Brasil copia argentinos no tênis

Se não dá para vencer os argentinos no tênis, copiar seus métodos, contratar seu pessoal e importar tecnologia pode ser uma boa solução. Essa é a atual linha de trabalho do Instituto do Tênis, recentemente criado no Brasil para formação de jogadores e que busca intercâmbio esportivo com o país vizinho, além de contratar alguns de seus profissionais com experiência no circuito internacional e na preparação de atletas.O Instituto do Tênis já conta na sua equipe de trabalho com o preparador físico da Copa Davis da Argentina e da Associação Argentina de Tênis, Alberto Osete, que periodicamente viaja ao Brasil para acompanhar o desenvolvimento e treinamento dos juvenis brasileiros. A coordenação médica é de outro argentino, Alejandro Resnicoff, e o Instituto está em negociações finais para trazer o técnico Patricio Arnold, ex-profissional da ATP."Nossa idéia é justamente a de aproveitar o sucesso dos argentinos no tênis para ajudar na formação dos jogadores brasileiros", afirmou Renato Traldi, presidente do Instituto, com sede em Santa Catarina. "Nossos tenistas também irão passar por períodos de treinamentos na Argentina, muito mais fácil e barato do que ter de viajar para Europa ou EUA."Atualmente, o Instituto conta com uma equipe de 16 jogadores e jogadoras, coordenados pelos técnicos Ivan Kley e Marcos ?Bocão? Barbosa. Segundo Traldi, a idéia com a contratação dos profissionais argentinos é de aumentar esse número de participantes.O sistema de funcionamento do programa é bastante curioso. Os jogadores são convidados para integrar o Instituto e assinam uma espécie de contrato chamado de bolsa escola. Não pagam nada por ora, mas, quando se tornarem profissionais, deduzirão um porcentual, cerca de 5% do valor dos prêmios que ganharem, para restituir o dinheiro investido em suas carreiras. "Os integrantes da equipe que não se tornarem tenistas profissionais serão encaminhados para jogar em times de universidades norte-americanas e, quando se formarem, destinarão parte de seus salários para pagar a dívida."Mentalidade - Para alguns ex-profissionais do tênis brasileiro, como Thomas Koch e Fernando Meligeni, há muito a ser feito para revelar bons jogadores. "Acredito que um dos maiores problemas seja o de mentalidade", diz Koch. "O brasileiro faz um bom resultado e se acomoda. Relaxa, deixa de viajar, enquanto o tenista argentino está sempre lutando, correndo atrás e passa meses e meses na Europa e Estados Unidos, jogando todos os torneios que puder."Para Meligeni, que teve parte de sua carreira formada na Argentina, onde treinou por dois anos e meio, é imprescindível a criação de uma escola brasileira. "Precisamos de um centro de tênis, onde um jogador possa encontrar apoio, parceiros e orientação", diz o ex-tenista. "Quando fui treinar na Argentina, batia bola com Franco Squillari, Luís Lobo, Lucas Arnold, entre muitos outros profissionais da época. Os argentinos têm dois centros importantes, o Buenos Aires Lawn Tennis e o Villas Club, onde jogadores juvenis como Juan Martin Del Porto, treinam com Guillermo Coria, David Nalbandian, Gaston Gaudio, entre outros."

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