e da ucraniana Elina Svitolina.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2018 | 20h00

Embalado pelo troféu conquistado em Sydney na sexta-feira, Marcelo Melo é a grande aposta do Brasil no primeiro Grand Slam do ano. Ele e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, lideram os dois rankings de duplas. Foram campeões em Wimbledon e vice no ATP Finals, em 2017. Neste ano, já começaram a temporada com título, em solo australiano.

+ Melo e Kubot vencem final e abrem temporada com título em Sydney

“É muito bom começar o ano com um título. Vamos para Melbourne com bastante confiança e prontos para fazer um bom torneio”, afirmou Melo. No Aberto da Austrália, seu melhor resultado foi a semifinal de 2015. Na temporada passada, caiu nas oitavas de final.

Outro candidato brasileiro a título é Bruno Soares. Ele foi campeão na Austrália em 2016, ao lado de seu parceiro, o britânico Jamie Murray. No ano passado, a dupla foi eliminada na estreia. O brasileiro é o atual número 10 do mundo.

Na chave de simples, o Brasil terá apenas dois representantes: Rogério Dutra Silva e Bia Haddad Maia. O tenista de 33 anos, atual 100.º do ranking, disputará a chave principal pela segunda vez. Na primeira, em 2016, foi até a segunda rodada.

Bia, por sua vez, fará sua estreia como profissional neste Grand Slam. Já Thiago Monteiro e João Souza, o Feijão, caíram ainda no qualificatório. E Thomaz Bellucci cumpre suspensão por doping.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.